“Sem seguro, tudo é mais difícil”

 

Conteúdo da edição de março (218) da Revista Cobertura

Por Carol Rodrigues
Casos de Inundações ou pandemias como o Coronavírus ensinam o quão frágil é o ser humano e a sociedade quando expostos a doenças e catástrofes naturais e reforçam a importância do seguro

Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020, a capital de São Paulo amanhece caótica. Alguns acessos para a área central foram bloqueados. A recomendação era não sair de casa. Alguns se arriscaram e ficaram pelo caminho. Com sorte, quem ficou em algumas regiões conseguiu chegar ao destino horas depois. O temporal atingiu com intensidade a capital e a Grande São Paulo. Veículos ficaram ilhados.

Em um dia foram 546 solicitações de atendimento referentes a enchentes, 88 a desabamentos e desmoronamentos e 97 quedas de árvores. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo, em apenas 10 dias a capital paulista registrou 96% da chuva prevista para o mês de fevereiro.

A verdade é que todos nós estamos expostos aos riscos. O tempo todo. Mas quantos de nós possuem proteções securitárias?

Eventos catastróficos, de alguma forma trazem aprendizados. Inclusive, é um momento para contar com um grande instrumento que auxilia na mitigação dos impactos financeiros causados por esses eventos: o seguro.

Esse é um momento em que o mercado segurador consegue mostrar o seu valor social. Isso porque ter ou não seguros nesses eventos de perdas vultosas pode fazer a diferença entre prosseguir a atividade, fragilizá-la ou mesmo encerrá-la. “As tragédias despertam preocupação nas pessoas de preservar o patrimônio acumulado ao longo da vida. Servem como lembrança de que imprevistos ocorrem a todo instante. A grande lição é de que o seguro é estratégico nesses momentos, imprescindível diria.

Corremos riscos a todo instante. A humanidade evoluiu tomando riscos, mas você não precisa suportá-los sozinho. O seguro está aqui para assumir parte dessa conta”, resume Marcio Coriolano, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

As enchentes em São Paulo não são ocorrências isoladas. Toda a região Sudeste – Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES)- sofreu com as chuvas de janeiro e fevereiro. “As enchentes na região sudeste impactam a já precária infraestrutura desses locais. O custo de reconstrução pode ser elevado e pode levar tempo. Em situações como essas, o mercado reafirma sua relevância para a sociedade”, observa Coriolano.

Normalmente, quando se tem uma exposição do tamanho como foi em SP, a expectativa é a de que alguns desses riscos estejam ressegurados.

“Pode-se ter seguro de auto, property, excesso de danos, perdas de renda com determinado prazo, engenharia. O leque de soluções é amplo, justamente por conta da capilaridade que esses eventos têm. Ainda é difícil mensurar, mas o mercado vai ter um impacto relacionado aos eventos no Brasil”, diz Fred Knapp, diretor financeiro e de Operações da Swiss Re Brasil Resseguros.

Como o mercado pode ajudar
Segundo Fernando Orellana, Head Property & Construction da AXA XL, sem a indústria de seguros, a maioria dos grandes projetos não poderia ter sido executada. “Temos que lembrar que o risco faz parte da vida e pode ser minimizado, mas nunca eliminado. O seguro é uma das maneiras mais comuns de transferir parte do risco para uma terceira parte, denominada Seguradoras. Assim, podemos dizer totalmente que o mercado de seguros tem um valor social”, destaca Orellana.

Em virtude de ser uma atividade que tem no DNA a avaliação e gestão de riscos, a contribuição para a sociedade, empresas e consumidores é oferecer uma proteção adequada aos riscos aos quais estão expostos.

Em casos como os citados, os planos de gerenciamento de riscos e contingenciamento são uma alternativa. Muitos riscos podem ser identificados a partir do gerenciamento.

“Certamente, um gerenciamento adequado de riscos e planos de contingência podem ajudar muito a ter um nível mais baixo de afetação. No entanto, uma política adequada de gerenciamento de riscos trabalha para a tomada de ações para reduzir o impacto de uma ocorrência, mas também para encontrar a melhor maneira de transferir o risco. Essas duas medidas devem estar juntas e ambas são totalmente alinhadas para o benefício de uma pessoa ou empresa”, observa Orellana.

Com o slogan de “fazer o mundo mais resiliente”, a Swiss Re, procura demonstrar de forma transparente para o consumidor final que ele não está comprando simplesmente uma apólice de seguros, mas sim que está comprando a recuperação daquele bem no caso de um eventual sinistro.

“Para determinados tipos de riscos temos engenheiros que fazem a avaliação inicial junto às empresas. Normalmente emitimos um relatório que possui uma série de pontos a serem melhorados ou sugestões para mudanças”, diz o diretor da Swiss Re, ao esclarecer que fica a critério do segurado fazê-las ou não. “Depende muito do segurado, do risco e as sugestões identificadas durante a avaliação”.

Nesse contexto, a educação em seguros continua sendo a principal arma para oferecer informações qualificadas e conscientizar as pessoas sobre a importância de dispor de seguros, sejam pessoais, para bens e negócios.

A CNseg possui em seu plano institucional, o Programa de Educação em Seguros que, segundo o presidente, é o carro-chefe para falar com mais diversos públicos sobre a importância do seguro em sua vida, negócios e na preservação do patrimônio. “Esse programa inclui diversas ações que oferecem conteúdos para melhorar o poder de escolha do consumidor. Nessa comunicação institucional, recorremos a livretos, cartilhas, vídeos, estudos de maior profundidade, tudo que amplie o entendimento dos mais diversos públicos”, explica o presidente. “Reconhecemos, porém, que, além de mais bem educados sobre seguro, a renda média dos brasileiros ainda é um limitador para a contratação de coberturas de seguro”, acrescenta.

O brasileiro e a prevenção
Para Coriolano, o brasileiro está cada vez mais previdente. “O desempenho superlativo da atividade seguradora em 2019, de mais de 12%, é a sinalização mais clara de que há uma crescente preferência da população pela proteção contra os mais variados riscos e representa o aumento da confiança de empresas e famílias nas seguradoras e na sua inegável solidez”.

Para Fred Knapp, o brasileiro ainda não possui a cultura da prevenção.

Segundo ele, o mercado tem avançado na missão de transmitir a sua importância para os consumidores. A CNseg tem feito ações em rádios e na mídia impressa mostrando a real importância do seguro, o mesmo tem ocorrido em outros países.

“Mas, no Brasil, ainda estamos aquém. O consumidor precisa entender que precisa ter uma apólice de vida, do carro, de acidentes pessoais. Tem um leque de opções de seguros que ainda são pouco explorados no Brasil. A penetração do seguro no Brasil é entre 2,5% e 3% e nos países desenvolvidos chega a 12% do PIB. Temos uma grande possibilidade de aumento da parte securitária no mercado brasileiro”, ressalta Knapp.

Um bom indicador para avaliar essa preocupação na prevenção é o penetrador da densidade de seguros. Segundo a publicação Sigma número 3/2019, do Instituto Swiss Re, a pontuação do Brasil é de cerca de 4%, sendo que a média para os países avançados é de 7,8%.

“O seguro deve mostrar à sociedade o seu valor real. Mostrar que nossa proposta de valor está além da venda de uma apólice de seguro, é mais para garantir a sustentabilidade e ajudar o ser humano a ser resiliente”, diz Orellana.

“É necessária a contínua conscientização dos eventos. Nós, do mercado de seguros, ficamos tristes em saber que ainda existem situações que não estão seguradas. Vemos um sinistro e não podemos participar. Precisamos de uma conscientização bastante clara e transparente para que todos entendam a importância do seguro. O governo também precisa participar dessa importância do por quê existe o seguro para eventuais situações como essas”, alerta Fred Knapp.

Vale sempre lembrar, não importa a modalidade, vida, automóvel, residencial, entre outros, quando ocorre um sinistro, o seguro será acionado, reduzirá perdas e assegurará a recomposição dos bens ou a retomada dos negócios. O mais rápido possível. Esse é o papel do seguro.

“Estamos preparados para enfrentar esses riscos no mundo moderno? Eventos naturais não são novidade. No entanto, hoje as cidades estão muito mais lotadas; portanto, as mesmas inundações anos atrás afetariam apenas poucas pessoas, mas agora a afetação é enorme. Um vírus no passado não tinha a velocidade de propagação que estamos vendo agora com o Coronavírus, já que a mobilidade das pessoas tem uma escala diferente”, destaca Orellana. E, como bem definiu Coriolano, sem seguro, tudo é mais difícil.

Coronavírus coloca o mundo em alerta
No mundo, inclusive no Brasil, o Coronavírus COVID-19, causador de infecções respiratórias, está em evidência. O número de pessoas contaminadas aumenta a cada dia. A pandemia – enfermidade disseminada amplamente -, afeta a economia global e gera outro tipo de impacto. Afinal, as linhas de produção estão comprometidas, o turismo internacional já sente seus efeitos e as empresas devem revisar, testar e atualizar os seus planos de continuidade de negócios e gestão de crises para evitar e minimizar perdas financeiras.

Para Fred Knapp, o coronavírus é um exemplo de algo que demonstra a importância de ter uma apólice de seguro – tanto de vida como de saúde.

Vale lembrar que as pandemias geraram prejuízos bilionários no mundo nos últimos anos. Segundo levantamento global da consultoria de riscos Marsh, as pandemias causaram perdas econômicas de US$ 197,7 bilhões no mundo, de 2001 a 2016.

No Brasil, a epidemia Zika Vírus, em 2015, provocada pelo mosquito Aedes Aegypt, gerou um impacto financeiro negativo de US$ 16 bilhões. Parte do prejuízo também decorre da improdutividade nas companhias. Cada colaborador com sintomas do Zika Vírus teve que se ausentar em média cinco dias do trabalho.

De acordo com a consultoria, mais de 400 doenças infecciosas foram registradas nas últimas duas décadas. Neste ínterim, houve, por exemplo, o caso de doenças transmitidas por alimentos nos Estados Unidos, em 2012, e as perdas financeiras foram da ordem de US$ 78 bilhões. Já no caso do vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave, conhecida como SARS, que provocou um surto de pneumonia entre 2002 e 2003, os prejuízos foram de US$ 56 bilhões.

“Perda da força de trabalho, interrupções operacionais como atrasos nas redes de transporte e cadeias de suprimentos de produtos e serviços, baixa demanda dos clientes e danos à reputação se a resposta a um surto é vista como ineficaz, são alguns exemplos de impactos nos negócios. Neste momento é imprescindível que as empresas façam uma revisão, testem e atualizem os planos de gerenciamento de crises e riscos adversos (seguráveis e não seguráveis) para garantir a resiliência da empresa e a continuidade dos negócios”, afirma Flavio Castro, superintendente da Marsh Risk Consulting, divisão de consultoria de riscos da empresa.

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