Cases internacionais foram destaques do CQCS Insurtech & Inovação

 

Evento foi o maior encontro em inovação de seguros da América Latina

Realizado em São Paulo, em agosto, o CQCS Insurtech & Inovação reuniu investidores, seguradores, insurtechs e prestadores de serviço. Com palestrantes nacionais e internacionais, o evento tem como objetivo discutir as transformações tecnológicas no setor de seguros.

Caribou Honig, da InsureTech Connect

Caribou Honig, chairman da InsureTech Connect, apresentou o que acredita ser os mitos da disrupção e as perspectivas para o setor. Honig não vê as insurtechs como inimigas das companhias tradicionais e nem que estão destinadas a falhar. O caminho, para ele, deverá ser o de parcerias e incorporações.

Como em toda nova tecnologia, é preciso absorver o que ela pode trazer de positivo, como a transparência. “O cliente agora é capaz, por exemplo, de comparar preços com mais facilidade”, disse Honig. O benefício também se aplica à empresa, que pode identificar com mais rapidez onde estão os gargalos e problemas.

E quais são as tecnologias que irão revolucionar o setor de seguros nos próximos anos? Em uma enquete feita em seu perfil no LinkedIn, Caribou identificou que as apostas são em Inteligência Artificial e APIs (Application Programming Interface). Independentemente da tecnologia em si, os profissionais devem refletir não apenas sobre o que é “possível”, mas também no que é o “novo normal”.

Foco no cliente

O foco dos prestadores de serviços de seguros deve ser o cliente. Esta é a recomendação de Ingo Weber, CEO e co-fundador do Digital Insurance Group, eleita a melhor corretora de seguros da Europa. Para ele, é fundamental atender à necessidade do cliente e mudar algumas práticas do mercado como a de “punir” o consumidor por comportamentos ruins. Este modelo se inverteu para o de recompensar aqueles com comportamento positivo.

Com a tecnologia, o setor pode minimizar um de seus gargalos: reter o cliente, tornando o relacionamento mais constante em vez de se limitar a uma vez por ano. As empresas podem, por exemplo, oferecer serviços e notificações personalizadas, favorecendo um engajamento do consumidor.

Se por um lado a tecnologia promove maior eficiência, ela certamente traz também mais concorrentes, de acordo com Weber. “O cenário hoje é brutal, todos lutam pelo mesmo cliente, e o que ele quer é facilidade”, afirma. Além de outras seguradoras e bancos, entram em cena plataformas de ofertas variadas de produtos e serviços, como a chinesa Alibaba, onde o consumidor encontra várias soluções em um único endereço.

Essas plataformas oferecem mais ameaças às empresas tradicionais do que as insurtechs, na opinião do CEO. Algumas startups terão sucesso, especialmente as que atuam em nichos de mercado, mas a inovação está ao alcance de todos – a questão é como fazer isso rapidamente e na direção certa.

Transformações no setor

Gustavo Dória, diretor do CQCS

O modelo de fazer seguros, que vem sendo praticamente o mesmo há seis séculos, desde o período das grandes navegações, passa por um momento de transformação. A ideia foi defendida por Josep Celaya, diretor Global de Inovação do Grupo Mapfre.

Entre os vetores da transformação está a maturidade das tecnologias. Qualquer tecnologia passa pela etapa inicial de uma grande promessa, em que estima-se seu impacto, alcançando depois o patamar de mostrar do que realmente é capaz. “É muito importante entender em que momento do ciclo as tecnologias estão para saber como trabalhar com elas em nosso negócio. O Blockchain, por exemplo, está no início da bolha”, explicou Celaya.

Para ele, a transformação ocorre em três grandes níveis: digitalização de processos, que está em andamento; a evolução do modelo de negócios e as mudanças em nossa própria realidade. “Para enfrentar essa revolução será preciso visão estratégica e ferramentas de transformação”, alerta. Por visão estratégica leia-se uma espécie de bússola, que auxilia a entender para onde o mercado está indo, de modo que os esforços da empresa possam ser concentrados na direção correta.

As ferramentas, por sua vez, são modelos de inovação abertos e mudanças dentro das organizações. Grande parte da disrupção acontece no sistema empreendedor, nas insurtechs. “É fundamental estabelecer relações de cooperação com as startups, que vêm atuando de forma colaborativa com o setor: 99% delas querem vender algo para uma companhia tradicional”.

Combate às fraudes

O uso de Inteligência Artificial (IA) para detectar fraudes em sinistros foi o tema da palestra de Iván Ballón, diretor de Desenvolvimento de Negócios para América Latina da empresa holandesa Friss.com.

Especializada em detecção de fraudes e risco, a empresa desenvolveu métodos de análises de dados utilizando-se de IA para tornar os seguros mais honestos. “Porém, não existe Inteligência Artificial sem dados de qualidade. É a base da pirâmide de Maslow da IA”, disse, referindo-se à famosa escala de necessidades humanas.

Para trabalhar com uma base mais ampla de informações, a Friss.com acessa dados externos, além dos próprios. “Estamos conectados a mais de 130 bases de dados externas”, informou. A empresa aprendeu também a buscar novas fontes de coleta de dados, como Internet das Coisas e smartphones, por exemplo. A digitalização foi mais um aprendizado da Friss.com em sua trajetória, com a possibilidade de reportar sinistros pelo telefone.

Nova lei de dados da União Europeia

Os Desafios da Aplicação do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) no Mercado de Seguros da União Europeia foram mencionados por Antonio Figueiredo Almaça, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões de Portugal, que trouxe as características gerais e os desafios para o setor de seguros resultantes da regulamentação que entrou em vigor na União Europeia em maio deste ano.

A preocupação com a privacidade não é uma novidade na Europa. Já havia uma diretiva em vigor desde 1995, mas o atual regulamento difere desta em alguns aspectos, especialmente no que se refere a cada um dos países da UE, que estão impedidos de fazer ajustes locais às novas normas.

O RGPD permite ao cidadão controlar melhor a circulação dos seus dados pessoais, e ainda simplifica o ambiente regulatório. “A reforma beneficia a economia digital”, afirmou Almaça. As regras se aplicam a qualquer pessoa que esteja na UE, independentemente do país de residência.

Por outro lado, o regulamento implica em desafios para o setor de seguros. “Os dados de saúde constituem uma das matérias-primas de alguns seguros, mas o regulamento não previu o tratamento destes dados no contexto do segurador”, destaca Almaça. “A solução está nas exceções previstas, nomeadamente, na obtenção do consentimento por parte do titular”.

A prevenção de fraudes também deverá se apoiar nas exceções, uma vez que a lei estabelece prazos de conservação dos dados e o segurador precisa analisar séries de dados históricos para esta tarefa. Dos desafios nascem oportunidades, entre eles tornar os processos mais eficientes, transparentes e ampliar a segurança. “Em Portugal estamos a aprender”, disse Almaça, uma vez que a lei nacional ainda está em discussão.

CRÉDITO DAS FOTOS: Gabriel Heusi

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