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Como a tecnologia está a transformar o setor dos seguros

 

Fonte ECO Economia Online
Por Bárbara Barroso

A inovação tecnológica está a mudar aquele que é visto como um setor tradicionalmente conservador. Com a adoção das novas tecnologias saem a ganhar os consumidores e as companhias de seguros.

Cloud Computing, Blockchain, Internet of Things (IoT), Data Analytics, Telemática e Inteligência Artificial. Estas são apenas algumas das tecnologias de que mais se fala atualmente, e que também se preparam para revolucionar um setor tradicionalmente conservador: o dos seguros.

Os especialistas da área não têm dúvidas de que, com a alteração no padrão de consumo, o cliente passou a procurar informar-se cada vez melhor sobre um produto antes da compra, seja através da internet ou das redes sociais, sendo influenciado pela informação disponível online e pelas experiências de outros consumidores. A digitalização dos processos está cada vez mais patente, assim como a quantidade de dados que as empresas necessitam de analisar hoje em dia é cada vez mais elevada. Desta forma, recorrer a tecnologia é o único caminho possível para as companhias que desejam, não só inovar nos seus produtos — e criar uma relação de proximidade com o cliente — como também tornar a sua gestão mais eficaz.

“A tecnologia e a proliferação de informação criam a oportunidade para definir ofertas mais personalizadas, com preço dinâmico, incorporando serviços complementares. O setor, em Portugal, começa a traçar e a executar o seu caminho de transformação para uma maior eficiência, mas sobretudo para melhorar a experiência dos seus clientes”, explicou Cristina Gamito, Partner Insurance Leader da Deloitte Portugal, em declarações ao ECO.

Para Nuno Oliveira Matos, Actuarial Services Senior Manager da PwC, a introdução das tecnologias nos seguros “pode proporcionar a determinação e tarifação do risco de forma mais correta (através, por exemplo, do uso de sensores, nos ramos automóvel e de saúde), prevenir e detetar fraudes mais eficazmente e, não menos importante, prestar um serviço de aconselhamento aos clientes, prevenindo sinistros em vez de os regularizar”.

Já Rogério Campos Henriques, vice-presidente da comissão executiva da Fidelidade, dá um exemplo de como as ferramentas de advanced analytics poderão ajudar o negócio segurador: “Tradicionalmente, é com base na análise de padrões estatísticos históricos que podemos dizer que um condutor de 27 anos, em Portalegre e que guia uma pick up deve ter um preço para o seu seguro automóvel de X. Atualmente e, ainda mais no futuro, vamos poder avaliar o risco, não apenas com base em padrões estatísticos passados, mas em dados reais e personalizados, utilizando ferramentas da Internet of Things (IoT), avaliando a forma como este condutor efetivamente conduz. Percebendo de forma muito mais fina e online que tipo de risco este cliente representa poderemos atuar sobre isso, não só em termos de preço, mas também induzindo comportamentos mais seguros, dando-lhe feedback em tempo oportuno”.

Impacto nos consumidores

Para Cristina Gamito, assiste-se “à transformação de um setor tradicionalmente reativo – em que a comunicação e os momentos da verdade se restringiam à compra do seguro, à participação de sinistros e pagamentos nas renovações – para um setor proativo que procura acompanhar o cliente, que oferece serviços complementares, evoluindo do tradicional foco na resolução do sinistro para a prevenção tornando-se assim mais relevante para os seus clientes”. Por essa razão, a partner, Insurance Leader da Deloitte Portugal, não tem dúvidas de que haverá um impacto positivo no consumidor, devendo as melhorias serem sentidas “sobretudo na maior simplicidade e transparência na relação entre segurado e seguradora”.

Até agora, o grande foco dos consumidores no que diz respeito aos seguros tem estado, quase sempre, centrado no preço.

“Os seguros tradicionais com as suas coberturas standard são, cada vez mais, commodities. Neste cenário, as decisões de compra são essencialmente impulsionadas pelo fator preço, já que muitos clientes não percecionam valor, explicou Nuno Oliveira Matos. Para o Actuarial Services Senior Manager da PwC, “os clientes querem que as companhias lhes ofereçam simplicidade e facilidade de acesso, condições a que se acostumaram em outros setores de atividade”. Daí que o especialista da PwC não tenha dúvidas de que o sucesso das companhias estará na customização, em vez de num perfil de “seguros commodity”. E explica: “Se os consumidores percecionarem valor, o preço será apenas mais um driver a considerar, para além de outros ponderadores. O futuro passará por clausulados de apólices adaptadas às necessidades específicas dos consumidores, dispostos a pagar por aquilo que realmente lhes interessa”. E é também neste ponto que a tecnologia pode ajudar.

Apesar dos desafios que a análise de dados e adaptação às tecnologias que o setor segurador enfrenta, este é um caminho que contribuirá para serem “mais rápidos e mais personalizados, procurando exceder as suas expectativas”, adiantou Rogério Campos Henriques. “Se conseguirmos avaliar melhor o risco, poderemos ter práticas de pricing mais justas, mas também mais sustentáveis”, concluiu o vice-presidente da comissão executiva da Fidelidade.

Questionados sobre se as seguradoras portuguesas estão a lidar bem com as mudanças, os especialistas contactados pelo ECO afirmam que sim, embora reconheçam que ainda há um longo caminho a fazer. E quem ficar para trás, certamente perderá o comboio das oportunidades.

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