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Lucro dos bancos avança com menos reserva para calote e mais receita com tarifa

Fonte Jornal Extra
Por Ana Paula Ribeiro

SÃO PAULO – Mesmo em meio à lenta retomada da economia e com as concessões e crédito ainda em marcha lenta, os bancos conseguiram aumentar os lucros no segundo trimestre. As quatro grandes instituições de varejo que já divulgaram seus resultados alcançaram entre abril e junho um lucro líquido contábil de R$ 14,423 bilhões, o que representa um crescimento de 7,1% na comparação com igual período do ano passado. Em comum, essa melhora no resultado veio, principalmente, da redução das despesas com devedores duvidosos (PDD) e das receitas com tarifas, que continuam crescendo.

O maior lucro foi registrado pelo Itaú Unibanco: R$ 6,014 bilhões, uma alta de 9%. Já em termos percentuais, o do Santander foi o que apresentou a maior alta: 50,4%, para R$ 1,879 bilhão. Já o Banco do Brasil lucrou R$ 2,619 bilhões entre abril e junho, uma alta de 6,2%. O único com queda foi o Bradesco, que está em processo de incorporação do HSBC, e viu o seu lucro contábil cair 5,4%, para R$ 3,911 bilhões.

Na avaliação de João Augusto Sales, analista da Lopes & Filho Associados, o que manteve forte os resultados dos grandes bancos foi a redução da PDD, que é uma reserva que o banco faz para lidar com eventuais calotes. A expectativa de crescimento da economia reduz, em tese, o risco da carteira de crédito. Nesse cenário, os bancos conseguiram reduzir essa despesa, em especial as provisões adicionais — a formação dessas provisões é feita com base em regras estipuladas pelo Banco Central, mas cada instituição pode fazer PDDs adicionais e, quando achar que é viável, reduzir esses montantes.

— O que observamos em todos os resultados foi a redução das despesas de PDD. Isso permitiu ampliar os lucros e manter o nível de rentabilidade das instituições. Além disso, a queda da Selic levou a uma redução dos spreads (diferença entre o custo de captação do banco e o que é cobrado dos clientes), mas isso ocorreu de forma marginal. Já a desaceleração das carteiras de crédito pesou contra — avaliou.

Os quatro bancos de varejo chegaram ao final de junho com um total de crédito de R$ 1,999 trilhão, um recuo de praticamente 1% na comparação com igual mês do ano passado. Com exceção do Santander, que não divulga projeções para sua carteira de crédito, todos estão esperando que, ao final de 2017, o total de empréstimos esteja menor do que no fechamento de 2016. A justificativa é que, em meio a um cenário de incertezas econômicas, não há demanda.

Com as receitas oriundas das operações de crédito em queda, os bancos tentam, e conseguem, ampliar os ganhos com mais tarifas e taxas cobradas dos clientes, que cresceram em todos os bancos . As chamada receitas com serviços incluem cobranças de sobre os pacotes de contas correntes, cartões de créditos, taxas de administração de consórcios e fundos e as comissões em assessorias financeiras.

O Santander foi o banco que registrou o maior aumento dessas receitas: 27,3%, para R$ 6,738 bilhões no trimestre. Nominalmente, o Itaú Unibanco é quem mais consegue recursos com essas cobranças. Entre abril e junho, foram R$ 8,027 bilhões, mas um crescimento de apenas 2,8%. No Bradesco, as receitas com serviços totalizaram R$ 7,496 bilhões, uma alta de 13,2%. Já o BB é o que possui a menor receita com tarifas: R$ 6,316 bilhões, uma alta de 7,3%.

Em um cenário de juros mais baixos, os bancos devem cada vez mais explorar os serviços a clientes para manter as suas margens em patamares elevados. A Selic passou de 14,25% ao ano em outubro do ano passado para 9,25% atualmente e a expectativa é que fique em torno de 7,5% até o final do ano.

Marcelo Labuto, vice-presidente de negócios de Varejo do BB, lembrou que as tarifas com serviços de conta corrente e captação de recursos (gestão de fundos) são as mais significativas para o setor bancário. No entanto, há um espaço de crescimento grande nas receitas com prêmios de seguros.

— A participação das receitas de serviços nos resultados deve crescer. No caso das receitas com seguros, há um espaço muito grande de expansão porque esse tipo de produto ainda tem uma baixa adesão no Brasil — avaliou.

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