Redação

A percepção dos brasileiros sobre a previdência

 

Maioria acha que se aposentará antes dos 65 anos e dependerá muito da previdência social

Por Karin Fuchs

A pedido da Fenaprevi, o Instituto Ipsos realizou uma pesquisa sobre a percepção dos brasileiros com relação à previdência. O estudo contou com a participação de 1.200 entrevistados, de 72 municípios, com idades entre 16 e 60 anos, e abordou os temas reforma da previdência e a previdência privada.

As principais constatações da pesquisa são: para 43% dos entrevistados a reforma da previdência é necessária, 51% acreditam que o modelo atual de previdência do INSS é sustentável e que o maior problema do sistema está na corrupção, com 75% das menções.

Com relação à idade de aposentadoria, 51% disseram que esperam se aposentar antes dos 65 anos, com maior percentual de respostas para até 60 anos. E para 76%, se fossem se aposentar hoje, eles dependeriam muito da previdência social. Porém, 48% não souberam responder qual renda teriam da aposentadoria.

Para os entrevistados, no período da aposentadoria, gastos com saúde representariam a maior parte, 57% do total, sendo 32% com remédios e 28% com planos de saúde, seguido por segurança e educação dos filhos.

Questionados sobre a previdência privada, 38% responderam que estariam dispostos a poupar por mês para a aposentadoria complementar, por outro lado, apenas 18% responderam que ela seria necessária.

Análise

Na avaliação do presidente da Fenaprevi, Edson Franco, há uma grande discrepância nas respostas, o que mostra que ainda há uma grande falta de informação sobre o tema para a população. “Mais da metade da população acha que o modelo da previdência social é sustentável, isso mostra a falha de comunicação que existe”, afirmou, durante a apresentação do estudo à imprensa, no IX Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, ontem, 12 de junho, em São Paulo.

E também sobre a idade da aposentadoria, de até 65 anos, para 51% dos entrevistados. “Isso me chama a atenção. Há o desafio de mobilização sobre o tema da reforma da previdência. Estamos falando de um percentual de 48% que esperam se aposentar com 60 anos ou menos. Isso mostra uma resistência para a mudança que deve ser enfrentada com educação”.

Para o executivo, é mais do que urgente resolver a questão da sustentabilidade do sistema de previdência atual. “E não estamos falando somente de reservas futuras, mas da difícil solução para direitos adquiridos. O problema da previdência não está no déficit de um ano, mas na somatória das próximas décadas”.

E diretamente relacionado ao envelhecimento da população. “A insustentabilidade do INSS está na questão demográfica, por isso, é importante uma reforma paramétrica. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) já está propondo aposentadoria por idade mínima de 67 anos”.

Com relação a 76% dos entrevistados responderem que dependeriam muito da aposentadoria do governo, se fossem se aposentar hoje, Franco disse que há uma coerência. “Isso não é surpreendente, pois a taxa de substituição da previdência é uma das mais altas do mundo, de quase 100% do que se recebia na ativa. Depender da aposentadoria pública é consistente nesse contexto, a questão é se ela é ou não sustentável e isso irá mudar”.

No modelo atual, se não houver mudanças, Edson Franco comentou que 60% dos gastos públicos serão para pagar a previdência, em menos de 10 anos. Atualmente esse percentual é em torno de 45%. “Vários estudos mostram a escalada de comprometimento dos orçamentos dos gastos federais com a previdência social, se nada for feito”.

Previdência privada

Outra discrepância nas respostas, na opinião de Franco, foi 38% dos entrevistados responderem que estão dispostos a fazer uma poupança futura, porém, apenas 18% acharam que isso é importante, e 55% não souberam responder o quanto estariam dispostas a poupar para o futuro.

“Tudo isso mostra que as pessoas não veem a insustentabilidade do sistema. Porém, mesmo sem informação, nota-se que intuitivamente as pessoas percebem que é melhor ter uma previdência privada para o futuro. O nosso trabalho é mostrar para as pessoas que poupar para o futuro é importante, é preciso dar acesso e democratização aos planos privados”.

E isso passa por um processo de inovação em produtos e na distribuição. “O principal canal de distribuição são as agências bancárias, e 40% da população não é bancarizada. É preciso desenvolver outros canais de distribuição, com o corretor e a criação de agentes especializados na venda do produto”.

Segundo ele, o caminho são os produtos de acumulação que caracterizem proteção, como o seguro funeral, produtos de menor renda combinados com produtos de seguro inclusivos e o Previsaúde, que possibilita cobrir despesas com planos de saúde na aposentadoria. “Tudo isso pode ajudar as pessoas a entenderem a importância de uma poupança logo cedo”.

LEIA TAMBÉM:

Caminhos para o sistema previdenciário do Brasil: https://bit.ly/2KqHYpV

 

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