Saúde: desejo de todos, ainda mais depois da pandemia

Vera Valente, diretora executiva da FenaSaúde, fala sobre o legado e o novo momento de crescimento deste ramo

Thaís Ruco

O período crítico que estamos vivendo é um ponto de mutação em todo o mundo em relação à saúde e à forma como nós nos relacionamos com ela. “Nada será como antes”, sentencia a diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Vera Valente. “Em saúde, a pandemia serviu para realçar a importância do acesso à assistência de qualidade prestada pelos planos e seguros de saúde privados no nosso país”. Tanto que, pela primeira vez em seis anos, houve crescimento do número de beneficiários, com entrada de 554 mil pessoas no sistema suplementar.

A pandemia deixou legados para o setor. “A telemedicina é uma conquista que veio para ficar, mas que, embora poucos saibam, ainda precisa ser definitivamente assegurada”, diz Vera. A lei em vigor só a autoriza enquanto estivermos na situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional decretada pelo governo federal em fevereiro de 2020. “A telemedicina é crucial para ampliarmos o acesso à saúde num país continental e desigual como o nosso. Estamos lutando para sua perenização no Brasil”.

No começo da pandemia, as associadas à FenaSaúde suspenderam voluntariamente os reajustes das mensalidades por um período de 90 dias, até julho. Depois a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estendeu esse prazo até dezembro. “Em todo este período, as operadoras têm reforçado as possibilidades de renegociação de contratos para aqueles beneficiários em maior dificuldade. Agora em 2021, com a aplicação dos reajustes, temos sido ainda mais ativos nisso. Nosso interesse é – sempre foi – manter as pessoas cobertas pelos planos e não o contrário”, comenta a diretora.

Ao refletir sobre o pós-pandemia, Vera acredita que deve haver mais atenção à prevenção, colaborando para evitar doenças e, com isso, garantir, de um lado, mais qualidade de vida para as pessoas e, de outro, mais racionalidade para o sistema. Para ela, um desafio tem se mostrado ainda mais evidente na pandemia: a imperiosa necessidade de controlar custos, para impedir que a saúde se torne inacessível para muitos.

No novo cenário, a relevância do corretor continua sendo fundamental para o sucesso da saúde suplementar. “O corretor, assim como os demais elos da cadeia de prestação de serviços de saúde, está se adaptando ao novo momento, em que as pessoas interagem on-line por muito mais tempo. Considero que o contexto e os avanços tecnológicos devem servir para aperfeiçoar cada vez mais os produtos comercializados pelas operadoras e como mais uma ferramenta para ajudar a ampliar o acesso à saúde suplementar para mais pessoas”, aponta.

“Vemos o cenário futuro com boas expectativas a partir da experiência de 2020. Mas temos insistido que seria muito benéfico para todo o sistema de saúde – e para aqueles que querem, mas ainda não conseguem ter um plano – que fossem feitos aperfeiçoamentos regulatórios para ampliar o acesso”, indica a diretora.

A FenaSaúde defende a possibilidade de coberturas mais flexíveis, que caibam no bolso das famílias e nos orçamentos das empresas, e uma política de fixação de preços dos planos individuais que permita a livre concorrência entre as operadoras, de maneira a beneficiar os consumidores com preços mais baixos – “o que a regra atual, de reajustes anuais fixos e horizontais, não incentiva”.

Conteúdo da edição de março (229) da Revista Cobertura

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