Cobertura Especial

Recuperação econômica do Brasil será lenta, diz Delfim Netto em webinar da Fator Seguradora

 

Luís Eduardo Assis, CEO da companhia, conduziu o bate-papo com o economista que doou 100% de seu cachê para a compra de cestas básicas para a Comunidade de Paraisópolis (SP), já entregues pela seguradora

Por Carol Rodrigues

Levando em consideração a falta de articulação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o Congresso Nacional, o economista e ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto acredita que a recuperação econômica do Brasil será lenta. “Precisamos de uma reforma do Estado antes. A retomada vai depender da nossa capacidade de investir, tanto Estado como setor privado”, disse durante webinar realizada hoje, 24 de junho, pela Fator Seguradora conduzida pelo CEO da companhia e também economista, Luís Eduardo Assis.

Netto ainda destacou que, no cenário de pandemia, os setores que dependem da movimentação de pessoas são os que mais irão sofrer. “Isso até sair a vacina. Se tem algo em que fracassamos fragorosamente foi na saúde”.

Embora o país tenha um sistema de saúde que proporcione acesso universal, ele ressaltou que não está na dimensão que deveria para enfrentar a pandemia. “Mas a culpa é nossa. A pandemia era tão previsível que deveríamos ter dado para o SUS um plus”.

Ele lembrou que, no início de 2020, a expectativa era de o PIB crescer entre 2% e 2,5%, pois havia o controle das despesas, a estabilização da relação dívida-PIB e uma política monetária, em que a taxa de juros praticamente caiu a zero, mas a pandemia e a gestão equivocada do presidente geraram mudanças. 

Agora, segundo Netto, o problema é encontrar um mecanismo para  impedir que as despesas feitas por motivos morais, por conta da pandemia, não se transformem em despesas correntes.

Década perdida

O CEO da Fator falou sobre a década de 2010 a 2020, a qual definiu como ‘particularmente perdida’. “O PIB de 2020 será menor do que o PIB de 2010. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Por que o Brasil não conseguiu crescer uma pequena parcela do crescimento obtido entre 1940 e 1980?”, questionou.

Na visão do economista, foi uma sucessão de ocorrências, como a dificuldade do Brasil em superar as crises do petróleo, a morte de Tancredo Neves (PDS) e a criação do Plano Cruzado, que fez com que a taxa de câmbio fosse usada para controlar a inflação. “Esse foi o início de toda a destruição. O Brasil foi uma economia que se desenvolveu depressa. Crescíamos a 7% ao ano e o que é mais importante: crescemos desenvolvendo as exportações. Éramos uma China. Isso até 1974”.

Já no governo Fernando Henrique (PSDB), o Plano Real também foi sustentado pela taxa de câmbio. “Foi a taxa de câmbio mais valorizada do universo mantida durante quatro anos. A nossa sorte é que vínhamos desenvolvendo a agricultura com rapidez, por isso conseguimos sobreviver. A expansão da agricultura permitiu que tivéssemos uma vida um pouco melhor do ponto de vista externo”.

Delfim Netto doou 100% de seu cachê para a compra de cestas básicas para a Comunidade de Paraisópolis (SP), já entregues pela seguradora. Ao final do webinar, o economista chamou a atenção para a organização da comunidade que controla tudo, mesmo diante das desvantagens, como falta de água e de esgoto. “O povo é muito bom”, frisou Netto. “É o que vai salvar este país”, completou Assis.

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