Um laço seguro

 

Por Carol Rodrigues

José Roberto Macéa construiu ao lado do irmão Pedro uma das empresas de regulação mais conceituadas no mercado de seguros; hoje, segue dedicado à família e às inovações em sua nova empresa

José Roberto Macéa

Ele é graduado em Tecnologia dos Materiais Cerâmicos com especialização em Cerâmica Nuclear pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. Ou seja, por pouco não enveredou pela carreira de cientista. O motivo: a missão no mercado de seguros falou mais alto.

José Roberto Macéa é o caçula dos sete filhos de Luiza e José Macéa. Cresceu sendo chamado de Bé, apelido que migrou para o vôlei, amigos, família e até para o trabalho. Dos pais, recebeu ensinamentos como o valor da família. Refere-se aos irmãos – quatro homens e duas mulheres – como maravilhosos. “Pude aprender e me inspirar em cada um deles em muitos momentos da vida”.

Tornou-se jogador de vôlei porque, segundo ele, era ‘muito ruim’ no futebol. “Ninguém me deixava jogar. Então, resolvi tentar algo com as mãos e daí consegui enganar mais. Foram 10 anos, sendo uma temporada em um time na Espanha. Além da formação física, o vôlei foi muito importante para aprender a trabalhar em equipe, fazer amigos e conhecer lugares”.

Dotado de um grande senso de humor dosado à sua sensibilidade, Macéa ou Betão como é chamado no mercado de seguros, possui uma jornada no setor que, embora pudesse se pensar que terminaria com a venda da Jopema para a Dekra em 2016, na verdade simbolizava um recomeço.

25 anos de Jopema

“O seguro sempre esteve na família. Meu pai trabalhou quase toda a vida na São Paulo Cia. de Seguros e encaminhou dois dos filhos para esse mercado. O Luiz é corretor de seguros e o Pedro era regulador de sinistros”, comenta ele, que também tem sobrinhos corretores de seguros.

O ano era 1991. Roberto trabalhava na área comercial da Macéa Cerâmica Técnica, empresa fundada pelo irmão Paulo, quando o irmão Pedro comentou que pensava em abrir uma empresa de regulação de sinistro. Roberto não fazia ideia sobre o que era, mas se ofereceu para ajudá-lo. Com os dois, nascia a Jopema Reguladora de Sinistros.

“A Jopema nasceu tendo como único e valioso patrimônio, a credibilidade do meu irmão José Pedro (que deu origem ao nome), um profissional de seguros reconhecido e um cara muito querido por todos”.

Em 2003, Pedro faleceu em um acidente de carro. Continuar sem ele foi difícil, mas Roberto seguiu adiante e manteve a posição de destaque da Jopema. Cerca de quatro anos depois, ele passou a receber consultas de empresas ou grupos nacionais e internacionais sobre uma possível aquisição. “No início, nem a empresa, nem eu estávamos preparados para essa etapa”.

Outras abordagens foram feitas e, em 2011, ele negociou parte da empresa com a Dekra. Durante um ano, Roberto acumulou a posição de presidente da Jopema com o cargo de diretor de Negócios e Marketing do grupo. “Em 2016, finalizamos o processo vendendo a parte restante. Foi quando saí. Não foi fácil, pois sempre tive uma forte ligação emocional com a empresa”.

Durante o período de Jopema, ele disse que gostava mesmo de rua, de visitar clientes e assim poder conhecer pessoas ou fortalecer laços. “Com a Jopema recebi o que considero meu maior patrimônio no mercado de seguros, que são todos os amigos conquistados ao longo desse anos”, comenta ao destacar que os 25 anos de empresa proporcionaram muito aprendizado.

Uma nova fase

Em 2016, após sair da Jopema, ele passou a ser procurado por empresas que tinham novidades a serem apresentadas às seguradoras. Nascia a Prosper6. “Focamos em inovações para o mercado de seguros. Atualmente, em parceria com a Serinews, estamos dedicados a ajudar corretoras de seguros a vender mais e melhor, utilizando ferramentas e canais digitais”. Além disso, também se dedica a expandir os negócios da Macéa Cerâmica.

O esporte oferece a possibilidade de conhecer pessoas, e foi em uma escola de mergulho que conheceu Jayme Garfinkel, em 1998. “A partir daí nos tornamos amigos e parceiros no esporte até hoje”.

Afastou-se por um período das atividades esportivas por conta de algumas lesões antigas. “No ano passado, finalmente operei o ombro ruim e quando estava voltando aos treinos, começou o isolamento. Durante a quarentena tenho praticado o esporte de comer os pães que faço e, com isso, terei motivos ‘pesados’ para voltar aos treinos”, brinca.

Aficionado por filmes, seja no cinema ou na TV, ele diz assistir muitas vezes o mesmo filme ao ponto de saber as falas e os gestos. “Quando tenho viagem, principalmente a trabalho, baixo filmes no notebook para poder assistir nas folgas”.

Ao tornar-se pai, Roberto desenvolveu outras habilidades. Como gosta de trabalhos manuais, a sua filha Manuela o abastece com alguns brinquedos quebrados para que sejam consertados. “No ano passado, construí uma casinha de bonecas de três andares e fiquei orgulhoso com o resultado. Como precisava esperar ela dormir, o trabalho era feito na madrugada”.

Atualmente, pai e filha estão fazendo um curso de desenho online. A Manu, com ele a chama, é fruto da união com a psicanalista Cristiana. “Meu maior desejo é a felicidade da Manu, e espero poder passar para ela os mesmos valores que recebi dos meus pais sobre justiça, correção, fraternidade, amizade, ética, espiritualidade. Se conseguir, como pai, apenas parte do que meus pais fizeram, serei um cara muito feliz e realizado”.

No período de quarentena, ele descobriu outro dom, o qual denomina como uma ótima terapia: fazer pães. “Sempre tive curiosidade em fazer pão, então comecei com um bem simples. Quando postei fotos (nas redes sociais) dele muita gente elogiou. Daí me animei e comecei a fazer alguns mais elaborados, inclusive um que minha mãe fazia”.

Além das atividades empresariais, contribui com as atividades domésticas. Sim, Roberto integra o grupo de homens que têm apoiado as suas esposas no período de isolamento.

Durante muitos anos, Roberto manteve o hábito solidário de comprar pacotes de bolachas e deixar no banco de trás do carro para entregar no farol. No inverno, ele acrescentava cobertores. “Quando pediam dinheiro, eu oferecia um pacote de bolacha. A maioria aceitava e parecia que estava com um pacote de ouro”, lembra.

Espírita, frequentador da Seara Bendita, centro que fica no Campo Belo, toda segunda-feira à noite, desde 2012, também é voluntário e, nos últimos quatro anos, também passou a realizar palestras. Recentemente, também ingressou em um grupo que grava mensagens diárias em áudio sobre os ensinamentos de Jesus para compartilhar no Whatsapp.

Como lembramos de sua história, inclusive às vésperas de seu aniversário, ele diz que, ao olhar para trás, encontra apenas motivos para agradecer. “Inclusive os momentos ruins, que todos temos, pois fizeram parte do caminho para chegar até aqui. Me sinto muito realizado por ter feito, e continuar fazendo, coisas que gosto. Ter prazer no que se faz é essencial para ser feliz”.

Conteúdo da edição de junho (221) da Revista Cobertura

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