Redação

Brasil será responsável por 41% da produção de alimentos do mundo

 

E o seguro é a alavanca para esse crescimento

Por Tany Souza

Segundo o ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, o principal foco do país deve ser a segurança alimentar. Isso porque, de acordo com estudo realizado pela ONU, até 2050 o mundo terá que aumentar 60% a sua produção e esse é um grande desafio.

“O USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – fez uma projeção da produção de alimentos, onde o mundo deve crescer 20% em 10 anos. Mas para que isso aconteça, o Brasil deve crescer 41%”, comentou o ministro durante o evento Expertise Agro, realizado pela Tokio Marine.

Para Rodrigues, essa é uma missão dada ao país de fora para dentro, o que faz o mundo voltar os olhos para o mercado agrícola brasileiro. “E isso acontece por três razões, primeiro pela nossa tecnologia tropical, depois porque temos terra disponível e recursos humanos qualificados”.

Temos saldo comercial positivo e crescente, de acordo com o ex-ministro, ou seja, o agronegócio salva o Brasil e a reserva cambial. “O saldo do ano de 2018 foi de 90 milhões de dólares. E ainda o que o mundo quer comprar a nossa proteína e energia, o que temos em todo o território nacional e o mundo não tem”.

Ele afirma que é possível que o país seja o campeão mundial da paz, pois ele pode crescer mais de 40% por ano. “Mas isso depende de uma estratégia, que é fazer um plano de estado até 2030, e não um plano de governo. Considero o seguro rural a pedra de toque da agricultura brasileira e agora acredito que teremos um enfoque maior por ter Tereza Cristina como ministra e engenheira agrônoma”.

Para ele, o seguro estabiliza a renda do produtor rural, protege a agricultura e garante o abastecimento. “Esse conceito é que o seguro rural precisa desenvolver, pois o seguro é de longe o melhor instrumento de política agrícola. O seguro é a alavanca para que o Brasil tenha a produtividade esperada em 10 anos”.

O mercado e a subvenção federal

Para isso, a proposta é eliminar a subvenção para os grandes produtores em até cinco anos e levar esse recurso para o seguro rural, o que trará barateamento do seguro e, portanto, mais pessoas poderão acessá-lo.

O mercado agro tem grande representatividade no PIB do Brasil e por isso é um setor que merece atenção das companhias, segundo o diretor executivo comercial da Tokio Marine, Valmir Rodrigues. O presidente da companhia, José Adalberto Ferrara, conta que a Tokio Marine emitiu até maio deste ano R$ 5,3 bilhões de prêmios, mas até junho a previsão já é R$ 5,4 bilhões. “Em rural, a maior parte está em riscos de equipamentos rurais e agrícola. Só em junho já fizemos R$ 10 milhões em prêmios e o processo do subsídio agrícola é algo que tem ajudado”.

Para Felipe Smith, responsável pela área de pessoa jurídica, o produto agro é importante para a companhia. “Em 2018, 21% do PIB vem do agronegócio. Em agro já tínhamos equipamento e agora safra e em futuro entraremos em todos os produtos de agro. Ainda não operamos em pecuária, mas estamos estudando”.

Em 2006, o país possuía 1,5 milhão de hectares segurados, em 20 culturas. Em 2018, 12 milhões de hectares, com 70 culturas. “No ano passado, tivemos R$ 370 milhões de subsídio e neste ano a estimativa e de R$ 1 bilhão. É um item importante para o produtor continuar investindo e produzindo”.

No Brasil, estima-se que somente 10% da área agrícola possível de ser segurada possui seguro. “Isso reforça o potencial do mercado. A concentração ainda é no sul do país, mas no país todo há regiões com grande potencial”. Felipe Smith completa que o objetivo é estar entre as quatro maiores no segmento em três anos.

O produto e a corretagem do seguro agro

Joaquim Neto, gerente de produtos agro da Tokio Marine, explicou que há possibilidade do corretor selecionar as coberturas, fazendo pacote específico para cada um dos clientes. “Há também uma condição de sistema fácil e ágil, com três produtos”.

A companhia também ampliou as culturas para todos os grãos, garantindo mais de 70 culturas. “Essa expansão nós tínhamos em quatro estados em 2018, agora estamos presentes em 12, com 3690 apólices. Além disso, temos área de gerenciamento e riscos, com informações de geadas na plantação de trigo, por exemplo, e verificamos onde estão nossas apólices. Estamos atentos a esse acompanhamento dos riscos para pulverizar e gerenciar”.

O gerente de produtos agro contou que o diferencial do produto é permitir a divisão por propriedade, por talhão. Além disso, Neto conta que a seguradora fez uma inovação ousada, que é verificar a produção do agricultor. “Entendemos que o número do IBGE não atendia nossas necessidades. E agora também temos a facilidade para enviar documentos e apólices entre 2 e 3 dias. Ampliamos também o parcelamento e antecipamos o pagamento da corretagem de seguros”.

Para o corretor de seguros Edmilson Silva do Carmo, da Esseg Corretora de Seguros, que atua na região de Rio Verde, Goiás, mesmo o agricultor tendo assessoria no momento da contratação, ainda há desafios.

“O mercado externo ainda está complicado e atrapalhou a comercialização da safra. Há ainda, claro, o risco climático para soja, que pode sofrer perdas parciais e comprometer o lucro pelo segundo ano consecutivo”.

Já os desafios para o corretor, segundo ele, é disseminar a cultura do seguro agro. “Quando entramos em seguro agro há quatro anos, o produtor já possuía informações, mas não produtos adequados. Hoje ele tem coberturas mais próximas daquilo que precisa, com talionamento, por exemplo, mas ainda é submisso à área financeira. Mesmo assim, já consegue negociar com os corretores e agentes financeiros”.

Outra preocupação levantada por ele é a entrada de outros corretores que não são especialistas no assunto, que também têm responsabilidade na distribuição do produto. “E não é somente ter o conhecimento do produto, mas também do agro, dos ciclos da lavoura, que influenciam a cobertura a ser contratada. O corretor precisa entender de muitos detalhes para não fazer a proposta errada para o segurado”.

Sobre a subvenção, ele acredita que virá R$ 1 bilhão. “Eu participei de alguns eventos com políticos e especialistas, e acredito que será sim esse valor. E precisamos, porque nossa demanda é na verdade de R$ 3 a R$ 4 bilhões para fazermos o mercado acontecer”.

O corretor Antonio Carlos Cuenca, do Grupo Rossetto Seguros, de Londrina, Paraná, concorda que haverá aumento na subvenção. “Pela credibilidade da nova ministra, eu acredito que teremos esse aumento da subvenção e, desta forma, o seguro agrícola apresentará um crescimento substancial”.

Segundo ele, mesmo o mercado ainda muito reticente, por conta da economia brasileira, é um segmento que está em pleno crescimento. “Mas o desafio do agricultor é entender a importância do seguro para o negócio dele. Hoje há alguns com atuação ainda muito amadora e outros que já entendem que o seguro beneficia o seu ganho”.

Leia também: 

Ex-ministro da agricultura defende fim da subvenção para grandes produtores; ação pode baratear prêmio do seguro: https://bit.ly/2Y5xLqN

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