Conectividade veicular

 

 

Grandes mudanças estão por vir nos seguros automotivos e na prestação de serviços

Por Karin Fuchs

Um estudo em conjunto da HERE, empresa de dados de localização com armazenamento na nuvem, e Swiss Re, denominado “O futuro dos seguros automotivos”, traça o cenário da conectividade veicular até 2020 e todos os impactos que isso causará ao mercado de seguros e na questão da segurança veicular. A estimativa é que, até 2020, globalmente, mais de dois terços dos veículos terão alguma forma de conectividade.

As chamadas ADAS (sigla em inglês para Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista) já estão presentes em alguns modelos de veículos, tais como o assistente de permanência na pista ou a frenagem de emergência. A mais comum é o assistente de estacionamento. Em um futuro breve, outras ganharão destaque, tais como, os alertas de saída de pista e de colisão frontal, e o reconhecimento de sinais de trânsito.

O estudo prevê que, até 2020, a taxa composta de crescimento anual da adoção de soluções de telemática híbrida será de cerca de 88%, incluindo a conectividade embutida (da montadora) e a conectividade compartilhada com eletrônicos de consumo, como o celular. Até 2020, estima-se que cerca de 260 milhões veículos conectados circularão no mundo.

Enquanto na modalidade embutida, o veículo pode transmitir aos servidores na nuvem os dados gerados por seus sensores integrados, possibilitando serviços conectados de maior sofisticação, na compartilhada, o veículo utiliza dispositivos para acessar a internet.

Para as seguradoras, a conectividade significa um enorme banco de dados que muda toda a forma de avaliação de risco e precificação, possibilitando a criação de novos produtos, como por exemplo, a partir do compartilhamento do veículo e a identificação de que é o condutor em determinado momento.

“A tecnologia está provocando profundas transformações no mercado de seguros automotivos, reduzindo alguns riscos e criando novas oportunidades para as seguradoras. Na Itália, por exemplo, 16% do mercado de seguros de veículos já é baseado na telemática”, diz Riccardo Ricci, gerente de soluções telemáticas da Swiss Re.

Segundo ele, entre as vantagens da telemática está a possibilidade de as seguradoras terem uma avaliação mais precisa do risco dos motoristas, avaliando seu real comportamento ao volante, o que as ajuda a gerir melhor suas carteiras de veículos e propicia um sistema mais justo, onde quem assume riscos é quem paga.

Além disso, “com a análise dos dados, as seguradoras podem dar aos motoristas avaliações que melhorem seu comportamento ao volante, o que reduz o custo de sinistros. E as plataformas digitais que conectam motoristas e seguradoras oferecem a estas últimas mais oportunidades de manter-se em contato com seus segurados, fortalecendo o relacionamento e aumentando a fidelidade dos clientes e as oportunidades de vendas cruzadas”.

Artur A. Giansante, Nortix

Para Artur A. Giansante, diretor comercial da Nortix, “um veículo conectado permite um certo monitoramento, capaz de fornecer dados para medir e rastrear à distância o veículo e o condutor. Na medida em que as seguradoras puderem explorar melhor as informações oriundas dos veículos, elas poderão conhecer melhor seus clientes e riscos, o que permitirá a precificação adequada e correta ao perfil de cada cliente”.

O vice-presidente de auto e massificados da SulAmérica, Eduardo Dal Ri comenta que o mercado segurador está antenado à tendência de conectividade e pensando de forma estratégica sobre o tema. “Também está realizando testes e experimentos de precificação para ofertar produtos e coberturas cada vez mais completos. E a evolução tecnológica traz com ela oportunidades de inovação.

Como exemplo, ele menciona o uso de big data e de recursos como conectividade (do veículo ou do cliente). “O que gera oportunidade de ampliação do conhecimento e entendimento do cliente, sua dinâmica de interação com o mundo e as empresas. Com isso, aumenta também nossa capacidade de oferecermos produtos customizados, que agregam valor e promovem boas experiências aos clientes”, afirma.

Roberto Posternak, Ituran

Na opinião do diretor Comercial da Ituran, Roberto Posternak, “o setor de seguros mundial será impactado de alguma forma com a conectividade, e de forma positiva. A recuperação dos veículos roubados/furtados será beneficiada por meio das informações que serão disponibilizadas pela conectividade, além de ajudar na prevenção de fraudes. Já temos algumas montadoras mundiais utilizando essa tecnologia. No Brasil, a Chevrolet com o OnStar, por exemplo”.

Ronaldo Megda, vice-presidente comercial de seguradoras da Tracker, prevê que a conectividade permitirá uma análise melhor do perfil do segurado, desde que ele autorize a coleta de seus dados, e até dispensando o questionário de análise de perfil. “A tendência é que seja possível a análise do perfil do motorista, desvinculando-a de um veículo específico. O bônus tem que ser do segurado e não do veículo”. Para ilustrar, ele cita que algumas pessoas têm um segundo carro para utilizá-lo somente no dia do rodízio veicular, em São Paulo.

Questionário de risco

Com base nos dados proporcionados pela conectividade, Eduardo Borges, diretor comercial da Autoglass, avalia que “a partir do momento que nós e as seguradoras conseguirmos consumir esses dados de forma confiável, nós teremos informação para evoluir nos modelos de precificação que praticamos hoje, sendo mais assertivos aos riscos e, consequentemente, mais justos na precificação”.

Jessé Lopes, gerente de relacionamento e marketing da Carglass, segue na mesma linha. “O principal benefício é o melhor entendimento do perfil do motorista, permitindo que o mercado evolua cada vez mais no sentido de construir facilidades adicionais e customizar cada produto às necessidades e características de quem dirige, bem como dos demais ocupantes do veículo”.

Para ele, o aprimoramento da segurança é o principal proveito que o mercado automotivo poderá extrair do banco de dados, por meio da leitura do comportamento do motorista enquanto está em movimento, criando um ambiente mais seguro para todos. Já para Roberto Posternak, da Ituran, “conhecer melhor o risco do segurado levará a uma melhor precificação do prêmio. Para muitos clientes, o seguro será mais barato, já que será baseado na usabilidade do veículo”.

Eduardo Dal Ri diz que diante da evolução tecnológica deve haver uma mudança significativa no peso que a avaliação do questionário de risco tem no prêmio. “Em vez de perguntar as características do segurado/condutor, poderemos receber informações do próprio veículo e obter uma análise muito mais completa, como o perfil de direção do motorista. Isso significa olhar a particularidade do cliente e obter uma precificação mais ajustada a cada caso”.

Na opinião de Ronaldo Megda, “ainda não sabemos como as seguradoras farão a precificação, mas, sem dúvida, a conectividade permitirá uma série de informações para uma análise mais aprimorada do risco. A grande sacada do momento é como trabalhar as informações que você tem. E muitas delas já estão disponíveis nos veículos, com os dispositivos instalados”.

Riccardo Ricci, Swiss Re

Ricardo Ricci menciona outros benefícios, como a redução dos Índices Combinados pela diminuição da frequência e gravidade dos sinistros, graças ao monitoramento dos motoristas e ao feedback sobre seu comportamento ao volante. “Existe também um elemento de autosseleção: os motoristas melhores optam por apólices de seguros baseadas na telemática para serem recompensados com descontos por assumir menos riscos, por terem comportamento ao volante acima da média”, acrescenta.

E, ainda, o aumento da interação, satisfação e fidelidade do cliente, oferecendo aos segurados serviços de valor agregado; a possibilidade de recuperação dos veículos roubados com o uso dos dispositivos telemáticos instalados nos veículos segurados, e a detecção automática de colisões, baseada nos dados enviados pelo dispositivo telemático. “O que permite prestar assistência médica em caso de acidente mesmo quando o motorista estiver impossibilitado de ligar para pedir ajuda”, explica.

UBI

Realidade em alguns países, os Seguros Baseados no Uso (Usage-Based Insurance, UBI) também seguem como uma tendência no Brasil. Eles têm como parâmetro a frequência, local e a condutibilidade do motorista para a avaliação do risco. Ricci, da Swiss Re, lembra que na Itália, país avançado na telemática, as primeiras soluções de UBI eram baseadas na quilometragem.

“Os primeiros tipos de produtos no mercado não ofereceram qualquer componente variável ligado à utilização, apenas um desconto fixo antecipado. As primeiras soluções de UBI eram baseadas na quilometragem. Na fase seguinte, as seguradoras introduziram apólices com pagamento pela utilização (PAYD, sigla em inglês para “pague de acordo com a forma como você dirige”) relacionadas a UBI em conjunto com a caixa preta”, informa.

Hoje, esses produtos ainda representam cerca de 25% das 34 soluções telemáticas atualmente disponíveis no mercado italiano. “Essas soluções monitoram a quilometragem (diferenciando dia/noite, finais de semana e trajetos) e proporcionam um ajuste no prêmio básico a ser aplicado no momento da renovação”, especifica Ricci.

Eduardo Dal Ri, SulAmérica

A tendência, diz ele, é a migração para apólices UBI baseadas no comportamento ao volante (PHYD). “Essas soluções integram as informações coletadas sobre quilometragem com uma análise do estilo de direção do cliente, baseada na quantidade e intensidade das aceleradas e freadas, horários dos trajetos, velocidade, localização e outras, como informações contextuais, condições climáticas, horário do dia e dia da semana”.

Eduardo Dal Ri, da SulAmérica, conta que no Brasil o mercado segurador já começou a se movimentar nesse sentido, buscando soluções em relação ao seguro baseado no uso. “A SulAmérica tem realizado estudos para avaliar a melhor forma de utilizar as novas tecnologias para oferecer produtos mais completos e personalizados, e precificação mais assertiva aos nossos clientes”, antecipa.

Roberto Posternak destaca que “a Ituran está oferecendo estes produtos no Brasil, em algumas regiões da América Latina, além de Israel”. E que eles têm incentivado os segurados a adotarem itens de conectividade para reduzir riscos. “Principalmente pelos descontos no seguro pela recuperação veicular, e com uma tendência no UBI de forma que o cliente ganha um desconto por instalar o rastreador e outro desconto quando está usando na forma satisfatória para a seguradora”.

Acidentes

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente os acidentes de trânsito vitimam fatalmente 1,2 milhão de pessoas no mundo. Estimativas do estudo da HERE e da Swiss Re mostram que ADAS sofisticados (permanência na faixa, frenagem de emergência, visão noturna) podem reduzir a frequência dos acidentes com veículos equipados com esses sistemas em mais de 25% até 2020. E é esperado que ADAS avançados (piloto automático em rodovia) reduzam a frequência de acidentes rodoviários em até 45% no mesmo período.

Nas palavras de Ricardo Ricci, “é provável que menos acidentes levem à redução das perdas previstas pelas seguradoras o que, por sua vez, deve reduzir os prêmios dos seguros automotivos como um todo. Isso terá um impacto significativo sobre as seguradoras de veículos. Atualmente, os seguros de veículos totalizam US$ 700 bilhões (globalmente) e representam 42% dos prêmios brutos não vida de ramos elementares: esta mudança afetará não apenas os lucros, mas também a liquidez e a ocupação”.

Conforme Jessé Lopes, da Carglass, qualquer iniciativa que aumente a segurança no trânsito por meio da redução de acidentes é vista de forma extremamente positiva pela empresa. “A tecnologia ADAS e todas as outras que existem, ou virão a existir, impactam positivamente nosso negócio, não constituindo necessariamente uma alteração em nosso modelo de trabalho, uma vez que nosso DNA já traz inovação e treinamento constantes, fatores fundamentais para estarmos alinhados à implantação de recursos como este”.

Fraudes

Ronaldo Megda, Tracker

Ronaldo Megda, da Tracker, comenta o quanto a conectividade permitirá compreender o que ocorreu no momento do sinistro, como também evitar fraudes. “Os sensores conectados permitirão reconstituir o que aconteceu, como a data do acidente, a hora, velocidade anterior à colisão, local e o ângulo, independentemente da vontade das partes, o que também evita fraudes. Isso nós já fazemos instalando equipamentos nos veículos. Imagine quando toda essa tecnologia estiver embarcada (da montadora)”.

Ricci acrescenta, dizendo que “em caso de colisão, graças às funções telemáticas, a seguradora pode oferecer assistência médica e mecânica de forma ágil e eficiente, com contato proativo com o cliente ou envio de ajuda diretamente ao local do incidente. Além de localizar e recuperar o veículo em caso de roubo, uma caixa preta pode enviar alertas se o veículo estiver em movimento ou for danificado de alguma forma, bem como permitir encontrar o local onde um veículo está estacionado”.

Especificamente sobre fraudes, ele diz que “o aumento da eficiência da administração de sinistros por meio da oferta de relatórios detalhados sobre o acidente (coordenadas de GPS, forças que atuavam sobre o veículo no momento da colisão, etc.), reduz, assim, o tempo necessário para seu ajuste. E a detecção de fraudes também é facilitada pelo monitoramento do veículo”.

Na análise de Giansante, da Nortix, “a futura frota de veículos a ser produzida com toda a tecnologia embarcada irá permitir a captura de dados, de forma automática, remotamente, permitindo a validação e cruzamento de dados. Essas informações, somadas aos atuais sistemas em operação, irão corroborar com a melhoria da análise de riscos em todas as etapas do processo da seguradora (cotação, proposta, emissão e sinistro)”.

Porém, ele pondera que “essa conectividade não substitui os processos de filtro e análise utilizados pelo mercado segurador, mas vem contribuir para melhoria do processo. E um veículo conectado poderá ter seus dados hackeados para fins ilícitos. É preciso entender que a evolução acontece para o bem e para o mal. Toda a informação é útil e importante para minimizar os riscos e a sinistralidade, mas é passível de fraude”.

E o executivo cita alguns cases: “uma experiência realizada em 2015 pela revista “Wired” colocou uma dupla de hackers para invadir o sistema do Jeep Cherokee, dito por eles como um dos mais vulneráveis na época, o que expôs as falhas de segurança do utilitário, que recebeu uma atualização de software. E em 2013, uma experiência semelhante foi feita, em que a dupla assumiu o comando de um Ford Escape e um Toyota Prius. Pelo laptop conseguiam acionar a buzina, apertar o cinto de segurança e até mover o volante”.

Prestação de serviços

A conectividade veicular também muda exponencialmente a forma de trabalho das prestadoras de serviços. Na parte de monitoramento e rastreamento,

Ronaldo Megda, da Tracker, sintetiza que a partir do momento em que os veículos estiverem com a tecnologia embarcada, o mercado será totalmente diferente. “Para efeito de monitoramento, tudo o que estiver embarcado fará com que utilizemos essa tecnologia para prestarmos o nosso serviço”.

Eduardo Borges, Autoglass

Na parte de rastreamento, Megda explica que “diferentemente de monitoramento, falando de veículos roubados e furtados, a conectividade passa a ter suas limitações, pois assim como a tecnologia evolui, os bandidos também evoluem. Nesse cenário, será cada vez mais importante que uma empresa de rastreamento não adote uma tecnologia que seja GPS ou uma commodity, pois a tecnologia divulgada em série com certeza será anulada, pois do outro lado a evolução também existe”.

Para Dal Ri, “a maior facilidade de rastreamento e menor índice de colisão são fatores que influenciam na avaliação dos riscos e podem reduzir o valor do prêmio. Porém, veículos que utilizam sistemas de assistência ao motorista e mesmo os carros autônomos não estarão totalmente protegidos de outros eventos, como roubo e furto, alagamentos e más condições das estradas. Acreditamos que não só os ADAS, mas outros recursos tecnológicos podem trazer algum tipo de prevenção de acidente, e até mesmo de influência de condução das pessoas”.

Na opinião de Eduardo Borges, da Autoglass, “com os veículos conectados, nós teremos um novo universo de serviços e ferramentas que poderemos disponibilizar para o mercado. Acreditamos que em ambas as modalidades (conectividade embutida ou compartilhada), nós teremos oportunidades de novos negócios, estamos antenados para isso. O principal benefício será a possibilidade de interagirmos com o veículo, agregando serviços e gerando informações úteis para o perfil de risco”.

Jessé Lopes, da Carglass, lembra que “vários veículos comercializados atualmente já trazem em seus vidros, sobretudo no para-brisas, uma série de tecnologias embutidas que proporcionam inúmeras facilidades ao motorista, além de conferir mais segurança aos ocupantes. Elas cumprem a função de facilitar e mudar a relação do motorista com seu veículo”.

Em relação à conectividade, ele cita a possiblidade de acessar o cliente diretamente em seu smartphone, enquanto ele dirige ou não, e a possibilidade de criar uma série de negócios que chegarão diretamente a ele. “Com a captação dos dados compartilhados por dispositivos como este, a tendência é a construção de bases bastante qualificadas, chegando a itens que são determinantes para identificar o perfil, as preferências e hábitos de consumo e capacidade de compra deste cliente”.

Ele avalia que “o principal benefício é com a segurança, pois permite um monitoramento constante do veículo, de seu motorista e ocupantes do veículo. Além de novos negócios, por proporcionar a criação de uma base qualificada em termos de hábitos e preferências. E a qualidade, o armazenamento de dados permite aprimorar o que está sendo oferecido em termos de soluções tecnológicas para melhor atender ao mercado automotivo, proporcionando uma experiência de qualidade ao cliente no uso de seu veículo”, pontua.

Artur A. Giansante, da Nortix, enfatiza que as perícias e vistorias continuarão a existir, só que elas precisam evoluir e estar conectadas, acompanhando o mercado. “As informações da caixa preta dos veículos precisam estar disponíveis para acesso e análise, o que poderá facilitar o trabalho de perícias e vistorias. Esse acesso a um conjunto de dados, somados aos atuais utilizados, contribuirá na análise e parecer final dos laudos realizados. A conectividade não substitui os processos atuais, eles se complementam”.

Com atuação na área de gerenciamento de riscos e prevenção à fraude, Giansante explica que o tipo de informação que a Nortix fornece é fundamental para as seguradoras e continuará sendo, mesmo com o avanço de novas tecnologias. “O nosso foco e nossa atuação, portanto, não irão mudar”, ressalta. O que pode mudar é a forma de trabalhar.

E ele explica o motivo: “além da evolução tecnológica permitir a obtenção de informações, a legislação deve também permitir que as mesmas sejam acessadas e compartilhadas. Assim, nossa forma de trabalhar poderá mudar na medida em que conseguirmos obter, desde que a legislação assim o permita, informações com maior rapidez, diretamente dos veículos”, valida.

O que está por vir

As funções ADAS são sistemas desenvolvidos para automatizar, adaptar e aprimorar os sistemas dos veículos, visando maior segurança e melhor direção. As mais comuns são o controle adaptativo de velocidade de cruzeiro, controle automático das luzes, frenagem automática, manobras automáticas de estacionamento, detecção de pontos cegos, sistemas para evitar colisões, detecção de sonolência do motorista e navegação por GPS.

E também o controle de descida em ladeiras, adaptação inteligente da velocidade (como monitoram a velocidade atual e a comparam com os limites de velocidade, esses sistemas só funcionam em certas áreas), sistemas de alerta de desvio de faixa, visão noturna e monitoramento da pressão dos pneus.

“Esses sistemas utilizam câmeras (para o reconhecimento de sinais de trânsito, alerta de desvio de faixa, visão dos arredores, auxílio no estacionamento), sistemas de radar de curta, média e longa distância (para o controle adaptativo da velocidade de cruzeiro, alerta de tráfego nas transversais, detecção de pontos cegos) e ultrassom (para auxílio no estacionamento)”, especifica Ricci.

Ele conta que hoje as funções mais populares são frenagem de emergência e alerta de desvio de faixa, e exemplifica: “em seus cadillacs, a GM oferece alerta vibratório no assento desde o modelo ATS 2013. Se o motorista começa a desviar-se da faixa em uma rodovia, o assento vibra no lado da direção do desvio, alertando o motorista para o perigo; e vibra em ambos os lados quando é detectada uma ameaça frontal”.

O executivo também comenta que os avanços no mercado estão sendo liderados principalmente pela Daimler e Tesla. O Mercedes Modelo S está equipado com diversos sensores que analisam a pista à frente para ajustar a direção, velocidade e freios. “Ao mesmo tempo, o software instalado no Tesla Modelo S permite o uso de um piloto automático nas rodovias norte-americanas”, compara.

Na opinião do executivo, “de forma geral, acreditamos que as funções que visam aumentar a segurança passarão a ser parte integral das próximas gerações de veículos (inclusive detecção de pedestres, permanência na faixa, reconhecimento de sinais de trânsito, prevenção de colisões, detecção de sonolência e monitoramento de pontos cegos)”, cita.

E, ainda, “os dispositivos de bloqueio da ignição impedem a partida se o nível de álcool no hálito do motorista estiver acima de um determinado limite. A Coalizão Automotiva pela Segurança no Trânsito e a Administração Nacional da Segurança nas Rodovias dos Estados Unidos sugeriram a implementação do Sistema de Detecção de Embriaguez do Motorista (Driver Alcohol Detection System for Safety, DADSS) para a colocação de dispositivos de detecção de álcool em todos os veículos”, conclui Ricci.

Eduardo Dal Ri, da SulAmérica, diz que há espaço para todos os tipos de tecnologias. “Hoje, as mais comuns são as básicas, tais como alerta de colisão frontal, detecção de ponto cego e alerta de saída de pista. Aos poucos, outras, mais sofisticadas, estão sendo incorporadas, tais como assistente de permanência na pista, assistente de frenagem de emergência e visão noturna. E apesar de existirem alguns projetos, ainda não sabemos quando poderemos contar com soluções mais avançadas, como os carros autônomos”.

Para Artur A. Giansante, da Nortix, os dispositivos que tendem a ganhar mais destaque são os que apoiam o motorista de diversas formas, tais como, os que assumem responsabilidade sobre certas funções, e/ou avisam sobre algum perigo iminente. “Esses dispositivos têm uma maior presença nos modelos mais sofisticados e nos mercados mais desenvolvidos, em função do custo. Com a economia de escala, porém, teremos a possibilidade de contar com os mesmos em um número cada vez maior de veículos”, prevê.

Segundo ele, o custo da tecnologia embarcada e da conectividade ainda é alto e diretamente ligado ao que oferece. “Como exemplo, podemos citar os aviões. Temos modelos com o “básico” de tecnologia, mas suficiente para que ele possa fazer um voo com segurança, e aviões com tecnologia ‘sofisticada e avançada’, capaz de pousá-lo sem intervenção humana, em qualquer aeroporto, com segurança”, compara.

E faz uma previsão: “em um futuro próximo, poderemos nos dar ao luxo de programar o nosso destino, o veículo realizará todo o trajeto com segurança, sem a necessidade da intervenção humana. A tecnologia embarcada vem para trazer maior conforto ao usuário, mas, principalmente, segurança”.

“Algumas montadoras já estão incluindo em seus veículos sistemas de acionamento dos freios de forma automática quando há uma proximidade muito grande do veículo da frente e a velocidade está em desconformidade com isso; e alertas para quando o motorista sai da faixa de rolagem e passa para outra, sem o devido uso da sinalização no veículo, e limitadores de velocidade automáticos baseados na leitura da informação do GPS, o qual possui o limite daquela via já internalizado no sistema”, diz Roberto Posternak, da Ituran.

Iniciativas

Na SulAmérica, Eduardo Dal Ri informa que a companhia está atualmente realizando estudos relacionados às novas tecnologias. “Nós estamos realizando prototipagem e fazendo associações com startups. E a SulAmérica é pioneira no lançamento de um produto que cobra o prêmio de acordo com a utilização do veículo, como quilometragem, regiões e horários de circulação. Com isso, o preço cobrado é mais condizente com o risco do veículo”.

Outra iniciativa, comenta o executivo, “nós estamos conectados aos nossos clientes através, por exemplo, do nosso aplicativo SulAmérica Auto, presente no dia a dia do cliente por meio de serviços exclusivos”. Pelo aplicativo, o segurado pode solicitar guincho ou auxílio mecânico e acompanhar a chegada do prestador, consultar o status do sinistro, entre outras funcionalidades.

Para Ricardo Ricci, da Swiss Re, não há dúvidas que o aumento da conectividade permitirá a oferta de uma ampla gama de serviços aos clientes. “E as seguradoras devem conseguir avaliar a qualidade e os efeitos da maior conectividade sobre os riscos do seguro: prêmios menores para riscos melhores levarão os consumidores a adotar um comportamento melhor ao volante e uma tecnologia mais segura”.

Com efeito, a telemática dá às seguradoras uma avaliação mais precisa do risco dos motoristas, mensurando seu comportamento efetivo ao volante, consequentemente, ela permite definir para a cobertura um prêmio altamente correlacionado ao nível efetivo de risco do segurado. “E a telemática permite às seguradoras oferecer serviços de valor agregado, como alertas de velocidade e mau tempo, serviço de concierge exclusivo e até mesmo um alerta se o veículo sair de uma “área segura” predefinida”, especifica Ricci.

O executivo da Swiss Re também menciona que a expansão da Internet das Coisas tornará os sistemas muito mais eficientes para todas as partes envolvidas. “Sensores de ESP sinalizarão a presença de gelo nas rodovias, câmeras coletarão dados sobre limite de velocidade e emitirão alertas em caso de nevoeiro. Como os veículos estarão conectados, o sistema de navegação reprogramará a rota e permitirá o alívio do fluxo geral de tráfego, evitando congestionamentos”, cita. Além disso, será possível informar o motorista em tempo real caso haja um veículo na contramão.

Para finalizar, Ricci fala sobre mobilidade. “Um dos resultados do estudo (da HERE e da Swiss Re) é que conceitos como “estacionamento comunitário” e sistema de gestão ativa das áreas de estacionamento reduzirão em 380 milhões de quilômetros o tráfego em busca de estacionamento, enquanto os veículos autônomos permitirão economia adicional de combustível. Nos Estados Unidos, China e Alemanha, as funções relacionadas a estacionamento reduzirão o tempo gasto ao volante em cerca de 70 milhões de horas”, conclui.

Sistemas mais comuns

As ADAS (Avanced Driver Assistance Systems ou Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista, na tradução para o português), mais comuns são:

  • Controle adaptativo de velocidade de cruzeiro;
  • Controle automático das luzes;
  • Frenagem automática;
  • Manobras automáticas de estacionamento;
  • Detecção de pontos cegos;
  • Sistemas para evitar colisões;
  • Detecção de sonolência do motorista;
  • Navegação por GPS;
  • Controle de descida em ladeiras;
  • Adaptação inteligente da velocidade;
  • Sistemas de alerta de desvio de faixa;
  • Visão noturna;
  • Monitoramento da pressão dos pneus.

Prêmios
(Fonte: Swiss Re)

Em 2015, os seguros de veículos totalizam prêmios globais de US$ 510 bilhões. A previsão é que este montante chegue a US$ 616 bilhões em 2020, caso a taxa de adoção de tecnologias de automação veicular se mantenha constante nos patamares de 2015 e os efeitos da inflação sejam excluídos. Porém, levando em consideração o avanço tecnológico, em 2020 esse mercado teria um volume estimado de US$ 594 bilhões.

Isso sugere que, no período de seis anos, haveria uma redução de pouco mais de US$ 20 bilhões no volume anual de prêmios em decorrência do aumento da segurança nas estradas possibilitado por tecnologias de automação veicular. Globalmente, os seguros automotivos representam 42% do volume bruto de prêmios de todo o mercado de seguros elementares.

Monitoramento

Um estudo da Capgemini demonstrou que 65% dos consumidores estariam dispostos a permitir que as seguradoras monitorem sua conduta no trânsito em troca de prêmios mais baixos, mas, por outro lado, há também sérias questões de privacidade que dizem respeito aos dados de motoristas e que poderiam gerar novas barreiras regulatórias e legais.

Distribuidores

Um estudo recente da KPMG sugere que, para 58% das seguradoras, os fabricantes de equipamentos originais (OEM) passarão a estar entre os principais distribuidores de seguros automotivos no futuro, enquanto quase 40% acreditam que as empresas de tecnologia estabelecidas também se tornarão vendedoras diretas de seguros.

Análise de dados

Um estudo recente realizado pela Bosch e pela Prognos (Efeitos do Carro Conectado 2025), baseado na análise de dados dos Estados Unidos, China e Alemanha, projeta que em 2025 poderia ocorrer uma redução de 260.000 incidentes, de 360.000 feridos, 400.000 toneladas de emissões de CO2, bem como economia de tempo (80% do tempo gasto em rodovias poderia ser liberado) e de custos relacionados a danos (€ 4,3 bilhões).

Em 2025, os smartphones também estarão integrados aos sistemas de entretenimento informativo de cerca de metade dos veículos.

Conteúdo da edição 191 – Outubro/2017 – Revista Cobertura Mercado de Seguros

Relatório Cobertura nº 14

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