Riscos mapeados

 

Subscrição é processo essencial em contratos de seguros e colabora para solidez da seguradora e atendimento assertivo às necessidades do segurado

Por Camila Alcova

Alejandro Widder, MetLife

Etapa primordial em uma apólice de seguro, a subscrição de riscos exige disciplina e olhar apurado para as características dos riscos em contratos individuais e às diversas atividades desempenhadas pela empresa contratante, nos casos de contratos corporativos.

Esse processo do seguro também determina o prêmio que será cobrado, os riscos aceitáveis e ajuda a seguradora a mapear e monitorar as tomadas de decisões, o que reflete diretamente na solidez de uma companhia.

A personalização nessa atividade é outro quesito importante, uma vez que cada cliente conta com riscos e necessidades distintos.

“Para que o segurado tenha o conforto de ter uma apólice de seguros desenhada conforme seu tamanho, necessidade e correspondente exposição é essencial que a subscrição atue de forma próxima do corretor/segurado para compreender quais os principais riscos e preocupações destes, identificando de maneira conjunta qual a melhor maneira de mitigá-los; atuando assim não somente com uma precificação adequada mas também oferecendo coberturas que melhor se encaixem com o perfil do risco”, pontua Leonardo Semenovitch, diretor-presidente da Travelers no Brasil.

Alejandro Widder, diretor financeiro e atuarial da MetLife, explica que o processo de subscrição de riscos é fundamental, para poder cobrar do cliente o preço certo. Essa etapa da apólice deve ser muito cuidadosa, bem feita, para ter a certeza que a pessoa que ingressa no seguro estará coberta no momento da fatalidade, morte, invalidez, internação, doença grave, entre outros infortúnios possíveis. “É muito importante o processo de subscrição, porque o cliente precisa saber o que está comprando, como está comprando, e o que está cobrindo. E tudo isso se pode fazer com a subscrição”, esclarece.

O processo também possibilita que o mercado avalie e aplique as particularidades e especificidades do cliente/risco, dando uma personalização para a apólice do seguro. “Como dizemos no mercado, a apólice é taylor made, ou seja, desenhada sob medida para os grandes clientes e riscos”, comenta Camilo Buzzi, diretor geral de grandes riscos do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre.

Apesar de ser uma atividade das seguradoras, o corretor de seguros também tem papel importante durante esse processo. “Como consultores de risco, é nossa obrigação analisar e compreender o risco do cliente no detalhe, para que possamos vendê-lo de forma estruturada para o mercado, com o objetivo de sempre obter os melhores termos e condições possíveis”, explica Ricardo Ciardella, vice-presidente de placement da JLT Specialty Brasil.

De acordo com ele, a JLT conta com times de especialistas divididos por indústrias e com filiais nas principais cidades brasileiras. Além disso, a empresa tem estrutura própria e qualificada de gerenciamento de riscos e prevenção de perdas. “Isso nos torna capazes de mapear as exposições de nossos clientes e ajudá-los na mitigação desses riscos”.

Peculiaridades

Camilo Buzzi, Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre

Cada ramo de seguro tem características distintas no processo de subscrição. No caso de seguros não massificados isso se acentua, já que não existe uma solução única para todos os riscos.

“Podemos claramente ver este cenário nos riscos de engenharia, onde cada obra apresenta desafios diferentes que estão alinhados com a complexidade dos empreendimentos. Uma obra de edificação é diferente de uma usina eólica, que é diferente da construção de uma linha de transmissão. Apesar de estarem classificados dentro do ramo ‘engenharia’, estes riscos devem ser analisados de maneira individualizada, por um time de especialistas, para dar segurança ao segurado/corretor de que as condições da apólice estão aderentes às expectativas do segurado e a exposição do risco”, explica Leonardo Semenovitch.

Alejandro Widder menciona que a subscrição de produtos de vida em grupo considera fatores como atividade exercida e região em que a empresa está localizada, por exemplo. Além disso, a empresa inclui na inteligência da precificação os modelos internos para os tipos de indústria e negócios. “Estamos trabalhando com estatísticas próprias de mortalidade para a precificação de vida em grupo. Portanto, temos informações de preços e riscos para cada tipo de indústria. Isso para nós é um diferencial muito importante”, pontua.

Ele acrescenta que fatores como mortalidade e invalidez têm relação com o momento econômico do país, níveis de emprego e desemprego. “Isso geralmente ocorre em ciclos. Temos estudos que mostram relação alta entre a mortalidade e taxa de desemprego”, comenta ele sobre as peculiaridades do que é levado em conta quando a empresa realiza a subscrição e precificação dos riscos corporativos.

Tecnologia na subscrição

Já presente na rotina das seguradoras, a tecnologia também se mostra útil no âmbito da subscrição. Semenovicth, da Travelers, compartilha que sistemas de workflow, gerenciamento de informação e data Miner têm ajudado a direcionar os esforços da equipe comercial da seguradora, de acordo com a distribuição geográfica e as necessidades específicas dos riscos existentes em cada região.

“Outro bom exemplo vem do sinistro, onde observamos o uso cada vez maior de ‘drones’, ajudando no mapeamento dos grandes eventos, agilizando assim o pagamento das indenizações e a retomada da normalidade das operações por parte dos segurados”.

Camilo Buzzi, da BB Mapfre, ressalta que a tecnologia possibilita o controle e cruzamento de dados estatísticos e mercadológicos, o que facilita o processo de subscrição e avaliação dos riscos para uma precificação adequada.

Alejandro Widder, da MetLife, acrescenta que a tecnologia auxilia na agilidade, além de colaborar para a eficiência dos processos de subscrição. No caso de vida em grupo, explica o executivo, a tecnologia colabora para a eficiência dos modelos e para segmentar os universos da companhia.

Já nos casos de subscrições para seguros individuais, a declaração pessoal de saúde (DPS) é um dos quesitos necessários, lembra ele.
Outro auxílio de ferramentas tecnológicas é para a digitalização do processo. “Nós temos produtos que têm declaração de saúde digital. O processo digitalizado ajuda muito na rapidez, eficiência, custos da operação, e é um benefício também para o cliente final”.

O executivo pondera que além de considerar a tecnologia, é necessário priorizar a simplificação da linguagem. “Não adianta tecnologia se as pessoas não entendem o que deve ser incluído”, diz, em referência ao “segurês”, tradição que tem sido revista pelo setor de seguros como um meio para atingir os consumidores.

Atualidade global

A metodologia de subscrição utilizada no Brasil já pode se equiparar ao que é realizado no exterior, até mesmo pelo fator globalização, opina Camilo Buzzi. “Em um mundo globalizado, não existe mais uma diferenciação nos modelos de avaliação de riscos entre o Brasil e o mercado internacional, mas é importante registrar que refinamos o olhar às características locais do risco em avaliação”.

A sinergia com players internacionais é importante para a busca de melhores práticas e a troca de informações colabora para o alinhamento de metodologias.

“Mercados mais maduros nos ajudam a trazer para o Brasil perspectivas diferentes do uso de modelagem matemática para a composição de preços no mercado de pequenas empresas e treinamento de nossos subscritores para o médio mercado”, acredita Leonardo Semenovitch.

Tendências em subscrição

Ele observa que o país tem evoluído em diversos segmentos e o setor de seguros acompanha esse movimento. “Desde a abertura do mercado de resseguro, em 2007, temos notado que corretores e seguradoras têm buscado oferecer ao mercado condições cada vez mais aderentes ao que é oferecido no mercado internacional”.

Em sua opinião, isso ajuda a trazer para o mercado modelos operacionais mais ágeis e condições que ajudam a garantir a perenidade dos negócios dos segurados.

Alejandro Widder, da MetLife, acredita que daqui a 10 anos a subscrição será feita de uma maneira totalmente diferente. Na seguradora, por exemplo, já existe um projeto de parceria com startups que ofereçam tecnologia para o mercado segurador, que inclui a subscrição de riscos.
A tendência também é utilizar inteligências como big data.

De acordo com Camilo Buzzi, do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, a subscrição de riscos é fundamental para a solidez e continuidade das empresas seguradoras, “uma vez que, em mercado onde a taxa de juros vem caindo gradativamente, fica evidente a necessidade de um resultado técnico consistente frente ao financeiro”.

O executivo acrescenta que, cada vez mais, profissionalização e especialização serão peças-chave, pelo fato de a personalização ser um quesito imprescindível na subscrição.

Saiba mais sobre subscrição de riscos

O livro Subscrição de Riscos e Precificação de Seguros, da Série Textos Didáticos, explica as diversas possibilidades e técnicas para os processos de subscrição e precificação de riscos. De autoria de Sergio Ricardo de Magalhães Souza, o material elucida métodos utilizados durante essas etapas que garantem o crescimento das empresas seguradoras e do mercado em que operam.

A Série Textos Didáticos é um projeto da Escola Nacional de Seguros, inaugurado em 2016, com um conjunto de obras sobre o mercado de seguros brasileiro, voltados a profissionais do setor e alunos da Escola Nacional de Seguros.

O livro Subscrição de Riscos e Precificação de Seguros é o terceiro da série e esclarece questões como as etapas dos processos de subscrição e precificação por parte de seguradoras e resseguradoras que operam no mercado brasileiro de seguros, além de suas complexidades.

A subscrição de riscos é a atividade responsável pela tomada de decisão seletiva dos riscos aceitáveis em cada contrato de seguro. Todas as decisões de uma seguradora perante seus segurados, por fim, estão relacionadas e são consequência das decisões deste processo inicial.

Comentários

Newsletter



Facebook

Instagram

Twitter

Revista Cobertura's Twitter avatar
Revista Cobertura
@RevCobertura

21º Congresso: Cláudia Leite fará show de abertura - t.co/RqVpmpoPEY

Revista Cobertura's Twitter avatar
Revista Cobertura
@RevCobertura

Concorra a 30 Cestas Natalidade PASI - t.co/awhxT39tUM

Revista Cobertura's Twitter avatar
Revista Cobertura
@RevCobertura

Youse amplia autonomia de clientes com possibilidade de alterar apólice online - t.co/YhtswI8t43

To Top