Revista Cobertura

Seguro de crédito em plena expansão

A crise gerou uma nova percepção de risco por parte dos empresários, na avaliação de Marcele Lemos, CEO da Coface

Por Karin Fuchs

Marcele Lemos, CEO da Coface

A crise econômica no país refletiu na taxa de sinistralidade da carteira de seguro de crédito. Ela chegou a 135%, em 2015, e recuou apenas sete pontos percentuais, em 2016, como também fez com que o empresário brasileiro mudasse a percepção de risco. Como resultado, a carteira está crescendo.

“A crise veio para mostrar que independentemente do relacionamento/histórico que se tem com uma empresa, às vezes alguns fatores podem afetar o seu fluxo de caixa, impedindo que ela esteja adimplente ao mercado. E o seguro de crédito é para perda inesperada”, afirma Marcele Lemos, CEO da Coface.

Segundo ela, a crise tem gerado aumento de demanda, o que é positivo, pois também traz oportunidades, porém, os setores mais afetados estão buscando o seguro de crédito, o que requer cautela. No caso da Coface, a taxa de sinistralidade chegou a 135%, em 2015, e recuou para 63%, no ano passado.

“Em 2015, nós tivemos uma sinistralidade muito elevada, muito puxada pelo mercado doméstico. Sabíamos que o ano passado seria pior para a economia do país, focamos em trabalhar bem a nossa estrutura interna de risco, reduzimos a nossa sinistralidade para menos da metade e tivemos lucro”, diz.

Ela complementa “Obviamente, nós ficamos mais restritivos na aprovação de limites de crédito e nos setores mais afetados pela economia nós tivemos muita cautela na aceitação de novos negócios. O que foi necessário para que neste ano, quando a economia melhorar, nós também tivéssemos sólidos e fortes”.

Mercado

Marcele Lemos comenta que no Brasil não mais de 800 empresas têm seguro de crédito e que este mercado ainda é pequeno, com um volume de R$ 300 milhões em prêmios. “O potencial é enorme e qualquer empresa, independentemente do seu porte, pode se beneficiar com este seguro”, pontua.

No caso da Coface, 65% do portfólio são empresas multinacionais. “As empresas americanas e europeias já conhecem o nosso seguro de crédito há muitos anos, sabem que ele é um mitigador de risco e também um facilitador para ampliar mercados. E a nossa ideia é inverter este número”, antecipa.

Para isso, ela destaca a força comercial interna da Coface para prospectar novos clientes e o canal corretor. “Porém, há poucos corretores especializados em seguro de crédito no Brasil; há uma carência de brookers neste segmento”, comenta.

Benefícios

O seguro de crédito oferece diversos benefícios aos segurados. “O cliente que tem esse seguro conta com a análise de crédito (do comprador), a cobrança (feita pela Coface) e o monitoramento; o limite de crédito da apólice é monitorado durante toda sua vigência, o que é um gerenciamento de risco”, cita.

Outra vantagem é para o cliente que pretende ampliar mercados no Brasil ou no exterior. “O segurado tem um mapa com o score de cada um de seus compradores. Quanto maior a sua nota, maior a probabilidade de aumentarmos o seu limite de crédito. Assim, ele pode direcionar este mapa à sua área comercial, que irá utilizá-lo como uma guia para ampliar negócios”, explica.

E o seguro de crédito também pode ser utilizado como uma garantia ao banco, no caso do cliente querer antecipar recebíveis. Para finalizar, Marcele Lemos diz que as perspectivas para este ano são muito boas.

“E não apenas para nós. Eu converso com executivos de outras companhias e a percepção é a mesma: a demanda está aumentando, empresas que nunca tiveram o seguro de crédito estão buscando o produto, pois tiveram uma perda ou têm receio que isso venha a acontecer”, conclui.

Conteúdo da edição 185 – Abril/2017 – Revista Cobertura Mercado de Seguros

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