Responsabilidade Civil

 

Uma proteção necessária, mas que ainda não decolou, e que precisa da força de distribuição do corretor de seguros

Por Karin Fuchs

Os seguros de Responsabilidade Civil, nas suas mais diversas modalidades, têm um enorme potencial de crescimento no Brasil. Praticamente todas as empresas, independentemente do ramo, têm riscos na sua operação, como também profissionais de vários segmentos, entre eles, médicos, advogados e os próprios corretores de seguros. O que falta, então, para esse seguro decolar?

“Segundo dados do Sebrae, existem no Brasil cerca de 6,4 milhões de empresas. Porém, muitos proprietários desses estabelecimentos não conhecem o seguro de Responsabilidade Civil ou não sabem de seus benefícios e garantias”, afirma João Carlos França de Mendonça, diretor de Commercial Lines da Sompo Seguros no Brasil.

João Carlos França de Mendonça, Sompo Seguros

Mendonça comenta que em países com uma cultura de judicialização mais acentuada, a contratação dessa modalidade de seguro acontece com mais frequência. “O mercado brasileiro ainda requer muita atuação de todos os seus agentes (seguradoras, corretores de seguros, entidades do segmento etc.) para levar a informação ao potencial segurado”.

Marina Neufeld Schechner, head Casualty & FinPro da Swiss Re Corporate Solutions, também cita o potencial com base nos dados do Sebrae: 6,4 milhões de micro e pequenas empresas. “O Brasil, apesar de figurar entre as principais economias do mundo, ainda possui muito espaço de crescimento em seguros. Pouquíssimas empresas contam com algum tipo de proteção securitária”.

Diretora Técnica de P&C da JLT Specialty Brasil, Maria Eduarda Araujo faz uma comparação: “se nos compararmos com países desenvolvidos, como por exemplo, os Estados Unidos, o volume de prêmio e número de apólices é bastante reduzido, além da questão cultural que, com certeza, contribui para o desenvolvimento desse segmento”.

“O Brasil, apesar de figurar entre as principais economias do mundo, ainda possui muito espaço de crescimento em seguros. Pouquíssima empresas contam com algum tipo de proteção securitária”, Marina Neufeld Schechner, Swiss Re Corporate

Palavras similares diz Caio Carvalho, superintendente de Riscos Empresariais da MDS. “Em comparação com o mercado externo, principalmente Estados Unidos e Europa, estamos muito distantes em volume de contratação e prêmios envolvidos”.

Ele explica que por ser um seguro no qual fatores como avaliação do risco e indenização se baseiam em critérios mais subjetivos, “o principal desafio é apresentar a Responsabilidade Civil como algo concreto aos nossos clientes para que eles consigam enxergar a exposição que os cerca e a necessidade de contratação”.

Marina Neufeld Schechner, Swiss Re Corporate Solutions

Na ponta do lápis, Gustavo Galrão, superintendente de Financial Lines & Partnership da Argo Seguros, mostra o quanto o volume de prêmios do seguro de Responsabilidade Civil Profissional poderia chegar, mencionando que, no ano passado, esse montante foi de R$ 320 milhões.

“Considerando o número de profissionais atuantes apenas nos dez segmentos mais tradicionais (médicos, dentistas, profissionais da saúde, advogados, engenheiros, arquitetos, contadores, profissionais de TI, corretores de seguros e corretores de imóveis) e multiplicando pelo preço médio do seguro de RC Profissional, chegamos a um mercado potencial de R$ 10 bilhões”.

Distribuição

Nathália Gallinari, gerente de Seguro de Responsabilidade Civil da AIG Seguros, orienta que em todos os seguros de Responsabilidade Civil é importante que o corretor se especialize no tema. “Conheça os detalhes dos clausulados e coberturas, e identifique os principais riscos inerentes às operações de seus clientes, de forma a explicar o escopo da apólice x riscos da operação”.

Proximidade e atenção à dinâmica das operações de seus clientes também são fundamentais. “Quando falamos em exigência contratual, usualmente as demandas são urgentes, sendo que o timing da negociação pode ser o diferencial para fechamento ou não de um negócio”, esclarece a gerente.

Diretor de Subscrição de Responsabilidade Civil Geral e Riscos Ambientais da Chubb, Danilo Ulhmann lembra que as empresas podem ser condenadas a indenizar terceiros com valores superiores às suas capacidades de pagamento, com base nas leis voltadas para a responsabilidade civil.

“Uma simples fatalidade pode ocasionar danos de grandes proporções, comprometendo o patrimônio da empresa, bem como sua continuidade no mercado. O corretor de seguros tem um papel fundamental com relação à conscientização das pessoas e empresas sobre essa nova realidade, a fim de que possam proteger seus patrimônios”, afirma Ulhmann.

 

“Conheça os detalhes dos clausulados e coberturas, e identifique os principais riscos inerentes às operações de seus clientes, de forma a explicar o escopo da apólice x riscos da operação”, Nathália Gallinari, AIG Seguros

Mendonça orienta que o corretor de seguros deve apresentar ao segurado a opção de verificar junto à seguradora valores de coberturas que realmente atendam às suas necessidades. “Assim, o segurado terá sempre a tranquilidade de saber que, ocorrendo um risco, os valores serão suficientes para não abalar seu patrimônio e serem integralmente pagos pela seguradora”.

Maria Eduarda Araujo, JLT Specialty Brasil

Outra colocação feita por ele é que o seguro é barato quando comparado a outros produtos. “Dependendo da situação, uma estratégia que pode ser adotada é a de cotar as coberturas de interesse do cliente com diferentes valores. Dessa forma, ele vai entender que uma proteção muito maior não necessariamente traz significativa variação de preço”.

Galrão, da Argo Seguros, cita a facilidade de contratação do seguro de RC Profissional. “A principal vantagem é que, através da plataforma digital Protector, todo processo de cotação e contratação leva menos de cinco minutos. E a companhia disponibiliza também aplicativo móvel para download na Apple Store e Google Play.

“Através do app Central do Corretor, é possível visualizar todas as informações sobre os seguros, obter cópia das apólices, alterar dados cadastrais, visualizar os boletos e status de pagamento, avisar e acompanhar os sinistros, entre outras funcionalidades”, especifica.

Potenciais clientes

Caio Carvalho, MDS

Independentemente do porte, qualquer empresa é um cliente em potencial para a carteira de Responsabilidade Civil, conforme reforça Marina Neufeld Schechner. “Os riscos são sempre inerentes às atividades. Desde um escritório que recebe visitantes, que podem sofrer uma queda no local, até danos causados por alimentos em restaurantes, produtos de comerciantes”, exemplifica.

E os clientes podem ser identificados na própria carteira dos corretores. “Todos os seus clientes têm exposição em relação a possíveis danos a terceiros, e a Chubb tem vários recursos que podem auxiliá-los na busca por possíveis clientes em todo o Brasil”, diz Danilo Ulhmann, da Chubb.

Galrão cita que na carteira de automóvel há uma grande chance de se encontrar profissionais médicos, engenheiros, arquitetos, advogados ou outros profissionais para os quais o RC Profissional pode ser oferecido. “Uma dica aos corretores é passar a questionar a atividade profissional de seus segurados”.

Gustavo Galrão, Argo Seguros

Nathália Gallinari orienta verificar quais são os clientes da corretora no ramo de Patrimonial, possíveis clientes para o seguro de Responsabilidade Civil Geral, e fora de sua carteira, especializar-se e explorar nichos específicos, a exemplo de atividades profissionais liberais. “À medida que o corretor se especializa, ele acaba sendo referência para os profissionais e empresas de sua região”.

E o corretor conta com retaguarda. “O parceiro AIG tem à mão informações atualizadas e acesso a treinamentos constantes sobre os seguros AIG, além de acompanhar o status dos sinistros de seus clientes. Para contribuir com essa agilidade, o Portal do Corretor AIG, permite a cotação e emissão da apólice 100% online de seus seguros de Responsabilidade Civil”.

“Uma simples fatalidade pode ocasionar danos de grandes proporções, comprometendo o patrimônio da empresa bem como sua continuidade no mercado”, Danilo Ulhmann, Chubb

Mendonça, da Sompo, enfatiza a importância do up selling. “Verificar se os valores de seguro de Responsabilidade Civil contratados pelos segurados correspondem às suas reais necessidades. Com uma análise criteriosa, é possível identificar os contratos que precisam de incremento nas coberturas ou nos limites de contratação. Ou seja, partir para a consultoria junto ao cliente”.

A Sompo Seguros tem várias informações sobre seus produtos disponíveis no Espaço Sompo, no Portal do Corretor e no Portal do Segurado. “E lançamos o Manual de orientação e boas práticas para segurados com cobertura de Responsabilidade Civil, com todas as orientações e procedimentos que devem ser adotados pelo segurado, caso venha a ser acionado judicialmente”.

Coberturas

Nathália Gallinari, AIG Seguros

Com atuação nos seguros de Responsabilidade Civil Geral, Responsabilidade Civil Profissional e Responsabilidade Civil Ambiental, Nathália Gallinari diz que a AIG Seguros conta “com grande expertise local e internacional no ramo, oferecendo aos clientes soluções personalizadas e diversas estruturas de apólices, de forma a atender desde demandas específicas e complexas, até condições standard”.

Nas modalidades de RC Operações, RC Eventos e RC Prestação de Serviços, a companhia oferece a possibilidade de cotação e emissão online, através do Portal do Corretor. “Destaca-se também no ramo de RC Geral o clausulado não-padronizado, que possui amplo diferencial de coberturas quando comparado ao produto padronizado Susep”.

Flavio Sá, gerente de Linhas Financeiras, acrescenta, mencionando as coberturas dos seguros de Responsabilidade Civil Profissional. “As apólices da AIG Seguros cobrem falhas profissionais, dano moral relacionado a uma reclamação, difamação, calúnia ou injúria cometida pelo segurado; roubo de documentos, custos de restituição de imagem, por meio da contratação de profissionais de relações públicas, custos de defesas, entre outros”.

Danilo Uhlmann, Chubb

A Argo Seguros dispõe do seguro de Responsabilidade Civil Profissional para cerca de 40 categorias profissionais. “Dentre elas estão, por exemplo, coberturas para médicos, dentistas, corretores de seguro, engenheiros, arquitetos, contadores, corretores de imóveis e advogados. Todos esses seguros foram lançados no início da plataforma digital Protector”, diz Galrão.

Nesse ano, a Argo Seguros lançou mais 16 atividades relacionadas à área da saúde, dentro do produto Profissionais da Saúde, que possibilita a contratação da cobertura para diversas atividades em uma única apólice, quando essas atividades são oferecidas dentro de uma única clínica multidisciplinar.

 

 

“O principal desafio é apresentar a Responsabilidade Civil como algo concreto aos nossos clientes para que eles consigam enxergar a exposição que os cerca e a necessidade de contratação”, Caio Carvalho, MDS

Marina Neufeld Schechner explica que há no mercado uma grande variedade de produtos, desde garantias mais restritas até as mais amplas, “como os trabalhados pela Swiss Re Corporate Solutions, onde a amplitude de cobertura é muito maior e existe flexibilidade na contratação de diferentes coberturas”.

Flavio Sá, AIG Brasil

Segundo ela, desde as coberturas básicas “como Operações – Estabelecimentos Comerciais e/ou Indústrias, Prestação de Serviços em Locais de Terceiros, até coberturas mais sofisticadas, como cobertura de Recolhimento de Produtos (Recall) até 100% do limite da apólice”.

Na Sompo Seguros, o seguro de Responsabilidade Civil está com uma nova versão. “Ela está mais dinâmica, com linguagem mais simplificada e melhor adaptada às necessidades de cada cliente. Para comunicar as novidades, nosso material de divulgação foi trabalhado com uma linguagem moderna, objetiva e direcionada para o consumidor”, diz Mendonça.

São cerca de 50 coberturas para atender às necessidades específicas de diferentes públicos, classificadas em básicas e adicionais. “O cliente deverá escolher pelo menos uma cobertura básica que atenda melhor seus interesses, sempre sob orientação do corretor de seguros de sua confiança. Em seguida, poderá ampliar para as coberturas adicionais disponíveis”.

E a Sompo Seguros tem uma célula de atendimento específica para tratar de ações judiciais. “Caso o segurado seja acionado judicialmente e sua apólice de seguros inclua cobertura securitária, o primeiro passo é receber orientações de advogados da Sompo Seguros para dar andamento ao processo”.

O acompanhamento judicial não é responsável pela defesa do segurado. “Não atuará no processo e nem será responsável por indicar um advogado de defesa para o caso. A atuação será exclusivamente na análise de viabilidade de acordo e fixação do limite a ser indenizado ou reembolsado, incluindo os valores relativos aos honorários do advogado contrato pelo segurado”.

“A Chubb dispõe das coberturas mais amplas e exclusivas de mercado no conceito All Risk. Oferece alta capacidade de assumir riscos nas diversas modalidades, tais como Operações Comerciais e/ou Industriais, Obras, Eventos e Testes Clínicos. E o inovador modelo de contratação OCIP (Owner Controlled Insurance Program)”, pontua Ulhmann.

“Uma dica aos corretores é passar a questionar a atividade profissional de seus segurados”, Gustavo Galrão, Argo Seguros

Por meio de uma única apólice, o OCIP garante cobertura para danos a terceiros causados por qualquer prestador de serviço. “É como se a seguradora emitisse uma apólice exclusiva para cobrir cada um dos prestadores de serviços terceirizados. A proteção é automática, mesmo que o serviço tenha sido realizado por apenas algumas horas”.

O executivo da Chubb destaca que “a apólice cobre não apenas o valor da indenização, mas também os custos de todo o processo na justiça, incluindo os honorários do advogado, e que, em grande parte das ocasiões, a contratação da apólice pode ser feita rapidamente, via internet, a qualquer momento e a partir de qualquer local”.

E, ainda, “no setor de Responsabilidade Civil Geral, a Chubb concede atendimento a organizações brasileiras com negócios em outros países, através de seus próprios estabelecimentos ou exportando produtos. A seguradora oferece não apenas coberturas para as operações do segurado, mas também o suporte necessário para a defesa jurídica de acordo com a legislação de qualquer localidade do mundo”.

Desempenho

Caio Carvalho, da MDS, avalia que o seguro de Responsabilidade Civil, apesar de ter custo atrativo, não tem uma demanda espontânea significativa. Porém, em virtude de diversos contratos e operações exigirem das partes essa modalidade de seguro, o volume de contratações aumentou nos últimos anos.

Entre as coberturas que têm maior procura para contratação e maior incidência de solicitação de aumento de limites, Carvalho cita a de Responsabilidade Civil Empregador. “Podemos atribuir esse resultado ao aumento significativo nos valores das ações judiciais relacionadas a eventos que envolvem os empregados das empresas”.

Para Maria Eduarda Araujo, o crescimento do mercado de Responsabilidade Civil global se deve a alguns fatores, entre eles, aumento dos direitos da população, evolução econômica, progresso nos processos jurídicos, saturação de outros produtos, especialização dos corretores e, principalmente, pela preocupação das empresas com os impactos que as suas operações podem causar a um terceiro.

“E atualmente, a discussão é mais voltada para a gestão do risco, alertando o segurado das diversas possibilidades e subjetividades relacionadas com a cobertura de Responsabilidade Civil. O que pode contribuir para esse resultado é o trabalho que nós da JLT despertamos nos clientes na discussão ampla de suas atividades e responsabilidades através da gestão de risco”.

Ainda de acordo com ela, uma modalidade que tem se destacado é a Responsabilidade Civil Ambiental. “Devido aos acidentes ambientais ocorridos nos últimos anos, que têm despertado nas organizações um maior interesse pela contratação desse tipo seguro, e em decorrência de uma maior preocupação com o meio ambiente, com a sociedade e com operações vizinhas, além da conscientização das empresas com esse tipo de seguro”.

Nas companhias

Questionados sobre modalidades de seguros de Responsabilidade Civil que têm apontado maior demanda, Nathália Gallinari, da AIG Seguros, diz que diferente dos anos de 2015 e 2016, em que a modalidade Obras teve muita demanda por conta das grandes obras de infraestrutura, Jogos Olímpicos e Copa do Mundo, demandas para pequenas obras e projetos têm sido comuns e crescentes.

No caso dos seguros de RC Operações e Prestação de Serviços, ela comenta que “o destaque tem sido principalmente nos segmentos pequeno e médio, impulsionado por exigências contratuais diversas e aumento da percepção do risco. O mesmo ocorre com RC Eventos, que tem sido escopo de exigência contratual em diversas situações”.

No seguro de Responsabilidade Civil Profissional, especifica o gerente de Linhas Financeiras, Flávio Sá, “a AIG tem visto a demanda aumentar, principalmente pela maior conscientização dos profissionais e exigências contratuais. A AIG é referência no mercado nacional de seguro de Responsabilidade Civil Profissional, com ofertas específicas e customizadas para diversas profissões”.

“A apólice cobre não apenas o valor da indenização, mas também os custos de todo o processo na justiça, incluindo os honorários do advogado”, Danilo Ulhmann, Chubb

Conscientização é, na opinião de Danilo Ulhmann, um dos fatores que aumentaram a demanda pelos seguros de Responsabilidade Civil. “A população se tornou mais consciente e acessa com mais frequência o Judiciário. Isso resultou em um grande aumento de reclamações e indenizações, tornando o ambiente muito mais litigioso. Dessa forma, os seguros de Responsabilidade Civil se tornaram absolutamente necessários para qualquer empresa”.

A Swiss Re Corporate Solutions, por exemplo, obteve um crescimento de 295% em prêmios emitidos nos seguros de Responsabilidade Civil no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2017. “O aumento da demanda se dá após a joint venture entre a Bradesco Seguros e a Swiss Re Corporate Solutions, que trouxe novas oportunidades de negócio”, diz Marina Neufeld Schechner.

Na Argo Seguros, nos primeiros sete meses deste ano, houve uma expansão de cerca de 49%. “Garantindo à Argo Seguros a liderança do mercado nacional no segmento de Responsabilidade Civil. Dentre os motivos desta performance, pode-se destacar a plataforma digital Protector. Com ela, corretores e segurados localizados em grandes centros e em pequenas cidades do interior tiveram acesso pela primeira vez ao seguro”.

Sinistralidade

Marina Neufeld Schechner compara que “a sinistralidade média do mercado cresceu em 2015 e 2016, 113% e 96%, respectivamente, devido a alguns sinistros catastróficos que ocorreram, e voltou a um patamar de 63% em 2017. Na Swiss Re Corporate Solutions, a sinistralidade média nos últimos três anos ficou em torno de 48%, devido ao forte trabalho de subscrição”.

Na Sompo Seguros, diz João Carlos França de Mendonça, “a nossa carteira tem uma sinistralidade de 32,5% em 2018, o que é abaixo da média de 41,3% observada no mercado até o mês de junho”. Gustavo Galrão informa que desde o início das operações da Argo, em 2012, a companhia já pagou e reservou mais de R$ 50 milhões em sinistros do seguro de RC Profissional.

“No mesmo período, o mercado pagou ou reservou mais de R$ 600 milhões em sinistros”, compara, acrescentando que o seguro de RC Profissional tem como característica a frequência. “Sinistros são pagos diariamente e a seguradora precisa ter um nível alto de especialização para garantir a sustentabilidade da carteira”.

Danilo Ulhmann, da Chubb, detalha que os sinistros mais frequentes estão relacionados a acidentes de trabalho, danos a terceiros em virtude do uso e conservação das instalações do segurado e/ou trabalho realizado, acidentes com produtos fabricados, vendidos e/ou distribuídos pelo segurado, danos morais, lucros cessantes e custas de defesa decorrente de dano material ou corporal coberto.

Já os mais severos, segundo ele, “normalmente, são relacionados a eventos que impactam um grande número de terceiros, como por exemplo, explosão e ou incêndio de uma planta que atinge vários empregados e empresas vizinhas; retirada de produtos no mercado “Recall”, rompimento de barragem de rejeitos e danos materiais a empresas terceiras decorrentes de produto defeituoso”.

Perspectivas

Com base em dados da CNseg, Mendonça, da Sompo Seguros, avalia que a demanda por seguros de Responsabilidade Civil permanece estável. “O ramo de Responsabilidade Civil passou de R$ 800,7 milhões no período de janeiro a julho de 2017 para R$ 802,8 milhões no mesmo período deste ano, o que mostra uma variação muito sensível de apenas 0,3%. Um indicativo de estabilidade na demanda”.

Ele atribui esse resultado a alguns fatores. “A recente crise econômica freou os investimentos e arrefeceu qualquer expectativa de andamento em obras de infraestrutura relevantes para o país. Além disso, a incerteza trazida pelo período de eleições faz com que muitos projetos sejam adiados”.

Com base em um levantamento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Mendonça cita que são necessários R$ 300 bilhões ao ano em investimentos (cerca de 5,0% do PIB), por uma década seguida, ininterruptamente, se a pretensão for dotar o país de condições para a inserção competitiva na economia global e para melhorar a qualidade de vida interna.

“Mas os investimentos públicos e privados somaram 1,7% do PIB em 2016 e pouco mais de 1,5% do PIB em 2017. Só para repor a depreciação seria necessário 3,0% do PIB ao ano em investimentos. Em 2018, as estimativas são de que os investimentos não devem ser diferentes da média dos dois anos anteriores. Em outras palavras, o mercado está num compasso de espera”.

A expectativa, segundo ele, é que a partir de 2019, novos planos de incentivo ao investimento em infraestrutura fomentem o segmento. “Em setembro deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Mundial (BIRD) assinaram Memorando de Entendimento com o objetivo de criar bases para a atuação conjunta das duas instituições no desenvolvimento de instrumentos financeiros para infraestrutura”.

Ele lembra que o BNDES já havia fechado acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a criação de um fundo de crédito em infraestrutura de US$ 1,5 bilhão. “O banco também divulgou há pouco tempo que seus investimentos em infraestrutura devem crescer 13% nos próximos três anos”, acrescenta.

Mendonça prevê que, tudo isso, aliado à retomada gradual no crescimento da economia, deve favorecer para que modalidades como a Responsabilidade Civil de Obras Civis, promoção ou participação em exposições ou feiras, guarda de veículos ou embarcações, entre outros, sejam impactados positivamente. “Há uma boa perspectiva, devemos observar uma retomada na contratação de Seguro de Responsabilidade Civil a partir de 2019”.

Na opinião de Nathália Gallinari, da AIG Seguros, “à medida que a economia se recupere, o setor de seguros, incluindo o de Responsabilidade Civil, deve seguir a mesma tendência. Especificamente no setor de infraestrutura, caso os projetos sejam retomados, veremos grande melhora no mercado de RC Obras, o que certamente elevará os números deste mercado nos próximos períodos”.

“À medida que o corretor se especializa, ele acaba sendo referência para os profissionais e empresas de sua região”, Nathália Gallinari, AIG Seguros

Para Maria Eduarda Araujo, da JLT Specialty Brasil, com as novas políticas de compliance das empresas, a conscientização da sociedade, desenvolvimento das defensorias públicas e a legislação de defesa do consumidor, as perspectivas são as mais positivas.

“Com a retomada do crescimento da economia, volta do investimento em infraestrutura, a tendência é de crescimento rápido na contratação do seguro de Responsabilidade Civil. Certamente, o mercado está preparado para assumir as demandas retraídas com inovação de produtos e serviços para atrair novos clientes”, afirma.

E defende que é necessário alavancar o mercado de seguros de RC, apresentando as possíveis formas de gestão de risco e casos de sinistros para que as empresas tenham completo entendimento da importância da contratação desse tipo de seguro. “Apesar de muitas empresas contratarem o seguro de Responsabilidade Civil, diversas não possuem uma apólice adequada se considerarmos as coberturas e limites contratados”.

Na avaliação de Marina Neufeld Schechner, o mercado de Responsabilidade Civil Geral atingiu seu maior volume de prêmio em 2015, permanecendo estável desde então. “A retração observada é consequência da situação econômica que reflete uma desaceleração de investimentos e, portanto, há menos oportunidades no setor de infraestrutura e da indústria que impactam diretamente na contratação do seguro de responsabilidade civil”.

Na visão de Caio Carvalho, da MDS, “apesar do crescimento na contratação dessa modalidade em volume de apólices, houve, nos últimos anos, um aumento do número de companhias que ingressaram nesse ramo. A competitividade se tornou mais acirrada e os prêmios de seguro reduziram face a concorrência. Segundo a nossa leitura, os clientes estão contratando mais o seguro de Responsabilidade Civil e pagando prêmios menores”.

Nathália Gallinari também comenta sobre o aumento da concorrência: “há intensa concorrência no mercado, com diversas seguradoras atuando no ramo, o que faz com que as taxas praticadas sejam inferiores a períodos anteriores”.
Situação similar vista por Maria Eduarda Araujo, “algumas seguradoras precificam os riscos de forma bastante competitiva, apostando em um resultado imediato, sem a devida observância de que o mercado de Responsabilidade Civil é conhecido com o risco de long tail”, finaliza.

BOX

Prêmios

O ramo de Responsabilidade Civil passou de R$ 800,7 milhões no período de janeiro a julho de 2017 para R$ 802,8 milhões no mesmo período deste ano. Uma variação de apenas 0,3%. Os dados são da CNseg.

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