Bendito fruto entre os campos brasileiros

 

Protagonismo do setor agrícola na contribuição ao crescimento do País traz boas perspectivas para seguro rural

Por Tany Souza

De acordo com a Susep, o seguro rural é um conjunto vasto de seguros que são direcionados à agricultura e à pecuária, como o seguro agrícola, o pecuário, o aquícola, o de benfeitorias e produtos agropecuários, seguro de penhor rural, seguro de florestas, seguro de vida do produtor rural e seguro de cédula do produtor rural. Já o seguro agrícola é uma subdivisão do rural, que é voltado às culturas temporárias, que são aquelas que dependem do replantio após a colheita, e às culturas permanentes, que ficam vinculadas ao solo e possibilitam mais de uma colheita ou produção.

O seguro rural é direcionado principalmente para os grandes e médios agricultores, para utilização no agronegócio. Para os pequenos produtores há os programas de governo como o Proagro – Programa de Garantia da Atividade Agropecuária – para custear em casos de fenômenos naturais e doenças que atinjam os rebanhos, plantações e bens.

O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,0% em 2017, em relação ao ano anterior, após duas quedas em 2015 e 2016, igualmente de 3,5% cada. O economista e professor da Puc Rio, Luiz Roberto Cunha, durante sua palestra no 23º Encontro dos Líderes do Mercado Segurador, que aconteceu em março, em Foz do Iguaçu, ressaltou que a agricultura foi o setor que mais diretamente contribuiu para esse desenvolvimento. “Deste 1,0%, se a agricultura não tivesse crescido 17% no ano passado, o PIB teria chegado a 0,3%. E isso acontece porque ela tem um impacto enorme na cadeia produtiva, além de gerar renda no interior do Brasil”.

E essa oportunidade da agricultura para o mercado de seguros, se reflete nos números da Susep. Segundo a Superintendência, o seguro rural cresceu em 260%, 2016, em relação ao ano anterior, e em 2017, 9,43%. Já o seguro agrícola teve um desenvolvimento de 8,04%, em 2016, e 1,5% em 2017. (inserir quadro).

Antônio Márcio Buainain, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador na área da agricultura, afirma que o mercado agrícola brasileiro é o que mais cresceu na economia nesta última década e meia, mostrando um dinamismo superior à média da economia. Segundo ele, “é por isso que tem sido caracterizado como o setor que está segurando a economia brasileira e sua sociedade”.

E em um contexto de crescimento da produção agropecuária, com muitos riscos que envolvem esse setor, cresce também o potencial para a expansão do mercado de seguros. “Então quando há evento negativo, os produtores e a sociedade têm prejuízos devido aos efeitos sistêmicos que ocorrem a partir da agricultura, e isso abre um mercado muito importante para o seguro rural no Brasil, que ainda é incipiente. Nós temos um potencial para o seguro muito grande, que acompanha o crescimento da agricultura”.

Mesmo com o mercado já desenvolvido, com um crescimento notório nos últimos 10 anos, é ainda iniciante quando comparado com outros países. “No EUA e alguns países da Europa, a maior parte da safra tem cobertura de seguros. Aqui no Brasil, no momento de pico, apenas 15% da produção de grãos estava coberta por seguro. As máquinas e equipamentos agrícolas praticamente não são cobertos no Brasil, assim como as instalações rurais que são sujeitas a incêndio, por exemplo”, ressalta o professor.

O gerente de produtos da Corretora de Seguros Sicredi, Felipe Michels Caballero, diz que é necessário considerar a gestão de risco e o nível de maturidade de cada país. “Os EUA, por exemplo, estão em um segundo estágio no seguro agrícola, é um segmento absolutamente consolidado no que diz respeito a produtos e política. Se considerarmos o nosso mercado, o normativo e os produtos que temos de 2003 para cá, é relativamente jovem e faz parte da curva do aprendizagem do país”.

Maria Cristina Betencourt, diretora técnica da Excelsior Seguros, diz que o investimento feito pelos brasileiros no seguro rural é praticamente 10% do que é investido nos EUA. “O sistema de subvenção americano tem uma média de 60% dos prêmios, em contrapartida ao comprar o seguro, o produtor deve detalhar os dados de produção dos últimos dez anos. Na Espanha, o apoio do governo varia de 20% a 50%”. Segundo ela, essas diferenças de estruturação de programas, maturação e economia deixam o País em desvantagem se comparado aos EUA, China e Europa. “Mas vale lembrar que os pioneiros demoraram mais para amadurecer, pois sofreram mais com alguns erros. Erros esses que podemos evitar observando o que não deu certo naqueles lugares”.

Para Márcio Martinati, gerente de ramos diversos e produtos rurais da Tokio Marine, embora seja um elemento tão fundamental de proteção ao produtor brasileiro, o seguro rural ainda é pouco difundido no País. Enquanto o mercado de seguros – incluindo Previdência, Saúde e Capitalização – responde por 6% do PIB nacional, o seguro rural representa apenas 0,06%. “Uma iniciativa importante seria mostrar o quanto o seguro desempenha um papel fundamental para a recuperação financeira no caso de ocorrência de sinistros”.

A subvenção e seus caminhos

Segundo Antônio Márcio Buainain, a subvenção é de suma importância para viabilizar o seguro agrícola no Brasil e praticamente em todas as partes do mundo, já que esse tipo de seguro custa caro para o agricultor e acabaria inviabilizando a contratação puramente privada. “Quando o produtor perde a safra por alguma ocorrência, traz um efeito nas comunidades e economia locais, que se propaga e tem um efeito muito mais perverso. Então, protegê-lo destas perdas sob as quais ele não tem nenhuma responsabilidade faz todo o sentido, custa menos ajudá-lo a fazer o seguro, do que depois ter que socorrer a sociedade como um todo para minimizar os efeitos”.

No entanto, a subvenção pública depende de recursos orçamentários, “e na crise fiscal que estamos vivendo eu considero muito difícil que seja possível manter um programa de subvenção pública significativa ao seguro rural. Eu não acredito que ela possa crescer nos próximos anos e o valor que temos hoje é insuficiente para cobrir as necessidades do país”, comenta o professor Buainain.

O gerente de produtos da Corretora de Seguros Sicredi, Felipe Caballero, concorda sobre a instabilidade no que diz respeito ao recurso. “Primeiro que hoje a quantidade de recurso disponibilizado é insuficiente para atender a demanda e adicionalmente a isso, a cada ano, há uma incerteza do que será disponibilizado no exercício seguinte, com isso o mercado segurador e o produtor não conseguem promover um planejamento adequado. Com essa incerteza, muitos produtores estão se direcionando para o Proagro, que é mais uma iniciativa de proteção e tem mais estabilidade, mas não é um seguro, gerido pelo Banco Central”.

Para o coordenador da Comissão Rural do Sincor-SP e sócio-fundador da Dellaquino Corretora de Seguros, Antonio Américo de Aquino, o governo tem que olhar a agricultura com atenção, mitigar um pouco mais o risco do agricultor. “Porque quando o agricultor não quebra, salva a vida do governo. Hoje há um projeto para substituir a subvenção, tanto que existe um seguro de risco parametrizado, que não tem subvenção e o seu custo é menor, por conta da parte operacional que é menos custosa, e é uma saída pelo menos para o grande agricultor”.

Edmilson Silva do Carmo, diretor administrativo da GC do Brasil e presidente da Esseg Corretora de Seguros, em Rio Verde, interior de Goiás, corretor especializado em seguro lavoura, acredita que a subvenção é uma ação necessária, mas ainda não é o ideal. “Deveria ser algo entre o governo e a seguradora, o fato de colocar isso na responsabilidade do agricultor, deixa o processo falho. E poderia ser automatizada no momento da cotação ao cliente e ter garantia de sucesso ou insucesso, além disso, os valores direcionados à subvenção ainda são abaixo dos valores necessários para atender aos segurados. Os agricultores se sentem incertos de sua contemplação, chegam a comparar com um sorteio, tamanho o desconhecimento e o descrédito na subvenção”.

A diretora da Excelsior, Maria Cristina, explana sobre o entendimento sobre a subvenção. “O programa de subvenção ainda não encontrou o balance da operação. Porém, é essencial a parceria entre os setores públicos e privados em busca dos mesmos interesses”.

Devido ao tamanho e importância do segmento, faz muito sentido o apelo do setor para que o programa seja ampliado para atender mais produtores e culturas, apesar do desafio imposto pela restrição de recursos do governo, explica o diretor comercial da Swiss Re Corporate Solutions, Guilherme Perondi. “Considerando o peso e importância do setor para a sustentação do crescimento econômico, concordamos que essa pauta precisa ser mantida em discussão sempre, se quisermos aumentar o nível de proteção oferecido ao setor”.

O orçamento aprovado pelo Governo Federal para o ano de 2018 é de R$ 384 milhões, enquanto a demanda do setor para que o recurso suporte a demanda é de no mínimo R$ 1,2 bilhão, declara Wady Cury, diretor geral de habitacional e rural do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre. “De qualquer forma, o Ministério da Agricultura tem buscado nos últimos anos, dentro de todas as limitações, concretizar melhorias importantes, tanto na transparência das informações referentes às apólices subvencionadas, quanto na operacionalização, disponibilização e pagamento dos valores empenhados”.

Obstáculos do seguro agrícola

Para Felipe Michels Caballero, gerente de produtos da Corretora de Seguros Sicredi, o seguro agrícola é o pior tipo de risco para o mercado segurador, porque tem baixa frequência e alta conseqüência. “Ou seja, acontece poucas vezes, mas quando acontece tem um impacto financeiro muito grande, dificultando a precificação da seguradora. E isso torna o seguro agrícola pouco atrativo e se for mal gerido, pode quebrar uma seguradora, por isso, só temos no mercado 11 companhias atuando”.

Por ser um segmento que requer especialização, tem custo operacional diferenciado e possui uma margem reduzida. Segundo Caballero, essas características tornam o mercado pouco atrativo. “E esse é um dos entraves para o seguro agrícola. Na medida em que tivesse mais players nestes segmentos, estimularia a concorrência e teria avanço mais significativo no que diz respeito a produtos”.

Ele ressalta que existe um gap orçamentário no país, em que o governo tem que eleger prioridade e não tem conseguido promover a devida priorização do seguro agrícola. “Para um país que tem 24% do PIB focado no agronegócio se espera que seja prioridade, mas temos um contexto político e normativo que tem sido complexo nos últimos anos no país. O Sicredi não participa das discussões políticas, mas sabemos que esse é o cerne das discussões da bancada ruralista em Brasília”.

Caballero enfatiza que há um gargalo no seguro agrícola que precisa ser diminuído, e que acontece principalmente pela falta de divulgação deste ramo. “Há o contrato do seguro, de forma concentrada, de modo que quem contrata tem percepção de risco. Os maiores volumes comercializados estão nas regiões onde tradicionalmente tem sinistro. E a pulverização do seguro é importantíssima, principalmente neste tipo de seguro que é catastrófico”.

Edmilson Silva do Carmo, corretor especializado em seguro lavoura, diz que o que falta para alavancar o seguro rural é uma política pública eficaz para o apoio produtivo quando há um evento climático. “Falta orçamento próprio, visão geral do custo da lavoura e principalmente renda para garantir que o agricultor foque na lavoura mesmo com frustrações de safra, permanecendo assim na atividade. Falta também o ressegurador conhecer a realidade do agronegócio, pois nossa geografia é extensa e cada estado tem sua particularidade de clima e produção, além de mais informações confiáveis e próximas da realidade, nosso IBGE, por exemplo, não retrata a realidade de produtividade aos agricultores que utilizam tecnologia de ponta”, opina.

Já na opinião de Maria Cristina Betencourt, da Excelsior, para o sucesso de uma operação desta natureza, um modelo de parceria entre o setor público e privado é o caminho mais coerente e seguro. “É preciso parcimônia quando se deposita toda a responsabilidade ao valor disponibilizado pelo setor público. Precisamos andar lado a lado”. Para ela, também é preciso persistência, pois um sistema robusto e confiável não é construído em menos de 10 anos. “Em paralelo à evolução deste processo, caberia também aos órgãos responsáveis, sindicatos e cooperativas levarem até o produtor do campo informações sobre a importância do seguro rural, através de treinamentos e palestras, estimulando sua contratação”.

Guilherme Perondi comenta que o grande desafio para as seguradoras e todos participantes do setor é o tamanho, diversidade e complexidade do setor agrícola brasileiro. Poucos países têm tamanha diversidade em termos de tipos de cultura, áreas agrícolas e perfil de produtores como o Brasil. “Uma análise rápida e quase intuitiva permite compreender esse desafio: plantamos de frutas a grãos, passando pelo cultivo de florestas e por uma atividade pecuária muito importante. O perfil dos produtores varia entre pequenos agricultores, cooperados ou não, e grandes produtores, todos com perfis específicos em termos de tecnologia e produtividade. Essa complexidade torna o Brasil um grande desafio em termos de adaptação de produtos e distribuição, mas também uma oportunidade para testar novas soluções e coberturas”.

“Hoje, apenas uma pequena parcela, menos de 14% da área de produção nacional, tem cobertura de seguro agrícola, o que mostra o enorme desafio e potencial de expansão para o seguro rural”, reforça Wady Cury, do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre. Ele comenta que mais de 86% da área total agrícola do Brasil não possui seguro. “Este é um desafio do setor privado, em conjunto com o setor público, de desenvolver e fortalecer um programa de seguro agrícola que tenha perenidade e atenda aos milhares de produtores rurais nas diversas regiões do país, mas sempre respeitando as suas características, especificidades e diversidades”.

Corretagem em campo

O corretor Fabio Dias, sócio da Fend Corretora de Seguros e especialista em seguro rural, que atua em São Paulo com clientes também no Paraná e Mato Grosso, explica que em virtude de muitos sinistros, as seguradoras estão se protegendo mais. “Elas têm aceitado até três anos de uso de colheitadeira, de qualquer tipo de cultura, por exemplo, as anteriores a 2015 temos dificuldade de colocação, a não ser que já façam parte da carteira da companhia”.

O corretor conta que depois da lavoura, a segunda modalidade que tem aquecido o setor é o seguro de benfeitoria. “Há dois tipos, a benfeitoria rural e o penhor rural. A intenção dos dois produtos é a mesma, a diferença é que o penhor rural é para os produtos dados em garantia de alguma transação de crédito e o de benfeitoria é o produto do produtor”. Segundo ele, em escala de percentual, considerando o volume de prêmio, o primeiro é de lavouras, com 50% de negócios, que se movimenta do seguro rural, e em segundo lugar estão os seguros de equipamentos como colheitadeiras, tratores. De acordo com sua experiência, a maior oportunidade do seguro rural é em seguro da lavoura, de tratores e colheitadeira, que são os mais usuais.

Ainda hoje a dificuldade maior é a cultural, “já que o produtor rural compra o seguro porque está sendo forçado por uma cooperativa, por um banco, por uma revenda, ou porque teve conhecimento de um sinistro e sentiu as perdas, mas por livre e espontânea vontade é difícil”, conta Fabio, que explica: “por exemplo, o produtor se dirige a uma revenda de insumo, a uma cooperativa ou banco de crédito, que querem uma garantia, e então colocam o seguro nesta operação e os coloca como beneficiário da apólice, se acontecer algum sinistro, serão eles os beneficiários”.

As regiões que geram mais negócios, segundo ele, são as que possuem muita lavoura, como o sul, no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul; o centro-oeste, onde estão os maiores produtores, em Mato Grosso e Goiás. Além das áreas que estão em um projeto chamado Matopiba, com Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que começaram há alguns anos com produtores rurais e investidores que desenvolveram essas regiões. “Mas hoje, os três estados que mais compram o seguro são Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, os três juntos adquirem quase 50% de tudo o que é vendido de seguro rural, segundo números de 2016”. Fabio Dias completa, ao dizer que em São Paulo há uma diversidade grande como na divisa com o Paraná, na região de Ourinhos, com demanda para grãos; na região de Vinhedo, Jundiaí, Indaiatuba na produção de uvas e tomate. “São Paulo é um pouco mais diversificado no volume de contratações. Porém há poucos corretores especializados”.

Para ele, é preciso ter ação estratégica conjunta com todos os players, para que o produtor tenha maior conhecimento do seguro rural. “É necessário os corretores de seguros divulgarem nas regiões que já atuam, as seguradoras com mais treinamento sobre seguro agrícola para o corretor, além de ações de governo, do ministério da agricultura, das cooperativas, associações e sindicato de produtores, que pudessem trabalhar a quatro mãos no mercado de seguros para difundir mais esse ramo”.

O corretor Antonio Américo de Aquino diz que o seguro rural melhorou muito, mas ainda é insuficiente, por causa da falta de algumas coberturas. “Como, por exemplo, o produtor não tem cobertura para qualidade, então se tiver uma perda de qualidade em consequência do excesso de chuva, ele não tem indenização”.

Segundo ele, os corretores enfatizam com as seguradoras sobre a importância desta modalidade de cobertura. “A questão da perda de qualidade é difícil de ser quantificada e as seguradoras sempre alegaram a falta de informação, o que é fundamental para o seguro”.

A produção brasileira em 2017 foi de 238 milhões de toneladas de grãos, mas esse ano, por causa de uma queda importante da produção, estima-se que chegue até 227 milhões de toneladas, segundo Américo. “E isso é consequência dos sinistros, por causa dos eventos climáticos, que têm acontecido muito e isso é um complicador para o produtor”.

Há 11 seguradoras atuando em seguro rural e mais algumas querendo entrar, pela pujança do agronegócio, pois com o aumento populacional, é preciso pensar na produção de alimentos para todos. “Em 2017, éramos 7,7 bilhões de habitações, em 2050 a ONU estima que seremos 10 bilhões e em 2100, 11,2 bilhões. Imagina a quantidade de alimento que será consumido por essas pessoas? Então precisamos cuidar da terra e da segurança do agricultor no campo”.

Para ele, as seguradoras têm avançado bastante nesta questão, algumas que já oferecem o seguro de renda. “Esse seguro cobre a variação de preço, que é uma das variáveis que o agricultor não tem controle. A outra é sobre o clima, que o seguro também cobre, mas neste caso, ele tem controle das doenças da lavoura”.

O corretor de seguros é um termômetro do mercado, segundo Américo, pois está em contato direto com o produtor e é o representante do segurado diante da seguradora, para suprir o agricultor da falta de conhecimento do produto, “por isso, a presença do corretor de seguro é fundamental, pois ele é um consultor, um aconselhador para o produtor, tanto que aqui na corretora estamos com um projeto de gerenciamento de risco, porque entendemos que isso previne o produtor e melhora o desempenho dele na agricultura, trazendo uma produção melhor e o risco do seguro é bem orientado”.

“Há pessoas especialistas que estão saindo de outra área, como o agrônomo, para a corretagem de seguros, e com certeza será um ótimo profissional, além disso, o corretor de seguros também está se interessando mais pelo produto e procurando conhecimento”, comenta Américo.

O papel das cooperativas no seguro agrícola

Segundo o professor Buainain, as cooperativas desempenham um papel importante na atividade agrícola como um todo e em particular para a promoção do seguro agrícola. Isso acontece porque os produtores estão espalhados em áreas extensas de municípios, o que eleva os custos de produção, reduz a capacidade de negociar com o mercado, tanto na aquisição de insumos como a venda dos produtos e na contratação de assistência técnica adequada. “Elas desempenham esse papel estratégico de transformar vários produtores em um produtor. Se apresenta ao mercado como comprador, vendedor de produtos e serviços, de uma maneira unificada melhorando muito o posicionamento do produtor no mercado”.

Segundo ele, a ideia do produtor mudou muito em relação há uma década, “pois hoje ele valoriza o seguro e percebe que é uma ferramenta de gestão de riscos importante que o protege e isso se deve em parte à função das cooperativas, que trabalharam junto aos agricultores para modificar a cultura e mostrar essa importância”.

É claro que as seguradoras também fizeram parte da lição de casa neste tempo. “As companhias melhoraram o desenho dos produtos, de modo que acercassem mais as expectativas e as necessidades dos produtores, e deixassem de ser produtos que eram vendidos sem ter uma grande utilidade”.

As cooperativas também têm outra finalidade importante, segundo Buainain, como redutor de custos. “O seguro rural envolve um conjunto de custos que está associado à própria natureza da atividade. E nessa redução dos custos, as cooperativas, ao orientar tecnicamente os agricultores, também fazem gestão de riscos, o que é fundamental”. E ainda acrescenta ao dizer: “Não é por outra razão que o seguro se desenvolve mais rapidamente nos estados brasileiros que as cooperativas possuem uma base mais sólida”.

Felipe Michels Caballero explica que o papel das cooperativas é viabilizar o acesso do produtor associado a essa gama de produtos oferecidos pelo mercado. “Facilitar o acesso, disponibilizar informação, prestar atendimento a seus associados, além disso, o papel de consultoria é importante neste segmento de produtos, que é algo que falamos muito no Sicredi, no sentido de orientar corretamente o produtor, de prestar todo apoio necessário para ele, não somente na parte do custeio, mas até a parte do sinistro”.

Ele aproveita e esclarece o que são as cooperativas de produção e de crédito. “As cooperativas de produção têm promovido movimento interessante no mercado em defesa dos seus produtores. Enquanto as cooperativas de créditos atuam mais voltadas para o braço financeiro do produtor, possibilitando custeio e acesso aos produtos de seguros; e tem em paralelo a isso, a atividade das cooperativas de produção, que são aquelas em que os produtores entregam sua produção, mantêm relacionamento, compram insumo etc”.

Há um movimento interessante da maior parte das cooperativas de produção do país, no intuito de possibilitar condições diferenciadas para seus cooperados. “Isso o mercado chama de operações estruturadas, ou seja, como a cooperativa tem informações privilegiadas de seus produtores cooperados, chama o mercado segurador e tenta customizar uma condição para aquele rol de produtores, passando informações individualizadas que possibilitam condições de coberturas diferenciadas, de aceitação e até mesmo de precificação, sendo mais atrativas e adequadas às necessidades dos produtores”.

O Sicredi tem mais de 3,7 milhões de associados, 1.582 agências em 21 estados do país e conta com 116 cooperativas de crédito filiadas, distribuídas em cinco centrais regionais – acionistas da Sicredi Participações S.A. –, uma Confederação, uma Fundação e um Banco Cooperativo, que controla uma Administradora de Bens, uma Corretora de Seguros, a Sicredi Cartões e uma Administradora de Consórcios. “E o papel da corretora de seguros do Sicredi é ir ao mercado e negociar produtos para colocar à disposição das cooperativas de créditos e essas disponibilizarem aos seus cooperados. Damos todo o amparo técnico para o negócio”, explica Caballero.

Inovações para alavancar o seguro rural

A Excelsior Seguros tem feito sua parte para alavancar o seguro rural no país, com investimentos em pessoas e sistemas. “Atualmente, estamos trabalhando em ferramentas com inteligência integrada, deixando o processo de subscrição mais rápido e moderno, apostando também no potencial humano como forma de deixar as novas ferramentas mais intuitivas e friendly”, explica Maria Cristina Betencourt.

João Carlos Inojosa, diretor comercial da mesma companhia, diz que a seguradora está desenvolvendo um aplicativo em parceria com o ressegurador, para a regulação simplificada de sinistros. “Ele será um sistema inovador e de fácil manuseio, que permitirá a regulação e liquidação dos sinistros de forma mais rápida e simples. Desta forma, traremos um grande benefício aos nossos segurados e corretores”.

Além disso, ele conta que há um grande investimento na equipe de subscrição e nos treinamentos da área comercial, pois acredita que o conhecimento e o domínio no assunto são fundamentais para transmitir segurança para os corretores. “Implantamos recentemente o novo departamento de Inteligência de Mercado, o que nos proporciona um melhoramento contínuo dos nossos produtos. Dessa forma, conseguiremos manter nossa competitividade e atualização dos processos ao longo do tempo”, completa Inojosa.

Para a Swiss Re Corporate Solutions, o crescimento seguirá vindo da adequação dos produtos para as necessidades do mercado local. “Também fizemos um investimento muito importante na distribuição, ao criarmos no ano passado uma joint venture com a Bradesco Seguros para aumentar o acesso de corretores e clientes finais aos nossos produtos”. Além disso, há um investimento em tecnologia e profissionais especializados para aumentar a capacidade analítica de dados climáticos, aumentando a sinergia com a matriz, que é uma referência mundial no segmento, conta Guilherme Perondi, diretor comercial da empresa.

Como exemplos concretos, a companhia trouxe para o Brasil soluções de produtos paramétricos, que são vinculados a índices climáticos de chuva, sol, vento ou calor. São produtos inovadores tanto para o segmento agrícola quanto para o de geração e distribuição de energia. “Esses seguros já estão em comercialização no mercado local e têm servido, em vários casos, para complementar coberturas dos produtos tradicionais. Já temos casos, inclusive, em que a apólice é contratada por uma empresa e a cobertura é oferecida para seus clientes (produtores rurais). Ou seja, é possível que uma solução paramétrica corporativa proteja o produtor na ponta”. Nos produtos tradicionais também há ampliação das soluções, “como o seguro de máquinas, equipamentos e benfeitorias para aviários, que passou a cobrir a vida do animal, e o seguro de grãos passou a aceitar a cobertura de milho consorciado com braquiária. Por último, é importante destacar que estamos oferecendo também cobertura para frutas de forma mais abrangente a partir deste ano”, comenta Perondi.

Quando se trata do seguro rural, mais especificamente da modalidade agrícola, o grande desafio está em como prever e mensurar os riscos inerentes a agricultura em decorrência da imprevisibilidade, seja em relação ao clima ou a flutuações no preço das commodities agrícolas, comenta Wady Cury. “Estas incertezas, cada vez mais presentes e percebidas por todos nós, associadas à conscientização do agricultor sobre a necessidade de se ter mitigadores para os seus riscos, induziram o aumento da demanda por seguros agrícolas”. Tanto que na companhia, as contratações de seguros agrícolas, que cobrem perdas de produção da lavoura, saltaram de 28 mil apólices, na safra 10/11, para 57 mil, na última safra, conta o executivo.

As seguradoras têm investido em tecnologia, novos produtos e serviços e capacitação dos canais de distribuição, formação de peritos de campo e divulgação dos produtos de seguro. “Nossos técnicos têm andado nos diversos rincões do país conversando com sindicatos rurais, federações de agricultura e grupos de produtores rurais para apresentar, debater e ajudar na compreensão das condições do seguro, além de capturar melhor seus anseios. Entendemos que estes fatores são essenciais para que os nossos produtos, serviços e processos sejam conduzidos de forma exemplar, tornando, assim, uma experiência singular, duradoura e sustentável para os nossos segurados”, enfatiza Wady Cury.

O Grupo opera com soluções para todos os tamanhos de operação em diferentes interesses seguráveis. É o caso do seguro com cobertura para perdas de produção para o café. Um dos destaques do portfólio é o produto Faturamento, por meio do qual o produtor pode ser indenizado com a diferença entre o faturamento previsto garantido e o efetivamente obtido com sua produção. “A dinâmica contemporânea, associada a uma agricultura de alta precisão, nos exige fortes investimentos em tecnologia e inovação. Há pilotos em andamento nos canais digitais, com cotações de seguros rurais, aviso de sinistro, acompanhamento e envio de documentos via aplicativos, além de vistorias também com utilização de meios remotos. Um dos carros chefes em inovação é a utilização de sensoriamento remoto nas operações de seguros agrícolas, que em nossa visão, será ferramenta indispensável para melhor conhecimento dos riscos e oferta de serviços aos clientes”.

Atenta ao potencial e à importância do agronegócio na economia nacional em 2015, a Tokio Marine criou o Departamento de Produtos Rurais com o objetivo de ampliar sua atuação no setor com seguros agrícolas, florestais e pecuários, entre outros. “Além de criar produtos específicos para que os produtores mantenham suas atividades mesmo quando tenham que enfrentar eventos como longas estiagens ou excesso de chuvas”, conta Márcio Martinati.

Recentemente, houve a reformulação e relançamento do Tokio Marine Agro Equipamentos, seguro destinado à proteção de diversos tipos de equipamentos utilizados nas operações de plantio, manejo, condução e colheita de cultivos agrícolas, além de disponibilizar coberturas contra danos elétricos, roubo e furto, operação próxima a água, responsabilidade civil, transporte, colisão e quebra de vidro. “A reformulação foi realizada pensando em oferecer um produto de fácil entendimento, maior transparência e coberturas personalizadas às necessidades de cada cliente. Todo o processo, desde a contratação até um eventual sinistro, é resolvido de forma rápida e sem burocracia”. Outro produto é o Tokio Marine Agro Safras, que foi lançado em 2016 e direcionado aos produtores rurais, cooperativas de produtores, revendas de insumos, instituições financeiras e fundos de investimento, o seguro Agro Safras está disponível em duas modalidades: o seguro de custeio e o de produtividade.

O futuro do seguro rural

Felipe Michels Caballero, gerente de produtos da Corretora de Seguros Sicredi, diz que sua expectativa é que haja mais um ano de crescimento, no que diz respeito a volume. “O mercado tem crescido de uma maneira constante, mas ainda aquém do esperado, poderia crescer muito mais se tivéssemos uma estabilidade da subvenção. As seguradoras têm se movimentado com relação à criação e diferenciação de produtos, e as cooperativas de produção têm feito um trabalho muito forte no mercado”.

Para Edmilson Silva do Carmo, corretor especializado em seguro lavoura, o mercado é promissor, mas ainda engessado por produtos que não atendem a realidade produtiva de toda a cadeia do agronegócio. “Porém, se olharmos para o que ocorreu nos países desenvolvidos e se ocorrer o que ocorreu nestes, teremos com certeza uma evolução importante para a carteira, sob todos os aspectos, inclusive social”.

Ele diz que, como muitos agricultores ainda não conhecem sobre o seguro, há grande potencial de crescimento. “Acredito que se o corretor especialista estiver calçado com um respaldo maior da seguradora, ele poderá ser mais agressivo em novas frentes de negócios”.

Mesmo diante destas conclusões de que o mercado brasileiro está no início de seu desenvolvimento, Guilherme Perondi, diretor comercial da Swiss Re Corporate Solutions, comenta que a companhia possui uma visão muito positiva desse segmento por sua relevância para o setor de seguros e para os segurados. “Trata-se de uma solução de seguros de grande valor para os produtores por protegê-los não só de situações de catástrofes climáticas, mas também de eventos menores que podem afetar, por exemplo, a produtividade de uma lavoura e gerar perdas significativas para o produtor. Temos uma posição importante nesse segmento e continuaremos investindo para aprimorar nossas soluções e serviços e seguir apoiando a atividade agrícola no Brasil”.

A diretora técnica da Excelsior Seguros, Maria Cristina Betencourt, fala que o Brasil é um grande potencial de crescimento, ainda explorado com muita dificuldade. “Enfrentamos problemas com o ciclo vicioso de pobreza e falta de escala. Nossos dados históricos ainda não são granulares o suficiente para uma boa precificação, bem como muitas outras questões não resolvidas. Porém, apesar de tudo isso, vejo o mercado com muito entusiasmo e otimismo, pois são nos mercados mal explorados que encontramos ótimas oportunidades”.

O Brasil tem apresentado um rápido crescimento comparativamente a outros países, “o que demostra mais uma vez a importância do agronegócio. As adversidades climáticas fizeram aumentar a preocupação dos produtores quanto a proteção de suas lavouras”, comenta o gerente de ramos diversos e produtos rurais da Tokio Marine.

“Temos visto que, além do seguro agrícola, os seguros de benfeitorias, máquinas e equipamentos se tornam importantes instrumentos de proteção desses bens, que em 2017, somaram no mercado, conforme dados SUSEP, mais de R$ 1,3 bilhão em prêmios. O seguro pecuário é outro que tem sido procurado pelos produtores. A cadeia de proteína animal e os riscos a ela associados, também se mostra promissora para produtos de seguro”, declara Wady Cury, do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre.

DESTAQUES

“Hoje há um projeto para substituir a subvenção, tanto que existe um seguro de risco parametrizado, que não tem subvenção e o seu custo é menor, por conta da parte operacional que é menos custosa, e é uma saída pelo menos para o grande agricultor”, Antonio Américo de Aquino, Comissão Rural do Sincor-SP

“O programa de subvenção ainda não encontrou o balance da operação. Porém, é essencial a parceria entre os setores públicos e privados em busca dos mesmos interesses”, Maria Cristina Betencourt, Excelsior

“Para um país que tem 24% do PIB focado no agronegócio se espera que seja prioridade, mas temos um contexto político e normativo que tem sido complexo nos últimos anos”, Felipe Michels Caballero, Sicredi

“Hoje, apenas uma pequena parcela, menos de 14% da área de produção nacional, tem cobertura de seguro agrícola, o que mostra o enorme desafio e potencial de expansão para o seguro rural”, Wady Cury, Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre

“Este é um desafio do setor privado, em conjunto com o setor público, de desenvolver e fortalecer um programa de seguro agrícola que tenha perenidade e atenda aos milhares de produtores rurais nas diversas regiões do país, mas sempre respeitando as suas características, especificidades e diversidades”, Wady Cury, Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre

“Hoje, os três estados que mais compram o seguro são Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, os três juntos adquirem quase 50% de tudo o que é vendido de seguro rural, segundo números de 2016”, Fabio Dias, corretor de seguros

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