Redação

Coface promove 5º Country Risk Conference

 

Tendências globais, da América Latina e para as eleições foram apresentadas no evento

Por Karin Fuchs

Na 5ª edição da Country Risk Conference da Coface, realizada em São Paulo, no dia 10 de abril, os palestrantes mostraram um cenário sobre a economia mundial, macro da América Latina e as tendências para a eleição presidencial nesse ano.

Marcele Lemos, CEO da Coface do Brasil (foto), abriu o encontro afirmando o quanto essa edição é especial. “Não apenas por fazer dois anos que não fazíamos a Country Risk Conference, mas também por que a Coface está comemorando 20 anos no Brasil”.

Na sequência, Bart Pattyn, presidente e CEO da Coface América Latina, falou sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China, os ciclos de crescimento mundial e o fim da era da globalização, impulsionado pelo protecionismo nos Estados Unidos, dando lugar à fase de regionalização.

“O ciclo de crescimento mundial está chegando ao fim, a América Latina continuará crescendo, mas chegará a um momento em que esse crescimento cruzará com o restante do mundo. Há uma possível guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o que indica o fim da fase de globalização e pode criar oportunidades para outros países, como os da América Latina”, expôs.

Para a América Latina, a previsão de crescimento é de 2,4% nesse ano, alavancado principalmente pelo Brasil e Chile, segundo Patrícia Krause, economista da Coface. “A previsão da Coface é que o PIB do Brasil cresça 2,5% nesse ano e 3%, em 2019, impulsionado pelo consumo e a renda. Porém, os investimentos no país continuam reprimidos, por causa do cenário eleitoral incerto”.

Sobre o risco do Brasil, ela comentou que a Coface melhorou a avaliação do Brasil, de C para B, no final de 2017. “Enquanto as agências rebaixaram o Brasil, nós melhoramos a avaliação, pois consideramos um cenário de curto prazo, a dinâmica do mercado de crédito e o histórico de pagamento”.

Lição de casa

Economista-chefe do banco Santander, Maurício Molan mostrou como funciona o desequilíbrio macro no Brasil e como uma mudança seria possível. “O Estado é controlado por grupos de interesse e o corporativismo se retroalimenta do ponto de vista dos valores. Há muita desconfiança, muita regulamentação e muita burocracia. Além do paternalismo, a ideia de que somente com a ajuda do estado se pode prosperar”.

Com base nos dados do Fórum Econômico Mundial, ele expôs a baixa competitividade do Brasil, em quesitos como tecnologia, eficiência de mercado, instituições, excesso de carga tributária e legislação. “O que vai contra a inovação e afeta os investimentos e o desenvolvimento de novas tecnologias”, acrescentou.

Para Molan, o país precisa ter uma liderança que tenha condições de fazer as mudanças necessárias e que convença a sociedade sobre a importância delas.
E sobretudo que as reformas, de maneira geral, não tenham apenas uma visão fiscalista, mas que sejam consideradas a eficiência dos setores público e privado e as carências do país.

“Em 2017, a dívida brasileira representou 74% do PIB e chegará a 76,7%, em 2019. A reforma da previdência é necessária, mas não será suficiente para reverter a questão fiscal. O desafio é como chegar ao equilíbrio fiscal sem comprometer gastos necessários, como por exemplo, com segurança”.

Eleições

Sociólogo e sócio-diretor da Brasilis, Alberto Carlos Almeida, comparou que o comportamento das eleições nas mais diversas partes do mundo segue o mesmo padrão. Como por exemplo, um partido é mais votado em determinada região do país de acordo com a renda da população local.

No caso do Brasil, quarto maior eleitorado do mundo a ir às urnas, ele ilustrou a forte presença dos partidos PT e PSDB nas eleições, tomando como exemplo os anos de 2006, 2010 e 2014. “A malha municipal de votos e a distribuição de votos foram semelhantes em cada eleição”. Influenciadas pela renda, escolaridade da população e fatores como saneamento básico e coleta de lixo.

“E no país, como alguns dizem, não acabou a diferença entre a esquerda e a direita. A direita no poder dá prioridade ao combate à corrupção. E a esquerda, à distribuição de renda, por exemplo. Nesse ano, com o escândalo de corrupção, o pior da história brasileira, será que os pobres do Nordeste votarão no PT? E será que a classe média de São Paulo votará no PSDB?”, questionou.

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