Muito além das plantações

 

Conteúdo da edição de junho (210) da Revista Cobertura

A grandiosidade do agronegócio e as perspectivas no mercado de seguros

Por Tany Souza

Segundo um levantamento no início do século 21 realizado pela Organizações das Nações Unidas (ONU), em 2050 haverá mais de 9,5 bilhões de habitantes na Terra. Para alimentar toda essa população, será necessário aumentar a produção de alimentos em 60%. Depois surgiram outros estudos considerando um tempo menor. O realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em conjunto com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) levou em consideração 10 anos, identificando a necessidade de aumentar em 20% a oferta global de comida. E o Brasil tem papel essencial, pois deve ampliar sua oferta em 40%.

Essa constatação foi reforçada em 2017, por outro estudo, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que mostrou que se espera que a contribuição brasileira à produção alimentar aumente em 41%. Isso porque os países produtores ficariam aquém dessa demanda, como por exemplo, EUA, com um crescimento de 10%; a União Europeia em 12%, e China, com 15%.

Esses dados fazem parte do livro “Agro é Paz”, projeto da Cátedra de Agronegócios criada pela Universidade de São Paulo (USP) em 2017 e abrigada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(ESALQ), de Piracicaba.

O livro mostra que o Brasil tem um grande desafio para enfrentar, pois é o único país que possui três características: tecnologia tropical sustentável mais efetiva do planeta, terra disponível para a ampliação da área agricultável e profissionais competentes em todos os elos da cadeia produtiva.

Segundo o estudo mostrado na obra, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aponta que, em relação à disponibilidade de terra, ainda há no Brasil 66,3% de vegetação nativa, uma característica inexistente em países com grande território como o nosso. E somente 9% do território brasileiro está ocupado com o plantio de todas as culturas cultivadas, inclusive florestas plantadas, e 21% está ocupado com pastagens, ou seja, apenas 30% do território está ocupado pela agropecuária nacional.
Isso mostra o grande potencial do Brasil em agropecuária.

Segundo o economista Francisco Galiza, durante a 29ª edição do programa Panorama do Seguro, em um debate técnico sobre seguro rural, o agronegócio no Brasil representa quase 25% do PIB do país e 50% das exportações do país passam pelo agronegócio. “Ainda há um espaço muito grande para o mercado de seguro rural crescer. Para se ter uma ideia, se comparar o seguro agrícola de 2015 com 2018, somente a área de lavoura cresceu 30%, em uma inflação de 20%. Todo o seguro rural chega a R$ 4,5 bilhões em prêmios, que cresceu 40%, mas ainda há muito espaço para esse desenvolvimento”.

Tecnologia e o setor de agronegócios

Segundo o livro “Agro é Paz”, hoje no Brasil há 62 milhões de hectares com grãos cultivados. Se tivéssemos a mesma produção que havia na época do Plano Collor, teríamos que desmatar e semear mais 88 milhões de hectares para colher a safra deste ano. Porém, essa área foi poupada de desmatamento, o que demonstra a capacidade tecnológica desenvolvida no Brasil.

Olhando o setor por um grande prisma, há um desafio que inclui alimento, água, energia, segurança alimentar mundial, além de mudanças climáticas, demográficas, recursos naturais, longevidade da população, escassez de mão de obra no campo. Esses são somente alguns obstáculos levantados por Silvio Crestana, pesquisador e ex-presidente da Embrapa, que escreveu o capítulo “Tecnologia e Inovação no Agro”, no livro citado.

Porém, ele enfatiza que há uma luz no fim do túnel, se considerarmos as oportunidades trazidas pela tecnologia da indústria 4.0, pela agricultura digital e pela convergência tecnológica, e se cada uma for bem desenvolvida e aproveitada. Desta forma, poderá nascer o novo conceito de agricultura 4.0 ou digital.

É para essa visão que muitas empresas de tecnologia voltam seus olhares para o mercado de seguro rural. Um ramo que abrange não somente o campo, mas também todos os aparatos e sistemas que fazem esse setor acontecer e se desenvolver o país.

Para Lucas Tuffi, diretor comercial e marketing da Agrotools, o agro passa por uma revolução tecnológica e é importante segmentar o que está sendo direcionado para ‘dentro da porteira’. “Ou seja, soluções para o produtor rural, ou soluções corporativas, portanto, para as empresas que se relacionam com o território rural. De forma geral, tanto para fora ou dentro da porteira, o mundo da transformação digital está propondo soluções que vão desde IoT, BigData, softwares de gestão, até blockchain, conectividade e hardwares especialistas”.

Dentre essas, a tecnologia mais completa depende totalmente do target e agenda específica. “Existem soluções incríveis para melhorar o manejo do produtor, sua gestão, entre outros aspectos. Assim como soluções completas e de alto impacto para o setor financeiro que atua no agro, ou para a indústria, tradings. Enfim, existem soluções para todos os stakeholders que atuam nesse ecossistema. O importante, em um mercado com plena inovação, é identificar a empresa com o melhor track-record de entregas”.

Tuffi reforça que o mercado tecnológico para o agrobusiness está em evolução exponencial. “Em um recente estudo da Liga Ventures, foram mapeadas mais de 300 AgTechs somente no Brasil, focadas em diferentes desafios do ecossistema Agro. O mercado é realmente muito amplo e com diversas oportunidades e o mais interessante é que está sedento por inovação”.

A tecnologia no agronegócio já começa a mudar os resultados das safras, de acordo com João Carlos Machnick, CEO da Atix Seguros, com o aumento na produtividade e redução das perdas no campo.
“Impulsionado por recursos como internet das coisas, inteligência artificial, realidade virtual/aumentada e computação cognitiva”. Ele ainda diz que “o agronegócio está adaptando sua estrutura, com interligação total do perímetro via internet e qualificação de mão de obra, de modo a fortalecer sua competitividade no mercado internacional e tornar a produção mais sustentável”.

Para ele, não há dúvidas de que toda evolução tecnológica é muito importante, especialmente, para um setor como o de seguros, que trabalha com probabilidades. Porém, ele ressalta que há um desafio em convencer as seguradoras da validade dos dados de agricultura de precisão. “Segundo informações de que disponho, a Federação das Seguradoras participa de reuniões com o setor para melhor entender como funciona a coleta de dados e qual é a confiabilidade. A partir disso, as áreas técnicas das seguradoras analisarão a viabilidade de seguros diferenciados para quem trabalha com agricultura de precisão”.

Agronegócio para o corretor de seguros

Para o CEO da Atix Seguros, há boas oportunidades para o corretor de seguros no agronegócio. Segundo ele, a expectativa é que a produção de carne bovina cresça em média de 2,6% ao ano, chegando a 10,8 milhões de toneladas em 2021. Além disso, há previsão do aumento do consumo da proteína, em termos absolutos no país, com previsão de crescimento de 5,3% no mesmo período. “Diante deste cenário, os produtores brasileiros ganharam importância e ainda mais responsabilidade sobre sua atividade. Com o seguro rural, o pecuarista pode garantir a vida dos animais, que são classificados em duas modalidades, seguro pecuário elite, que inclui os bovinos utilizados para incremento de plantel, seguro para rebanhos comerciais e rebanho de produção de leite e de corte”.

O professor da Escola Nacional de Seguros, diretor de comunicação do Sincor-GO e delegado do sindicato junto à Fenacor, Hailton Costa Neves, comenta que as mudanças tecnológicas representam uma mudança enorme para o seguro agro. “Primeiro porque à medida que surgem novas tecnologias no agro, obriga o corretor a ser mais especializado, e na contrapartida é o favorecimento para aquele que está mais preparado”. Ele afirma que não é uma tarefa fácil estar sempre atualizado, “mas eu vejo com bons olhos e boas perspectivas para o corretor que entende deste ramo”.

Neves diz que há vários fatores para não haver muitos corretores que atuam nesta área. “Um dos principais motivos é a especialização, pois é um mercado que compete muito com as corretoras de banco. Depois é que o mercado já está mapeado e para ter novos entrantes a tarefa não é muito fácil”, opina.

Oportunidades

Dentro do agronegócio há vários segmentos que permitem uma apólice diferenciada como o de transporte, pecuário, de armazenamento. “E todos, de alguma forma, estão aquecidos. Por exemplo, o produtor tem plantado bastante e as grandes multinacionais que fornecem defensivos agrícolas exigem que quem estoca tenha uma apólice de seguros importante. E quem transporta está no mesmo caminho, faz seguro porque é necessário”.

Segundo ele, no primeiro trimestre de 2019 aumentou em 29% a venda de máquinas agrícolas. E, com isso, de acordo com Hailton Neves, surgem novos produtos no mercado. “Talvez em um ritmo mais acelerado, mas cabe ao corretor estudar quais são os interesses seguráveis do cliente. Senão corre o risco de vender o seguro que não o atenda no momento que ele precisa. Hoje, para se ter uma ideia, consigo fazer seguro para a casa do produtor rural, o que até há pouco tempo isso não era possível. Então, essa modernidade dos produtos será cada vez mais constante”.

Para o 2° vice-presidente do Sincor-PR, Claudemir Rossetto, a tecnologia aumenta a produtividade enquanto reduz o custo. “A tecnologia aplicada ao setor do agronegócio exige de toda a cadeia ao seu entorno uma adaptação, que inclui a formação voltada à aplicação das mesmas no dia a dia pelos agricultores, que vai desde a liberação pelo governo de recursos com taxas baixas e carência para pagamentos, para que o agricultor possa realizar o investimento e com ganho na produtividade cumprir compromissos financeiros assumidos”.

Segundo ele, a tecnologia também trouxe às seguradoras a possibilidade de criar novos produtos. “Para atender a proteção necessária dos novos equipamentos, mais tecnológicos e mais caros, como também, a melhoria dos índices de produtividade garantido nas apólices de Seguro Multiriscos para Lavouras”.

Para Rosseto, os corretores enxergam as seguradoras como conservadoras em relação às mudanças tecnológicas do setor.

Ele diz que o profissional que deseja operar neste mercado necessita entender o funcionamento das regras de cultivo, que são de responsabilidade do Ministério da Agricultura. “Como, por exemplo, Zoneamento Agrícola e Subvenção Federal e Estadual. Deve também se qualificar no conhecimento das Condições Gerais do Seguro Agrícola e demais seguros voltados à proteção de toda a cadeia do agronegócio”.

Para a coordenadora da comissão rural do Sincor-SP, Karen Matieli, as novas tecnologias possibilitam a evolução, ganho em resultado, análise e gestão da pecuária. “Os pecuaristas estão buscando tais ferramentas como gerenciamento de suas atividades. Tenho acompanhado alguns rebanhos que utilizam estas soluções e é notório o gerenciamento eficiente”.

Segundo ela, assim como o pecuarista procura por um seguro quando adquire um equipamento para a fazenda, ele deve procurar pelo seguro pecuário como forma de gerenciar o risco de sua atividade. “Seja rebanho ou gado elite, há concentração de risco. Por exemplo, no confinamento muitos animais estão expostos a vários riscos, ou seja, uma probabilidade maior em riscos catastróficos. Já no gado de elite, ou seja, animais de alto valor genético, temos em um único animal um valor elevado, o que concentra o risco em um único semovente. Enfim, nada é tão efetivo quanto um seguro, que garante estabilidade, haja o que houver”.

Karen explica que o seguro pecuário evoluiu nos últimos dois anos, conquistando alguns espaços, antes sequer almejados. “Em fevereiro de 2018 apresentei ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a necessidade de inserir uma rubrica dentro do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) de modo a destinar um recurso específico à nossa pecuária. Tamanha nossa relevância que o pleito foi aceito e publicado no DOU em 15 de março do mesmo ano”, compartilha.

Ela comenta que o recurso ainda é tímido, porém tem esperança em ser maior. “Isso porque temos o apoio de várias entidades da pecuária, como ABRALEITE, ABCZ, Associação Brasileira dos Criadores de Senepol, ASSOCON, entre outras, buscando um espaço maior dentro do PSR”. Já em novembro do ano passado, alguns passos foram dados. “Entidades se uniram, em um único documento apresentado à CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), pedindo apoio para que mais recursos fossem destinados a subsidiar apólices de seguro pecuário”.

Há algumas dificuldades deste setor, em específico, segundo Karen, mas a principal ainda é a falta de cultura ou informação.

A Comissão Rural avança sua ação junto ao Executivo, Legislativo, Setorial e setor privado. “Essa atuação permite o constante acompanhamento de tudo que envolve nosso segmento, com o principal objetivo: buscar soluções e apoiar o homem do campo. Esta comissão participou de muitas ações ativamente, como a conquista de mais recurso ao FEAP em 2018, com apoio dos Deputados Arnaldo Jardim e Itamar Borges. Nossa busca é incessante”, enfatiza Karen.

Mudanças do setor – Seguradoras no caminho

Para Gabriel Bruno de Lemos, Head de Subscrição de Seguros Rurais da Swiss Re Corporate Solutions, o termo tecnologia é muito abrangente. Para ele, considerando o processo de melhoria e desenvolvimento de sementes, por exemplo, houve uma evolução fantástica nos níveis de produtividade. Porém ele diz que, se olhar a tecnologia mais recente como a computação, digitalização, ainda há avanços para o setor agrícola. “A utilização de drones, satélites e outras formas de coletas de dados permitirá um entendimento da variabilidade de produção cada vez mais detalhado. Corrigir estas variabilidades no campo se tornará economicamente viável e, com isto, mais avanços em produtividade e/ou estabilidade de produção”.

Há diversas mudanças de tecnologia que impactaram positivamente o seguro rural, de acordo com o gerente de Produto Agro Safras da Tokio Marine, Joaquim Neto. “Algumas relacionadas ao aumento da produção agrícola que resultam em maior interesse pela transferência de risco e outras relativas às próprias atuações das seguradoras e corretoras de seguros para atender a esse mercado em expansão. A utilização de sistemas (TI), de satélites, de drones, os estudos de climatologia e as melhorias no pacote tecnológico são ótimos exemplos”.

Ele ainda dá outros exemplos, como melhorias no pacote tecnológico que visam aumentar a produção agrícola. “Temos sementes de grãos com maior produtividade e resistência aos problemas climáticos e a doenças, defensivos agrícolas mais eficientes, além de fertilizantes que proporcionam maior rendimento da safra. A própria agricultura de precisão que visa melhor aplicação de nutrientes no solo é um excelente exemplo de avanço tecnológico”.

As máquinas e equipamentos empregados na atividade agrícola também tiveram avanços tecnológicos, sendo responsáveis por uma melhor performance do agronegócio.

Para Everton Todescatto, gerente nacional de seguro agro da Sancor Seguros, o surgimento de tecnologias que permitem, cada vez mais, coletar um número maior de informações relativas a clima, solo, comportamento das cultivares e avaliação dos danos, torna o trabalho da seguradora cada vez mais assertivo na hora de elaborar um produto e também uma proposta de apólice. “Com essas informações sendo compiladas teremos também ainda mais condições de desenvolver novas coberturas e soluções para atender ao agronegócio brasileiro”.

O gerente de projetos estratégicos da Sancor Seguros, Alfredo Tulian, complementa que os mercados de seguros em todo o mundo estão passando por mudanças significativas em relação às expectativas do cliente, condições do mercado e ao ambiente competitivo geral. “O crescimento do prêmio tem sido estável em muitas regiões e os riscos de seguro estão mudando significativamente por causa de novos desenvolvimentos tecnológicos, como a Internet das Coisas (IoT)”.

Gabriel Bruno de Lemos, da Swiss Re Corporate Solutions, comenta que o seguro paramétrico climático pode ser considerado como um “filho” desse avanço da tecnologia de imagens de satélites. “Atualmente, utilizamos estas informações para estimar se houve ou não chuva, e em qual quantidade, em lugares com pouca quantidade de estações meteorológicas”.

Outra forma de utilizar a tecnologia seria por meio dos índices que mensuram biomassa, como o NDVI, e que também são extraídos de imagens de satélites, segundo ele. “No passado, estas imagens eram caras e com baixa resolução. Hoje, os preços caíram bastante, em muitos casos são gratuitas, e a resolução aumentou. Isto está permitindo entender o impacto nas culturas de interesse em função de eventos climáticos específicos, como logo após a ocorrência de uma geada”.

Produtos

Com o aumento da produção agrícola, as seguradoras expandiram as coberturas de seus produtos de seguros agrícolas e aumentaram os níveis de coberturas assumidos, comenta Joaquim Neto, da Tokio Marine. “A prática de plantio de algumas culturas no período do inverno, como o milho safrinha, foi uma grande evolução e por conta disso as seguradoras desenvolveram seguros específicos para atender a essa prática”.

Os produtos da Sancor Seguros também tiveram uma melhora significativa com a tecnologia, de acordo com Everton Todescatto. “Com uma nova ferramenta de georeferenciação das propriedades seguradas pelo grupo Sancor Seguros, hoje, em tempo real, temos mais de 10 mil propriedades sendo monitoradas 24 horas por dia. Podemos antever situações extremas e trabalhar essas informações na avaliação do risco para a melhoria de produtos”.

Dentro do segmento de seguros rurais, a Sancor possui uma modalidade que atende as características do proprietário rural. “O produto se chama ‘Vida – Produtor Rural’ e foi desenvolvido para atender às necessidades do produtor. Com a proteção do seguro de vida o agricultor se protege de imprevistos”.

Na Tokio Marine, o seguro agro é um mercado em que a seguradora está presente desde 2016 e é uma carteira que está em constante crescimento, principalmente pela importância do agronegócio, que representa 21% do PIB nacional, e pelo trabalho que tem sido feito pela empresa para fomentar a cultura do seguro entre os produtores. “Em 2018, o seguro agrícola teve um crescimento de 5,8% comparado ao ano anterior, somando R$ 2 bilhões em volume de prêmios no País. Ainda assim, temos um potencial enorme a explorar, visto que os seguros para o setor agrícola cobrem apenas 10% do mercado nacional”.

Diante disso, a companhia ampliou em março deste ano a cobertura de seguro safra. “Atualmente temos atuação em todo País em mais de 70 tipos de culturas como Grãos de inverno e verão, hortaliças, cana-de-açúcar e café. Oferecemos cobertura para intercorrências climáticas como seca, excesso de chuva, granizo, geada, entre outros”.

Segundo Joaquim Neto, no cálculo com algumas informações complementares sobre pacote tecnológico, como insumo de maior valor agregado, irrigação, maquinário e tipo de solo, por exemplo, a seguradora consegue incrementar em até 30% o valor da média de produtividade do IBGE, “o que possibilita aumentar o valor segurado da apólice. Vale ressaltar também que nossa equipe está preparada para atender e oferecer coberturas de acordo com o tempo e região de cultivo de cada safra”.

Tendências e perspectivas – uma visão macroeconômica

Para o diretor comercial e marketing da Agrotools, Lucas Tuffi, a conectividade será um gargalo que se deve focar nos próximos anos. “De nada adianta o desenvolvimento de soluções sofisticadas para o território rural se o mesmo encontra-se completamente desconectado”.

Com isso, ele acredita na consolidação de algumas iniciativas e desmistificação de outras. “Por isso, o ponto crucial no mundo da transformação digital do agronegócio é o histórico de entregas e solidez das iniciativas. Como em todo mercado relativamente novo, há entrantes com menor conhecimento e maturidade, mas também há aqueles que possuem seu valor e estes devem se tornar ainda mais relevantes”.

Para a Atix Seguros, a visão é mais política e econômica. João Carlos Machnick, CEO da companhia, comenta que, com a gestão de um novo governo, o setor espera mais atenção para a principal ferramenta de mitigação de riscos da agropecuária, que é o seguro rural. “O novo ministério da agricultura demonstra interesse em aumentar a área protegida com o seguro e, consequentemente, precisamos estreitar os laços entre pecuaristas e o governo, trazendo a importância de valorizar ainda mais a nossa pecuária, que segue investindo, sozinha e assumindo seus riscos, em genética e tecnologia”.

Além disso, recentemente, o apoio de parlamentares ajuda na suplementação de recursos no Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), para o seguro rural, segundo ele. “O assunto voltou à pauta já no início do ano, em reunião onde foram discutidas possíveis alterações no programa, que enquadra políticas públicas e de incentivos ao agronegócio paulista, onde a subvenção ao prêmio do seguro rural está inserida”.

Para Joaquim Neto, gerente de produto Agro Safras da Tokio Marine, a capacitação de técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos com visão crítica e interdisciplinar, preocupados com o manejo ambiental e a sustentabilidade na produção de alimentos, ajudam o Brasil a ter uma das maiores receitas mundiais do agronegócio. “A tendência é de que o agronegócio continue a ter uma grande relevância no PIB do País e naturalmente o seguro rural acompanha essa perspectiva. Na Tokio Marine, com as mudanças que implementamos em 2019, a expectativa é crescer 150% ainda esse ano e chegar ao número de R$ 20 milhões em prêmios. Nosso foco é estar entre as quatro maiores seguradoras do setor nos próximos três anos”.

O gerente nacional de seguro agro da Sancor Seguros, Everton Todescatto, lembra um evento recente. “Com certeza o impacto ocorrido na última safra de verão pela seca em determinadas regiões e culturas influenciará nos resultados finais de produção brasileira. Mas a agricultura é uma atividade que tem capacidade de se recuperar rapidamente e, por isso, segue sendo um dos alicerces da economia brasileira.
Fatores externos como abertura de novos mercados para os nossos grãos e a retomada econômica devem
impulsionar um maior crescimento do setor”.

E esse crescimento sempre constante apresentado pelo setor é o que espera Gabriel Bruno de Lemos, Head de Subscrição de Seguros Rurais da Swiss Re Corporate Solutions. “De uma maneira geral esperamos o comportamento de sempre deste setor, ou seja, que cresça apesar de todas as dificuldades que o país enfrenta. Para 2020, existe grande expectativa do aumento do apoio governamental para o seguro agrícola e, com isso, melhore a nossa política de gestão de riscos agrícolas em âmbito nacional”.

Essa expectativa também é esperada pelo corretor de seguros Hailton Costa Neves, diretor de comunicação do Sincor-GO. “Espero o aumento de mercado, principalmente com o anúncio do subsídio do seguro rural e a estimativa desse ano que é de ser R$ 1 bilhão, o que é excelente para o nosso ramo. Temos também a chegada de novas companhias seguradoras, o que abre maior possibilidade para o comprador”.

Para ele, até mesmo a briga entre EUA e China pode melhorar o comércio internacional brasileiro e influenciar o agronegócio do Brasil. “E isso traz mais renda para o agricultor, que assim se sente mais à vontade para contratar um seguro. Imaginamos que com o preço das comoditties em baixa, o produtor corta primeiro o seguro. Mas quando ele tem uma condição financeira favorável, entendemos que ele compra mais produto do agro”.

Sobre a corretagem, ele diz que não há muitos profissionais neste setor, mas aqueles que atuam,
enxergam com otimismo.

Perspectivas

Se passarmos pelas reformas, primeiro a previdenciária, depois a tributária, se de fato acontecerem, segundo Hailton Neves, há uma tendência de ter um crescimento da economia. “E então, nós corretores de seguros, voltaremos a viver, assim com em 2010 e 2014, com um aumento significativo de prêmios no mercado. Além disso, se a seguradora fizer um gerenciamento de risco mais consistente e conseguir atender o produtor de forma mais assertiva em suas necessidades, o seguro fica mais palatável”.

Para ele, há muitos pontos a serem melhorados no seguro agro, mesmo considerando que o agronegócio foi o que sustentou o país nestes últimos anos, desde 2015. “Mas o que precisamos é que o governo tire o peso do produtor, desta forma, a agricultura conseguirá evoluir significativamente. E esta evolução deve ser organizada, tecnificada, com agricultores mais preparados, com isso, não tenho dúvidas de que nós ainda seremos o primeiro do mundo em produção de alimentos mundial”.

Para Claudemir Rossetto, 2° vice-presidente do Sincor-PR, segundo as últimas declarações do Presidente da República, o setor deve receber maior volume de recursos para a subvenção Federal e isto traz uma perspectiva interessante de aumento de vendas. “Por outro lado, temos um aumento significativo de corretores atuando neste segmento, consequentemente, uma maior concorrência que pode trazer a redução de margens de comercializado”.

Além desta preocupação, Rosseto ressalta que o grande volume de venda é por meio de canais como cooperativas e empresas de agro defensivos. “Poucos negócios são realizados no varejo, venda individual, e percebemos o movimento dessas empresas e cooperativas no sentido de comercializar o seguro agrícola através de corretoras próprias, reduzindo assim, substancialmente, as oportunidades de vendas diretas aos produtores pelas corretoras de seguros. Também preocupa a venda mal feita por corretores que são oportunistas e que podem comprometer a imagem do seguro agrícola”.

Karen Matieli, coordenadora da comissão rural do Sincor-SP, pondera que é preciso olhar para frente. “Teremos a responsabilidade em abastecer boa parte do mundo, como podemos pensar nesta responsabilidade sem seguro? O futuro é agora. E deve começar protegido desde já”.

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