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Norte-americano morreu porque lhe faltaram 20 dólares para o seguro de saúde

 

Fonte ZAP

Um homem de 29 anos suicidou-se nos Estados Unidos (EUA) por, alegadamente, não ter tido acesso à receita médica para o antidepressivo que tomava. A falta da receita deveu-se a não ter pago uma das mensalidades do seu seguro de saúde, no valor de 20 dólares (cerca de 18 euros).

Na manhã de 09 de abril, Daniel Desnoyers, de 29 anos de idade e residente em Saratoga (Nova Iorque), conduziu a sua carrinha para o rio Mohawk, onde acabou por se afogar. As equipas de resgate disseram aos jornalistas que acreditavam que a morte tivesse sido intencional. Na semana passada, no Twitter, o seu pai confirmou o sucedido.

De acordo com um artigo do Observer, divulgado na quinta-feira, o que matou Daniel Desnoyers foram os 20 dólares (cerca de 18 euros) e o sistema de saúde com fins lucrativos dos Estados Unidos (EUA).

No sistema de saúde norte-americano, indicou a notícia, “o governo providencia assistência médica às empresas e pessoas como Daniel Desnoyers são mortas – por negligência ou penúria, às vezes devagar, às vezes rapidamente – de uma maneira tão previsível e regular quanto uma doença pandémica bem conhecida e não tratada”.

Daniel Desnoyers estava a tomar medicação para tratar a depressão. Nas semanas que antecederam a sua morte, não efetuou um dos pagamentos do seguro. Tratou-se de um deslize burocrático – que, noutros contextos, poderia ser facilmente resolvido com um telefonema e um cartão de crédito -, mas que trouxe consequências severas.

Segundo o relato do pai, o filho foi informado pelo seu prestador de cuidados de saúde, a Fidelis Care, que não teria acesso à receita para a medicação até ao mês seguinte, devido ao facto de não ter feito o pagamento de 20 dólares.

Entre os serviços prestados pela Fidelis Care – adquirida pela Centene Corporation por 3,75 mil milhões de dólares (3,37 mil milhões de euros) – está o “Medicaid managed-care”. Como explicou o Observer, este é um acordo entre o governo e as empresas de saúde para fornecer serviços a para pessoas que, de outra forma, seriam submetidas a um plano administrado pelo governo para pacientes com poucos recursos ou idosos.

Cerca de 71% dos 74 milhões de americanos que têm a “Medicaid managed-care” recebem cuidados de saúde administrados por empresas privadas e com fins lucrativos, algumas das quais com lucros de até 8,2% na sua base de clientes garantida pelo governo.

De acordo com a HealthAffairs.org, entre 2013 e 2015, os lucros das companhias de saúde em planos de assistência triplicaram, de 1,3 mil milhões de dólares para 3,9 mil milhões (1,17 mil milhões de euros para 3,5 mil milhões).

Segundo o Observer, existe uma ligação direta entre o acesso a antidepressivos e o suicídio. Quando as pessoas não tomam esse tipo de medicamento, tendem a tentar se matar. Às vezes, conseguem.

No início dos anos 2000, a Food and Drug Administration (FDA) alertou para uma possível ligação entre os pensamentos suicidas e o uso de antidepressivos, tendo o mesmo caído 30% em adolescentes e 25% em adultos.

Durante esse mesmo período, as tentativas de suicídio aumentaram – 22% em adolescentes e 34% em adultos, de acordo com investigadores da Universidade de Harvard. Não é segredo, portanto, que quando as pessoas deprimidas perdem o acesso aos seus antidepressivos, trata-se de um risco para as suas vidas.

O Observer notou que não é exagero nem novidade que a assistência médica nos EUA “é uma desgraça abjeta, na qual o desejo por lucros leva a mortes evitáveis”. Os serviços médicos disponíveis no país sob o Obamacare – que expandiram as opções do governo mas exigem que os cidadãos comprem seguros privados de saúde ou procurem o plano de saúde garantido pelo governo – não são acessíveis, acrescentou.

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