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O carnaval e as seguradoras

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03/03/2014 - O ESTADO DE S. PAULO

Artigo

O carnaval e as seguradoras

Quando eu escrevo que as seguradoras não gostam do carnaval, não quero dizer que as pessoas que trabalham nelas não gostem da festa, do feriado, da mudança de hábito e da fuga da rotina que os quatro dias dedicados a Momo proporcionam, tanto para quem prefere pular nos bailes da vida, como para quem prefere descansar.

Todo mundo tem direito ao descanso, a quebrar regras e mudar o jeito de viver, nem que por poucos dias, como acontece no carnaval. Além disso, o fato de alguém trabalhar numa seguradora não o faz diferente de ninguém, tanto que tenho um bom amigo que, entra ano, saí ano, vai para o Rio de Janeiro participar dos desfiles das escolas de samba, na pista e nos camarotes.

Toda festa é muito bem vinda. O que arrepia as seguradoras não é a festa em si, mas as conseqüências dramáticas que são parte viva de todos os feriados prolongados, quando uma certa histeria toma conta de algumas pessoas, que, em função dela, extrapolam e acabam fazendo o que não deveriam ou o que não sabem.

Invariavelmente as conseqüências custam caro para os autores, para terceiros e para o caixa das companhias de seguros, obrigadas a indenizar acidentes de todos os tipos, em todos os ramos de seguros.

Os números das festas do final do ano passado são emblemáticos e explicam de forma clara a ojeriza das companhias de seguros em relação a datas como carnaval e reveillon.

Nelas, por conta da quebra da rotina, da diminuição das preocupações com a própria segurança, do excesso de velocidade, da tentativa desastrada de praticar esportes radicais com os quais não se está habituado, etc., acontece um aumento do número de acidentes e isto quer dizer um desembolso extraordinário, em função da alta quantidade de eventos cobertos que se acumulam num pequeno espaço de tempo, eventualmente sobrecarregando o caixa da companhia, que tem o faturamento diferido para fazer frente a sinistros ao longo de 12 meses.

As seguradoras sabem que não há o que fazer, e que existem outras situações com o mesmo efeito sobre os seus caixas, que podem inclusive ser mais danosas do que o acúmulo de acidentes durante o carnaval.

Um bom exemplo são as enchentes de verão que todos os anos afetam a cidade de São Paulo e atingem centenas de veículos, aleatoriamente, durante esta estação.

Com certeza os danos sofridos pelos automóveis agravam mais o caixa de uma seguradora com forte atuação na carteira de veículos do que os outros acidentes cobertos ocorridos nos dias de carnaval.

Acontece que os dois acúmulos de sinistros acontecem exatamente na mesma época, então não é questão de comparar qual custa mais caro, mas sim de somar os prejuízos deles resultantes.

A lista é longa e atinge as mais variadas carteiras. O aumento de mortes em acidentes afeta os seguros de vida. O alto número de feridos agrava os resultados dos planos de saúde privados. As invalidezes por acidente atingem os seguros de acidentes pessoais. Os acidentes com veículos afetam as carteiras de automóveis e responsabilidade civil, que paga os danos sofridos por terceiros por culpa dos segurados. E por aí vamos, numa toada trágica, porque se o seguro repõe o prejuízo material e minimiza perdas de capacidade de atuação, não há apólice que consiga repor as perdas afetivas, de pessoas e de bens.

Um carro novo não substitui a capacidade de locomoção perdida por alguém que fica paraplégico num acidente numa estrada. A indenização do seguro de vida, mesmo deixando os beneficiários ricos, não ressuscita a pessoa morta. O plano de saúde assumir os custos médicos e hospitalares não alivia o tormento de quem espera notícias sobre o estado da vítima, nem as dores de quem está internado.

É por saber disto e por diariamente lidar com situações como estas que as pessoas que trabalham nas seguradoras não gostam de carnaval e de outros feriados onde a adrenalina corre mais solta. Elas têm a mesma sensação de impotência que toma conta dos médicos e dos que trabalham nos hospitais.


 
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