Saúde entre a cruz e a espada

 

Mitigar o custo para o segurado é o grande desafio do setor

Por Tany Souza

O imbróglio do setor de saúde fica cada vez mais evidente com o alto custo do seguro saúde, tanto para o consumidor final como para as empresas, o que é reflexo do elevado valor que as companhias gastam com o atendimento e exames. E o grande desafio nasce exatamente com essa conta que não fecha, na tentativa de mitigar a despesa do ramo de saúde para o público final, seja ele a empresa, o segurado e até mesmo o corretor de seguros.

Segundo a Pesquisa da Unidas 2018, que traz dados do aumento do custo médico-hospitalar, entre 2013 e 2017, o índice foi de 89,4%. O valor da cobertura médica hospitalar saltou de R$ 3.107,58 (per capita ano) para R$ 5.855,78. De 2016 para 2017, a variação foi de 13,3%. Além do aumento dos custos, a carteira está bastante envelhecida. A Pesquisa UNIDAS 2018 aponta que o índice de envelhecimento (proporção idosos X jovens até 14 anos) é de 191,9%, resultado bem superior aos demais segmentos do mercado, uma vez que as autogestões concentram historicamente o maior número de idosos e, como essa carteira não se renova, esse índice tem aumentado ano a ano.

Atualmente 25,9% dos beneficiários têm 60 anos de idade ou mais, enquanto o mercado de saúde com fins lucrativos apresenta cerca de 12%. Portanto, as autogestões já trabalham com um perfil etário e epidemiológico com o qual o Brasil só deverá conviver efetivamente em 2030. São hoje 1.027.233 idosos (eram 850 mil no último levantamento de 2016), sendo 1.588 centenários. Embora o percentual tenha reduzido um pouco com relação à última pesquisa, feita em 2016, com 28,2%), o número de centenários cresceu 10% (1.429, 83% mulheres).

A taxa de internação da última faixa da Agência Nacional de Saúde (ANS), considerada de 59 anos ou mais, é atualmente de 19,9%. Isso representa mais que o dobro da taxa em beneficiários com até 18 anos (8,6%). Também é um índice muito superior ao das outras faixas de beneficiários, que seguem uma variação média de 1% a cada mudança de perfil etário.

Monica Bortolossi, Porto Seguro

Esses dados alertam o mercado, pois há um abismo entre o aumento dos custos e o poder de absorção destes gastos por parte do mercado, seja ele pessoa física ou jurídica. E os players do setor estão atentos a essa demanda. Tanto que a ANS divulgou no dia 27 de junho a Resolução Normativa 433/2018, sobre os mecanismos financeiros de regulação, que permitia às operadoras de planos de saúde cobrarem do paciente até 40% do preço dos atendimentos. Porém, no dia 16 de julho, foi suspensa provisoriamente pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármem Lúcia.

Por outro lado, a ANS, por meio de nota, divulgou que revogou o ato decisório para reabrir o tema para debate e ainda se reunirá com as principais instituições públicas que se manifestaram sobre a matéria, com o objetivo de ouvir suas sugestões para a construção de um entendimento uniforme sobre o assunto. A nova audiência pública sobre coparticipação e franquia está marcada para o dia 04 de setembro, no Rio de Janeiro, para debater e receber propostas da sociedade, entidades de defesa do consumidor e representantes do setor. O edital de convocação para a audiência foi publicado no dia 3 de agosto, no Diário Oficial da União (DOU). Além deste documento, também já estão disponíveis para consulta, no portal da ANS , o regimento que define as regras de participação na audiência, bem como todos os principais documentos elaborados sobre o tema.

Saúde e odonto para PME’s

Ramon Gomez, MetLife

Na tentativa de reduzir custos para as empresas, algumas companhias criam produtos e ações específicas, a fim de manter o ramo aquecido. Na Porto Seguro Saúde, a novidade em 2018 é a disponibilização do Seguro Saúde para PME’s a partir de cinco vidas. “O benefício conta com a opção de planos com ou sem coparticipação, além de uma ampla rede referenciada, gestão médica visando disponibilizar os acessos e tratamentos mais adequados para nossos segurados. Processos de implantação e manutenção simples, contando inclusive com transmissão online”, conta Mônica Bortolossi, superintendente comercial, saúde e bioqualynet.

De acordo com ela, o seguro odontológico está em ascensão, pois democratiza o acesso ao tratamento odontológico de qualidade. “Após o seguro saúde, é o benefício mais solicitado pelos colaboradores nas empresas, tornando-se, assim, uma forte ferramenta de retenção de talentos. Focado em PME, o Porto Seguro Odontológico disponibiliza o Plano Odonto Bronze, a partir de quatro vidas. Nesta modalidade, há a possibilidade de extensão para familiares e agregados”.

As pequenas e médias empresas são grandes impulsionadoras do mercado, gerando resultados e estimulando a economia brasileira, segundo Mônica. “Assim, o Porto Seguro Saúde e Porto Seguro Odontológico investem em novidades e melhorias nos serviços disponibilizados a esse público, além de desenvolver e incentivar os corretores que atuam neste segmento”.

A aplicação da inovação para desenvolver soluções customizadas para cada perfil de cliente é o caminho da Amil para oferecer produtos que aliam qualidade de atendimento a acesso. “Vemos a redução dos custos como consequência natural de uma gestão eficiente”, comenta o diretor de crescimento e inovação em produtos da Amil, Mario Saddy.

Para os clientes corporativos, a companhia traz ferramentas para a identificação de desperdício de custos médicos e, por meio de uma gestão conjunta com as áreas de recursos humanos das empresas, consegue ofertar planos cada vez mais acessíveis. “Na área de Gestão de Saúde Populacional, por exemplo, desenvolvemos modelos de identificação, estratificação e análise da população, que resultam em ações estratégicas de cuidado sugeridas pela Amil aos seus diversos beneficiários”, completa Saddy.

O cliente PME sempre foi estratégico para a Amil. “Para ter uma ideia, oferecemos nossos planos de saúde para mais de 356 mil empresas desse porte, nas quais investimos em qualidade de atendimento e buscamos adotar as melhores práticas de gestão”.

Já na MetLife, há cerca de cinco anos, há produtos de fácil contratação para empresas a partir de dois funcionários. “Desenhamos produtos adequados à necessidade e práticas de cada indústria, com possibilidades de soluções flexíveis, assim contribuímos com as condições mais vantajosas para cada perfil de empresas”, diz Ramon Gomez, VP Comercial da companhia.

Segundo Gomez, o mercado de PME’s oferece um grande potencial de desenvolvimento dos clientes e oportunidades para o mercado segurador. “No Brasil, cerca de 98% das empresas contam com até 50 colaboradores e necessitam da orientação dos corretores para conceder aos seus funcionários uma cesta de benefícios atrativa. Muitas vezes, as pequenas e médias empresas não contam com uma estrutura sólida de RH para entender como cada produto funciona e suas vantagens, o corretor bem preparado pode desempenhar este papel e agregar valor aos seus clientes”.

A MetLife realiza pesquisas periódicas para entender melhor o perfil e necessidades deste público. “Nossos produtos são sempre revistos e melhorados para oferecer coberturas com usabilidade e aderentes às reais necessidades dos segurados. Nos últimos anos, lançamos o PME Flex, PME Fácil e PME Dental”, completa ele.

O corretor nas PME’s

O suporte das companhias de seguros para que o corretor atue com a carteira de pequenas e médias empresas é de suma importância. Na Porto Seguro, por exemplo, há cursos à distância e presenciais, consultores especialistas no produto Saúde e estudos até 100 vidas diretamente no Corretor Online. Além disso, está em vigor na Porto Saúde a campanha “Emitiu, ganhou!”. “Nela, para cada apólice do produto PME que for emitida, o profissional receberá um valor em reais (até R$ 1,5 mil por apólice), a título de bônus”, conta Mônica Bortolossi, que completa: “para deixar os corretores com tempo livre para novos negócios, estamos investindo na melhoria de nosso APP, onde já é possível acompanhamento de senhas e reembolso, carteirinha virtual, SMS para indicação de rede e portal do segurado mais interativo. Dessa forma, o apoio fornecido pelo corretor para sua carteira de clientes é facilitado”.

A Amil oferece aos corretores de seguro informações e treinamentos para que possam conhecer particularidades das PME’s e, dessa forma, atuar muito mais como consultores para os decisores das empresas. “Também disponibilizamos aos profissionais de vendas um aplicativo, Amil Corretores, com informações detalhadas de todas as linhas de produto da operadora. Ele permite aos corretores consultar o status das propostas enviadas, visualizar os últimos extratos de pagamento e consultar a rede credenciada de cada região, para que essa informação sirva-lhes de suporte no momento da venda”, exemplifica Mario Saddy.

Na MetLife, os esforços são voltados para a concepção de produtos com menores custos para os clientes e adequados a diferentes perfis de empresas para que os corretores façam ofertas mais assertivas. “Em alguns casos, possibilitamos um processo de venda 100% online, conferindo agilidade ao dia a dia do profissional e ganho em escala. Também munimos os corretores com treinamentos, informações e pesquisas sobre as particularidades deste público, auxiliando no entendimento das necessidades dos empreendedores de pequeno e médio porte”, comenta Ramon Gomez.

Gestão de saúde reduz custos

Com inteligência artificial, gestão de pacientes e acompanhamento feito por profissionais de saúde, a startup Saúde Concierge atinge redução média de 30% no índice de sinistralidade para seguradoras e planos de saúde.

Criada no final de 2017, a startup atua como um parceiro estratégico de operadoras, planos de saúde e RHs para a gestão e uso consciente dos recursos deste benefício. Por meio de um sistema tecnológico simples de usar, a empresa é capaz de dar suporte a processos complexos que visam cuidar da saúde dos indivíduos. Como consequência, os custos com o benefício de saúde das cinco mil vidas que a empresa administra atualmente apresentaram redução de até 30% às operadoras.

Para atingir o resultado, a Saúde Concierge atua sob os pilares de tecnologia, profissionais especializados e método de gestão. A tecnologia integra dados armazenados em APP, Web e no sistema operacional da empresa para análise e monitoramento da condição de saúde dos pacientes em tempo real, enquanto a equipe multidisciplinar está capacitada para acompanhá-lo fora de um ambiente hospitalar. O método de gestão baseado em processos qualitativos aperfeiçoa o atendimento de maneira contínua e, com o auxilio da inteligência artificial, pode prever e agir antecipadamente alterações clínicas.

 

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