Redação

Tendências no mercado de seguros com a transformação digital são destaque de evento do Sincor-SP

 

Seguros por tempo de uso ou por assinatura são algumas novidades

Por Tany Souza

Durante o evento Agenda Digital – Tecnologia no Universo do Seguro, realizado pelo Sincor-SP, que aconteceu ontem, 30, em São Paulo, especialistas e executivos de insurtechs mostraram algumas tendências do mercado de seguros com a transformação digital.

José Prado, CEO da Insurtech Brasil, mostrou alguns exemplos. “Como o uso da inteligência artificial, para indicar em como vender. O pay per use, que é o pagamento pelo uso, ou seja, pra que pagar seguros se não está usando o carro? Outra tendência é ligar o seguro na hora do uso. É o caminho certo? Não sei, mas somente o futuro dirá”.

Ele ainda destacou outras tendências como o assistente virtual, pagamento por assinatura e o pagamento invisível do seguro. “Há um aplicativo que ao se alugar uma casa já se coloca um seguro fiança junto, por exemplo. O seguro por assinatura é uma tendência muito boa, com um pagamento mensal, que é mais fácil de usar cartão de crédito”.

No evento, alguns cases ganharam destaque. A Planetum, por exemplo, focada na experiência do cliente, que realiza vistoria prévia. “O cliente tinha duas opções, levar o carro até o posto ou esperar alguém ir à sua casa. Pensando nisso, em 2017, o próprio cliente poderia tirar as fotos do veículo e enviar para a seguradora. Mas arrumamos outro problema, pois 30% das fotos dos clientes eram descartadas, pela falta de assertividade. Em 2018, iniciamos um novo processo, ao colocar o Tonico, uma personagem que é uma inteligência artificial e que faz o direcionamento automático para o cliente tirar as fotos. Hoje em automóvel, mas já estamos trabalhando em previdência e residencial”, comenta Henrique Mazieiro, CEO da Planetum.

Além disso, segundo o executivo, o app indica se o carro está ligado ou desligado, se o objeto fotografado é um carro mesmo e consegue verificar se tem a foto de todos os lados. “O processo hoje leva entre 10 e 15 minutos. É algo que parece simples, mas que muda muito o processo no dia a dia e que vem ao encontro de outros processos atuais. Hoje temos 80% de efetividade, 96% de índice de satisfação e reduzimos 56% de retrabalho. Em seis horas a seguradora já tem as fotos em mãos”. Para ele, “soluções agregarão experiência ao cliente, que deverão ser acompanhados pelo corretor”.

Já a Kakau Seguros focou em trazer soluções que interagissem com seguradora, insurtechs e corretores de seguros, dentro da inteligência artificial, focando em machine learn. “Nosso foco é resolver a vida do usuário em um clique”, comentou Henrique Volpi, CEO da Kakau.

Para ele, a oportunidade para o corretor de seguros é desenvolver algo diferente para o seu cliente, pois a evolução começa na redução de custo de tecnologia. “Então investir em tecnologia já não é um bloqueio.

Eu indico que o profissional faça parcerias com parceiros de tecnologias, como fintechs e insurtechs, pois eu vejo que há muita oportunidade para colocar os seguros embarcados em outros produtos”.

Daniel Hatkoff, CEO da Pitzi, contou que no início da companhia a ideia era entrar no mercado de celular, mas no Brasil somente 4% tem seguro de celular e no Japão são quase 90%. “E quando alguém tem problema com o celular é importante que o conserto seja rápido”. E foi pensando nisso que foi investido R$ 70 milhões, para que o mercado seja transformado e chegue ao mesmo patamar que o Japão.

Segundo ele, um dos desafios para que isso aconteça é que o mercado não permite que esse seguro avance. “As seguradoras têm medo de fraude, porque quem tem celular usado pode já ter tido problema com o aparelho, aumentando a sinistralidade. Por isso, hoje em dia, esse produto é vendido em varejo, para celulares novos”.

Para Hatkoff, uma das soluções é usar a tecnologia de insurtech para vender junto com outros seguros. “O app é muito simples, onde o cliente consegue fazer uma vistoria remota, e assim é possível analisar dentro do celular o que está acontecendo. É uma inovação simples, abrindo a possibilidade de clientes que podem contratar esse tipo de seguro”.

Outro desafio apontado por ele é a expansão. “Temos que saber quais produtos oferecer, para quais canais e quais clientes. O app possibilita um grande mercado, pois há mais clientes tendo a necessidade de ter seguro de celular”. E essa também é uma oportunidade para o corretor de seguros, “pois se tiverem contato com cliente com alguma necessidade específica, não encontrada no mercado, as insurtechs podem estruturar rapidamente”.

Desafios e oportunidades para o corretor de seguros

Sérgio Furio, CEO da Creditas, falou sobre o caminho inevitável das transformações, o que está por vir.

“Embora o mundo mude, isso não quer dizer que seja fácil ter novos entrantes. Acreditamos que o Brasil viverá um grande momento de inovação. Passaremos de um Brasil em desenvolvimento, para um país evoluído”.

Porém, segundo ele, o mundo offline não irá desaparecer. “O mundo é os dois, offline e online, mas agora se trata de estar onde o cliente está. Na Creditas, 30% dos nossos contatos vêem do offline e é um grande desafio criar uma experiência boa no online”.

Antigamente, o banco era o centro da relação, hoje o cliente é o centro do relacionamento e não será somente para fazer crédito. “Portanto, acreditamos que entramos em um mundo que precisa reinventar o contato com o cliente. Todos nós somos nativos digitais, que buscam solução inteira, completa. Essa junção de diferentes verticais para novas soluções será o mundo do futuro. Ter um site não é ser digital, mas é preciso interagir com o digital”.

O presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, exaltou a realização do evento focado na transformação digital do corretor de seguro. “Eu e o comitê de inovação estamos contendo a alegria pela assertividade deste evento. O mundo está em plena transformação e nós somos os agentes desta transformação. E essa transformação gigante e veloz é repleta de incertezas, temos que ter a lucidez de saber qual o nosso papel”.

Ele diz que o Sincor-SP tem duas grandes missões. “A primeira é conduzir o corretor de seguros para a adaptação a essa transformação, àquilo que o cliente deseja, à necessária adaptação. Isso não é opção, é o mundo que é. E cabe a nós gerar todos os ambientes possíveis para isso. E por mais paradoxal, esse corretor poderá, ao final desta jornada, não sentir a necessidade de estar debaixo de um guarda-chuva como o Sincor-SP, pois o corretor se sentindo autônomo pode olhar e pensar se há a necessidade fazer parte de um sindicato. Por isso, temos que promover essa transformação na entidade também”.

Dessa forma, o Sincor-SP também tem que fazer sentido para o corretor no seu dia a dia, quando ele se depara com desafios e oportunidades, complementa. “E neste ano que completamos 85 anos, trazendo no seu DNA a defesa da categoria e assistencialismo, hoje só isso não é suficiente. Para percorrer mais 85, temos que fazer sentido na vida do corretor, no seu dia a dia, sendo um provedor de soluções para ele”.

Por isso, segundo ele, o Sincor-SP criou o Sincor Digital. “Conectando corretores de seguros a todos os players a esse novo mundo, mas promovendo essa inserção do corretor de seguros neste mundo. Estamos nesta direção e isso é o mais importante. Por mais complexo que são os dias atuais, nunca estive tão motivado, porque isso é uma oportunidade de transformação que nos dará uma perenidade como nunca.
Nosso grande desafio é pleno potencial do mercado de seguros e para o corretor de seguros cabe o perfeito enfrentamento”.

Para ele, esse evento foi o primeiro passo para essa transformação, porque até aqui tudo o que se via em relação à transformação digital finalizava com uma sensação de temor. “E esse evento promoveu exatamente o contrário, de justamente trazer a percepção da inserção. Durante algum tempo, o corretor de seguros não tinha proximidade com o resseguro, mas não vamos incorrer com o mesmo erro em relação às mudanças digitais. Esse é um momento de conversão e não de distanciamento, e temos que nos inserir. Chegaremos ao futuro fortes e adaptados, com sentimentos de dever cumprido”.

Leia também: 

Sincor-SP discute inovação tecnológica no mercado de seguros: https://bit.ly/334CbwT

 

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