Redação

CVG-SP debate o seguro do trabalhador do futuro

 

Workshop contou com a presença de executivos e corretores do mercado de seguros

Por Tany Souza

Na manhã desta terça, 25, o CVG-SP realizou o workshop “O seguro do trabalhador do futuro e as convenções coletivas”, no auditório do SindSeg-SP, com a presença de executivos de seguradoras e corretores de seguros.

Fabiana Resende

Fabiana Resende, diretora executiva do Pasi, começou dando um cenário das convenções coletivas e dos sindicatos brasileiros que, segundo ela, já soma 17,2 mil sindicatos. “No Brasil esse movimento chegou com os imigrantes europeus. E em 1943, foi oficializada a existência de sindicatos e instituído o imposto sindical. O que tornou um bom negócio. Porém, em 2017 acabou a obrigação de contribuição pelo trabalhador, o que reduziu em 90% essa arrecadação, que chegou a somar R$ 3,6 bilhões”.

E a partir deste momento, os sindicatos criaram outros recursos para sobreviver, segundo ela, como a criação de eventos, cursos, cartões de benefícios, previdência, seguros. “Mas eles precisam de receita fixa e o mercado de previdência é uma ótima oportunidade para isso. Já existiam algumas iniciativas antes de 2017 que trazia receita, mas agora isso cresce rapidamente”.

Muitos sindicatos acabaram de maneira rápida. O que trouxe grande oportunidade para o mercado segurador, mas também alguns problemas. “O mercado ficou monopolizado, trouxe obrigação de contratação de produtos não regulamentados. E isso é muito sério, pois está havendo substituição de alguns produtos por soluções e que não fazem o que os seguros faria”, comentou ela.

Outro problema citado por ela é que surgiram modelos de seguros piratas, pois não apresenta o benefício como seguros. “Eles não se colocam como seguros, não são veiculados pela Susep, ANS, mudam o nome das coberturas, criam um pacote cheio de atrativos. Mas não sabemos quem está por traz. E isso se torna obrigatório, a partir do momento que se insere na convenção coletiva”.

Para ela, a solução está na união do mercado como um todo, porque essas ações afligem a todos os players do setor. “Nós precisamos nos unir, pois isso afeta a todos nós no mercado de PME, benefícios. As empresas pequenas não têm verba para investir no mercado regulamentado e são direcionadas para esses serviços fora do mercado. Por isso, precisamos sim debater, colaborar”.

Fabiana ressalta que é preciso enfatizar os benefícios do mercado de seguros, sua origem e sua importância para o país. “Outro ponto que pode ser um diferencial é que a indústria de seguros nasceu antes do sindicato. Além disso, o mercado de seguros ajuda na economia e com produtos diferenciados podemos gerar valor para o corretor, empresas e segurados”.

Para ela, em um futuro próximo o mercado de trabalho será diferente e o setor terá que acompanhar essa evolução. “Entendemos que novas relações de trabalho irão surgir, com novos vínculos. Temos que começar a observar o que está acontecendo, olhando para as novas profissões, com a parametrização do desempenho pessoal. E, além disso, podemos observar como estão crescendo pessoa jurídica. E como será o seguro deste profissional no futuro? Porque as pessoas já estão em múltiplos trabalhos e atividades. Acredito que no futuro precisamos ir além, personalizando o seguro, que é a tendência do mercado segurador”.

Ela ainda destaca que hoje a credibilidade, transparência e entrega são fundamentais. “Atualmente é fácil as pessoas reclamarem nas mídias sociais, tudo é exposto. E a credibilidade é algo que gera muito valor no consumidor. Um mercado de seguros do futuro requer soluções, mas muito mais que isso, ele deve ter credibilidade”.

Cristina Vieira, responsável pela gerência de produtos de Vida e Previdência da Porto Seguro, diz que viu a criação e ascensão da convenção coletiva e que essa é uma oportunidade para o seguros. “O segmento de convenções coletivas pode nos ajudar a crescer em seguros. Temos muitas oportunidades e desafios para trabalhar especialmente juntos aos órgãos reguladores, mas precisamos levar propostas prontas para serem estudadas e apresentadas ao mercado”.

A responsável pela área de produtos e operações do seguro de pessoas da Tokio Marine, Nancy Rodrigues, concorda que as convenções são importantes para o mercado de seguros de vida. “Temos um espaço muito grande para crescer, embora exista a obrigatoriedade das empresas, mas que também ampara o empregado e limita a atuação do empregador. A oportunidade é para o mercado segurador, porque cada companhia pode avaliar o que mais se adéqua ao seu perfil e para o corretor de seguros também, já que pode oferecer produtos já prontos. É desta forma que mostraremos a força do mercado”.

Mesmo que o brasileiro não tenha o perfil de consumir o seguro de vida, segundo o gerente de subscrição e precificação vida e dental da MetLife, Thiago Alberti, ele pondera que esse ramo já passou o seguro de automóvel. “No momento que ele começa a ter o benefício, entende a importância deste seguro, mesmo pela via da convenção coletiva, colocado como seguro, de forma errada. Então esse é o desafio que temos”. E ainda completa: “Acredito que o mercado segurador é muito antigo e ficamos muito tempo sem nos mexer e começamos a entender a evolução tecnológica em pouco tempo. Essas empresas acharam esse gap e começaram a atuar. Mas o nosso principal desafio, é trabalhar com as novas formas de trabalho”.

As novas formas de trabalho

Thiago, Nancy, Silas, Fabiana e Cristina

Cristina lembra que há uma nova movimentação da Susep para regulariza as insurtechs. “Não sabemos como será o futuro, mas sabemos que será bem diferente do que é hoje, o que nos levará a pensar na forma de apresentar os produtos e analisar os riscos de forma diferente. Precisaremos de um grupo de pessoas para estudar como mudar, mas ao mesmo tempo, como proteger o mercado, para que o consumidor receba o que ele comprou”.

Gustavo Toledo, diretor de relações com o mercado do CVG-SP, indagou se há alguma iniciativa das companhias em relação a isso. E Thiago respondeu qual é a realidade da MetLife. “Nós temos em Nova Iorque um departamento sobre tecnologia e informação, que levanta análises, levando em consideração o perfil do cliente, considerando os momentos que a segurança deve ser aumentada, com alguns benefícios e flexibilidade”.

Nancy, da Tokio Marine, disse que entende que o mercado precisa fomentar mais o seguro individual. “As pessoas deveriam se preocupar mais com a sua proteção individual e vejo que o mercado está se desenvolvendo em relação a isso. Entendo que deve ter um incentivo maior em relação a esse tipo de contratação. O próprio Universal Life, que estamos na expectativa de regulamentação, para que nosso mercado tenha esse crescimento”.

Sobre o Pasi, Fabiana contou que a companhia criou algo para essa demanda, pois há empresas com necessidades além daquelas que a convenção coletiva oferece. “Há empresas que querem ir além da convenção, pois é um complemento, onde conseguimos compor alguns produtos. Mas ainda é limitado, porque há muito ainda que pode ser feito para flexibilizar esses produtos. Falta muito a questão de educar o consumidor, para que ele entenda a necessidade de ter algum adicional, que parte para o individual”.

Cristina, da Porto Seguro complementou ao afirmar que há espaço tanto para o mercado de seguros coletivos, como para o individual. “Isso se houver uma venda mais construtiva. O mercado do futuro terá uma profissão intermitente e precisará de um mecanismo de proteção para sua saúde”.

O mercado paralelo

Gustavo levantou um assunto polêmico ao citar sobre o impacto do mercado paralelo e como as companhias estão sinalizando para o órgão regulador. Nancy disse que a companhia sentiu muito, “principalmente com os corretores que estão na ponta, envolvidos com os sindicatos, a queda foi traumática”.

Na MetLife, Thiago houve impacto também, principalmente porque as empresas envolvidas com as convenções coletivas e, consequentemente, com seguros piratas. “Muitas vezes os seguros altos impactaram muita a empresa. Tivemos muitos clientes cancelando, porque eram obrigados a contratar com os piratas”. Cristina completou ao afirmar que a Porto também sentiu essa influencia. “A verba da pequena empresa era limitada e essas empresas sentiram também”.

Fabiana disse que Pasi sentiu mais no âmbito dos parceiros. “A PME não tem um compor jurídico para brigar e, financeiramente, não é bom para ela continuar com essa parceria. O que precisamos é o mercado levar para os órgãos, para que esse problema seja visto de forma diferente”.

Para Silas Kasahaya, presidente do CVG-SP, esse produto ajudou a massificar o seguro de vida. “Mas de fato estamos em um momento diferente e precisamos defender o nosso mercado”.

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