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Análise mensal da Mapfre Investimentos aponta riscos ao Euro por conta do cenário político local

Possibilidade de eleição de candidata contrária à integração da França à União Europeia pode provocar a saída de mais um país do bloco, depreciando a moeda local

São Paulo, 13 de abril de 2017 – No mês de abril, as atenções se voltam para o continente europeu em função de diversos fatores ligados à vida política da região, como aponta a análise mensal da Mapfre investimentos. A eleição presidencial francesa, cujo primeiro turno ocorre no dia 23, define o nome do mandatário da segunda maior economia europeia nos próximos cinco anos. Entre os postulantes estão Emmanuel Macron, considerado social-democrata, e Marine Le Pen, contrária à integração da França à União Europeia. Caso a candidata seja vitoriosa, o que estará em jogo será a continuidade da UE. Após o Brexit, a saída da França do bloco, ou “Frexit”, poderia, portanto, acelerar a trajetória de depreciação da moeda europeia, observada desde 2008, como aponta a figura a seguir.

Vale comentar que a eleição da França não constitui o único risco político interno que ameaça o euro no longo prazo. Outros países da região contam com partidos que questionam a integração à UE. Este é o caso da Itália, da Alemanha e da Áustria. Há também movimentos separatistas, como o da Catalunha e País Basco na Espanha, de Flandres na Bélgica, da Escócia e Irlanda no Reino Unido, bem como da Padânia na Itália. A UE conta também com riscos políticos externos. Primeiro, as crescentes ambições russas no Leste Europeu. Segundo, os questionamentos de Donald Trump à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Por fim, a crescente pressão imigratória.

Mas as ameaças à moeda europeia não se resumem a riscos políticos. Há também riscos econômicos evidentes. Os efeitos da crise financeira de 2008, iniciada nos Estados Unidos, não foram integralmente superados em diferentes economias europeias até os dias de hoje. O endividamento público persiste elevado nas economias grega e italiana. O desemprego também resiste à queda, a despeito da recuperação econômica. Este é o caso das economias espanhola e portuguesa. Por fim, a inflação segue contida abaixo da meta de 2%, o que indica que a política monetária seguirá frouxa no médio prazo.

Como se nota, os riscos ao euro estão longe de se resumir às eleições na França. Há outros riscos políticos. O que se discute não é mais o confronto entre a direita e a esquerda, mas sim entre integrados e excluídos da globalização. Há também riscos econômicos. Estes devem resultar em velocidades diferenciadas de crescimento econômico dentro do bloco europeu. Diante disso, o aperto monetário, quando vier, será mais lento e menos intenso do que nos EUA.

Gestão – O mês de março foi de cautela para os investidores locais. O país teve notícias animadoras vindas dos indicadores de inflação, além de notícias não tão positivas vindas do lado fiscal e de atividade econômica. A inflação acumulada nos últimos 12 meses no IPCA-15 é de 4,73%, bem próxima do centro da meta de 4,50%. Já o PIB do Brasil apresentou uma queda de 0,9% no último trimestre de 2016, atingindo o patamar de -3,6% no fechamento de 2016. Ambas as notícias estão em linha com a sinalização do Banco Central de continuidade do ciclo de corte da Selic. Aumentaram as apostas para cortes de 100 bps, mas existem investidores mais otimistas acreditando em um corte de 125 bps.

No entanto, começam a surgir incertezas para a economia nacional, primeiro em relação à aprovação da reforma da previdência, segundo em relação à operação “Carne Fraca”, da Polícia Federal. Diante da incerteza, o Ibovespa encerrou o mês de março com queda de 2,52% aos 64.984 pontos. No ano, o principal índice da bolsa brasileira acumula valorização de 7,9%. O fluxo de investidores estrangeiros foi negativo no mês de março em R$ 3,346 bilhões, porém no ano o saldo continua positivo em R$ 3,537 bilhões.

No mercado de renda fixa, a curva de juros futuros continuou o movimento de queda, refletindo a percepção de que o Banco Central aumentará o ritmo de corte da Selic de 75 bps para 100 bps. A janela de oportunidade que o Banco Central possui atualmente permite um corte mais agressivo de 100 bps, porém o cenário básico é de que a Selic encerrará o ano de 2017 acima de 9%. A gestora segue posicionada apenas em posições de arbitragem de taxas de juros no mercado futuro.

No book de renda fixa internacional, a gestora mantém sua posição comprada em taxas de juros futuros de 10 anos norte-americano via BM&F, acreditando em ao menos três altas de juros em 2017. Essa posição teve muito destaque até a reunião do FED, quando existiam rumores da possibilidade da instituição aumentar a taxa de juros em quatro reuniões de 2017. Passada a reunião, a probabilidade do quarto aumento diminuiu, mas ainda existe muita incerteza em relação à trajetória fiscal da economia norte-americana e possíveis conflitos geopolíticos.

No book de renda variável, a Mapfre Investimentos manteve exposição de 4% em ações no portfólio mais conservador dos multimercados e 12% no perfil mais agressivo. A gestora destaca como movimentações do período a diminuição da exposição no setor bancário, aumento de exposição nos setores de autopeças, energia e varejo. Foram encerradas as exposições no setor alimentício dada à incerteza dos desdobramentos e impactos da operação “Carne Fraca”.

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