Redação

Executivo da Porto Seguro comenta sobre resultados da cia. e importância dos corretores de seguros

 

E sobre a redução de risco que tem alterado o resultado de algumas carteiras

Por Karin Fuchs

Foto ©fernando martinho

A Porto Seguro encerrou 2018 com um lucro líquido 34% superior ao ano anterior, chegando a R$ 1,3 bilhão, e com um crescimento de 5% no volume de prêmios emitidos. No ramo Automóvel, a expansão foi de 4%; no Saúde, 19%, principalmente impulsionado pelo PME; em seguros Patrimoniais, alta de 4% e crescimento de 2% nos prêmios emitidos de seguro de Vida.

Diretor Geral de Seguros e Investimentos da Porto Seguro, Marcelo Picanço (foto) comenta sobre os principais resultados e ações da companhia, destaca a importância do corretor como fomentador de uma sociedade mais protegida, a redução do risco da carteira de automóvel e os impactos com a queda da taxa de juro, a Selic.

A começar pelo ramo Automóvel, com uma frota segurada de 5,5 milhões de veículos, sendo 180 mil veículos acrescidos somente no quarto trimestre de 2018, Picanço diz que dois fatores podem ser atribuídos ao aumento do volume de prêmios de 5% no ano. “O ajuste de preço que fizemos e um trabalho de otimização das carteiras de automóvel para que elas trabalhassem de maneira mais integradas, não independentes, o que nos ajudou bastante”.

Apesar do crescimento baixo no histórico da companhia, o executivo diz que vale lembrar que o país vivenciou a maior crise econômica, depois de muitos anos. “2018 foi o ano da virada para o seguro automóvel. Houve redução de preço e nós tivemos ganho recorde dos índices de despesas administrativas e operacionais, de 2,2 pontos percentuais, o que resultou em ganho de produtividade, nos resultados e na redução de custos”.

Frota envelhecida

De acordo com o executivo, para atender uma frota mais envelhecida, a Porto Seguro tem lançado alguns produtos. “Quando o carro ficava mais antigo, o mercado aumentava o valor do prêmio e isso é ruim. Nós estamos seguindo o modelo de segmentação”. Exemplo disso foi o lançamento, para alguns segmentos, de seguros para veículos com mais de dez anos de uso, um produto da Azul. “O que podemos chamar de seguros para veículos de avançada ou que estão na terceira idade”, brinca.

Segundo ele, é um produto saudável e rentável. “Acreditamos que é preciso entender os perfis, por isso, trabalhamos com três marcas (Porto Seguro, Azul Seguros e Itaú Seguros de Auto). O que não significa que sejam três operações, mas formas de atender a públicos diferentes. Além disso, este é um mercado muito grande, ainda, 70% dos veículos não estão segurados no país; uma grande oportunidade para crescermos por muitos anos no mercado”.

Novos segurados

E principalmente com foco em novos entrantes. “Para isto, acreditamos que alguns mitos precisam ser derrubados, um deles é que quem não faz seguro é porque não tem dinheiro. Quando estudamos os perfis, vários deles têm condições financeiras, mas não priorizam a prevenção do risco. Acho que não é uma questão de cultura, mas de falta de informação e acesso. Nós e a indústria de seguros temos este papel a cumprir”.

Risco reduzido

No último trimestre de 2018, o ritmo de crescimento da carteira de automóvel da companhia diminuiu um pouco. Para o executivo isto é saudável, pois esta redução tem a ver com a queda do risco. “Principalmente no segundo semestre do ano, houve uma redução sequente de furto e roubo e até de acidentes. Com isto, o seguro pode ficar mais barato”.

Questionado se um dos motivos pode ser pelas pessoas estarem buscando meios alternativos de transporte, a exemplo do Uber, ele diz que há uma hipótese que isto tenha influenciado, e parte também ele atribui a um melhor desempenho da economia que, ainda pequena, diminuiu a violência. “Estamos muito otimistas que isto irá continuar, a economia vai crescer e com novas políticas haverá redução da taxa de desemprego e redução do risco”.

Pode ser antagônico para uma companhia de seguro, uma vez que à medida que o risco diminui, o preço do seguro é reduzido e, consequentemente, o seu crescimento. “É um desafio a mais para buscarmos novos itens e crescermos em 2019. Mas como seguradora, não podemos reclamar da redução de risco, isto é saudável, a sociedade fica menos violenta”.

Ele avalia que o preço do seguro tende a cair, porém, só não cairá mais pela elevação de preço que houve com a queda da taxa de juro. “O juro e o preço do seguro têm que ser olhados de formas integradas, pois à medida que eu ganho mais no mercado financeiro, eu consigo dar um desconto para o cliente”.

Uma relação para que se tenha uma rentabilidade atrativa. “E nós colocamos uma rentabilidade muito atrativa por muitos anos”. Neste ano, a companhia recorreu ao pagamento recorrente de proventos, distribuições extraordinárias de dividendos no valor de R$ 800 milhões, buscando assim o aumento de eficiência no uso do capital. Assim, o total de dividendos distribuídos em 2018 atingirá R$ 1,4 bilhão. “Maior até que o resultado da companhia”, compara.

Outros ramos

Marcelo Picanço conta que a expansão no segmento seguro saúde tem surpreendido. “Por muitos anos, nós tínhamos dificuldades de crescermos nesta carteira, com muita compressão de resultado. Este resultado continua desafiador, o mercado já está melhorando, e tivemos um crescimento de 19% por ter começado a atuar no segmento de empresas menores (PMEs)”.

Ele compara que para as PMEs é diferente o nível de precificação e que a negociação é mais racional do que junto às grandes empresas. “Exatamente em função da forma como o mercado faz para precificar e concorrer, e a competição de preço é maior nas contas maiores”.

Ele também fala sobre as carteiras de seguro de vida e de seguro residencial. “Nos últimos três ou quatro anos, nós crescemos bastante nestas duas carteiras. Acreditamos muito nos seguros para pessoas físicas, na proteção de famílias, que é muito o nosso negócio. Acreditamos no potencial destes dois produtos (vida e residencial), até porque a penetração deles é de 10% a 15%. Poucas pessoas têm o seguro de residência e muito poucos têm seguro de vida”.

Corretor de seguros, sempre

Segundo o executivo, hoje praticamente 95% da produção da companhia é feita pelos corretores de seguros, chegando a 100% em algumas carteiras. “O corretor é o principal canal de distribuição de tudo o que fazemos. E pela capilaridade que tem, ele consegue chegar a qualquer segmento da sociedade. Por sermos uma sociedade subprotegida, nós vamos precisar muito dos corretores com a sua consultoria e no fechamento da venda”.

Para finalizar, ele diz que o grande desafio é expandir o mercado. “Para isso, nós precisaremos ter profissionais como os corretores de seguros, não apenas trazendo negócios de clientes que já estão no mercado, mas dos que ainda não estão. Para nós da Porto Seguro é mais importante expandirmos mercado e o país tem um grande potencial de crescimento no mercado de seguros”.

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