Redação

Especialistas avaliam cenário atual econômico e do mercado de seguros do país

 

Para eles é preciso religar o setor com a economia do país e verificar as possibilidades de desenvolvimento do setor

Por Tany Souza

Marcio Coriolano

O seguro fica muito adjacente às políticas do Estado. Foi assim que Marcio Coriolano, presidente da CNseg, iniciou o Café com Seguro, organizado pela ANSP, dia 3 de agosto, sobre o cenário econômico e o mercado de seguros. Para ele, há uma ligação perdida do setor como o crescimento econômico do país.

“Para mim, há uma espécie de elo perdido do setor em relação à sua importância para o desenvolvimento econômico do país, de um lado como parceira em instrumentos de políticas macroeconômicos e de outro como um vasto universo de políticas microeconômicas que possui efetividade para sociedade tão grande quanto as outras”, comenta Coriolano.

Ele lembra que somente alguns sabem quanto que o setor possui de ativos no mercado. “Poucos sabem que o setor possui R$ 1 trilhão em ativos, que estão aí suportando a dívida pública e financiando os investimentos. Cada centavo que é colocado no cofrinho do seguro desonera a sociedade de uma série de gastos que alguém, provavelmente o governo, teria de pagar”, disse ele sobre a importância do seguro para o cenário econômico do país.

Ele complementa que é preciso recolocar o setor de seguros no centro das políticas públicas do país. “O setor de seguros arrecada mais que toda a indústria de construção civil, foi o que aconteceu em 2016. O nosso setor é absolutamente concentrado em quatro seguros, VGBL e PGBL, saúde, seguro de vida individual e o seguro rural de garantia. Os outros seguros estão praticamente parados no tempo. E isso também é uma oportunidade imensa ao instigar e sensibilizar as autoridades do país, buscando também que eles contribuam para desatar as amarras do espírito empreendedor do empresário”.

Lauro Faria

O economista Lauro Faria diz que o mercado de seguros apresentou um desenvolvimento grande, porém isso não apresenta um progresso. “Sabemos que tivemos progresso muito grande, mas se colocar em uma linha houve um retrocesso. Se tivéssemos mantido o crescimento teríamos hoje uma renda per capita de 30 mil dólares, porém chegamos a 15 mil”.

Ele compara o crescimento do Brasil e o comportamento econômico com outros países, explicando o que é a armadilha da renda média. “A armadilha da renda média, ou do baixo crescimento, é a situação de um país que, tendo vencido a renda baixa, se mantém na renda média por décadas e não demonstra tendência de escape de renda. São países que têm dificuldade de competir com outros”. E Faria completa: “Um país tem renda média possui renda per capita entre 20% e 55% da renda per capita dos Estados Unidos. Considera-se como “estancado” na ARM (armadilha de renda média) o país de renda média que permanecer nessa situação por mais de 47 anos. Seguramente, o Brasil está dentro dessa faixa há mais de 50 anos. Então é um problema grave, porque passar para renda alta não é nada fácil”.

Laura Faria enfatiza alguns fatores específicos do Brasil. “Temos gerenciamento macroeconômico deficiente, elevada carga tributária, burocracia excessiva, regulação deficiente, sistema político disfuncional e geopolítica não indutora de coesão doméstica para sair da ARM”.

E ele ressalta que o macroeconômico é o que podemos resolver em curto prazo. “O primeiro passo é resolver as distorções domésticas, nas deslocações de recursos, no gerenciamento macroeconômico e muito menos do que nas políticas de proteção. Claro que temos que proteger, dar subsídios, mas se houver espaço. Se não resolvermos isso, ficaremos parados”. Para isso ele enfatiza que a ideia é “fazer uma política de proteção, ou de subsídio, ou de incentivo, tem que ser parcimoniosa, temporária, portanto, cadente no tempo, e baseada em uma expectativa de lucratividade para não gastar dinheiro público à toa”.

Tendências para o mercado de seguros

Francisco Galiza

Segundo o economista Francisco Galiza, há quatro forças para o mercado de seguros: expansão da economia para outros países, aumento do impacto da tecnologia cada vez maior, envelhecimento populacional do mundo e que fica cada vez menor. “Em 2025, a previsão é de que quase metade das grandes empresas deve estar sediada nos países emergentes. Outro fator importante para lembrar é que foi preciso 38 anos para o rádio atrair 50 milhões de ouvintes, já o Facebook, criado em 2004, atraiu seis milhões de usuários em seu primeiro ano, número multiplicado por 100 em cinco anos. Em 2017, o Facebook chegou a 2 bilhões de usuários. Já o WhatsApp, em 2016, atingiu um bilhão de usuários”.

Galiza ainda completou ao dizer que “há um envelhecimento mundial, tanto que, na Tailândia, por exemplo, a taxa de fertilidade, de 1970 para os dias de hoje, passou de 5,0 crianças por mulher para 1,4 crianças por mulher. E, nos dias de hoje, o mundo fica cada dia menor. Em 2017, quatro bilhões de pessoas já viajaram de avião”.

Considerando esses números, Galiza levantou quais são as 10 tendências para o mercado de seguros. “Uso cada vez maior do Big Data, em perfis individuais do consumidor, por exemplo. Centralização do negócio no consumidor, que está cada vez mais exigente, que é amplificado pelas redes sociais. Desenvolvimento de novos canais de distribuição, em complemento aos atuais. Aumento da influência da tecnologia em seguros na distribuição, em produtos. Utilização de aplicativos na gestão dos negócios. Temos o desafio dos comparadores de preços e afins. Maior preocupação com o serviço pós-venda. Evolução demográfica e seu efeito social, inclusive no mercado de seguros. Mudança climática e urbanização, e seus efeitos no setor de seguros. E, novas regras de solvência e os efeitos nas seguradoras”.

Para ele, o retrato do mercado brasileiro de seguros é o copo meio cheio e meio vazio. “Comparando 2015 com 2016, o ramo de automóvel caiu 2%. Perdeu da inflação, que ficou entre 4% e 5%, mas de qualquer maneira não teve caída nominal”.

Galiza enfatiza que, para 2017, o fator relevante a ser considerado é o DPVAT. “Esse é o principal fato de estatística, porque como houve mudança do faturamento de DPVAT no final de 2016 e por ser percentuais baixos, isso faz diferença”. Até agora, considerando os dados até maio, o crescimento ganhará da inflação em cerca de 3%. “Considerando esse crescimento é fato dizer que pode chegar a dois dígitos em 2017, tirando DPVAT, o que seria um fato excepcional”.

“Se compararmos com a realidade de quatro ou cinco anos, é claro que veremos um copo meio vazio. Mas se compararmos com outros segmentos, como a indústria automobilística, que teve queda de 25% entre 2015 e 2016, teremos um copo meio cheio, e que conseguiu caminhar até agora”, compara ele.

O resseguro e suas perspectivas

Paulo Botti

Em meio a história de como começou e desenvolveu o resseguro no Brasil e no mundo, Paulo Botti, presidente da Associação Nacional das Resseguradoras Locais (AN-RE), contou que atualmente o setor possui 16 resseguradoras locais de por volta de 60 grupos operando offshore. “Os players devem se aprimorar para oferecer ao mercado brasileiro de seguros as melhores técnicas internacionais. É claro que isso já ocorre, mas lentamente, o que acaba sendo um débito das resseguradoras com o mercado brasileiro”.

Botti explica que as grandes companhias de resseguros se formam com o objetivo de retenção de prêmios locais. “A globalização fez com que o resseguro tivesse centros em outros lugares, com polos de tributação livre, não para ser ressegurador da casa, mas para receber investimento, o que são duas características diferentes”.

Ele ressalta que, para alavancar o resseguro, algumas resseguradoras que hoje operam no país estão partindo para a internacionalização, com foco na América Latina. E mais, além das companhias locais, algumas estrangeiras operam em outros países a partir do Brasil. “É preciso facilitar essa internacionalização por meio da redução de tributos. Além disso, é preciso transferir os riscos de seguros para o mercado de capitais, ou ficamos assistindo o mercado de capitais entrar, em vez de tentarmos administrar a entrada nele”.

Paulo Botti finaliza dizendo que é possível concluir que o futuro do mercado brasileiro de resseguros é promissor. “Isso com aprimoramento técnico e regulatório, potencial de novos produtos e enorme potencial para internacionalização iniciando pela América Latina”.

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