Saúde Suplementar e seguro automóvel são os destaques para 2026; previdência preocupa o setor por conta do impacto do IOF
Pela primeira vez após 2021, o mercado de seguros tem uma redução na participação do PIB conforme estudos sobre a projeção do setor de seguros no ano de 2026, efetuados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).
De acordo com Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, o seguro automóvel apresenta uma grande margem de crescimento, com uma projeção de ascensão de 7,1%. Entretanto, há um grande desafio para o mercado que são os veículos elétricos, visto que representam um custo de reparo bem maior em comparação aos automóveis à combustão.
O mercado de saúde também se destaca nas projeções. O setor possui uma estimativa de 9% de crescimento. Esse número se caracteriza pelo grande aumento de beneficiários e pela estabilização da sinistralidade que está em torno de 80%
Segundo as estimativas da CNseg, o seguro rural tende a ter um retrocesso de 3,9% no setor. “Este número negativo acontece pela liberação de recursos pelo governo. Ano passado, liberaram em torno de R$ 500 milhões do orçamento do seguro rural, evidentemente que isso reduziu a contratação do seguro”, afirmou o presidente da CNseg.
A previdência complementar foi uma das grandes afetadas pelo IOF, em seis meses foram mais de R$ 50 bilhões de perda pelo impacto do imposto. “A previdência é uma das questões que abala e preocupa muito o setor. Nós acreditamos que a medida do IOF é inadequada e injusta, porque ela penaliza justamente o melhor tipo de aplicação no mercado”, conclui Oliveira.
Para ele, após a implementação do IOF, as pessoas deixaram de aplicar um volume substancial na previdência e aplicaram em outros títulos isentos. Em todos os meses em que o imposto esteve em vigor, o segmento ficou em captação líquida negativa.
Além disso, Oliveira salientou que as guerras geopolíticas podem influenciar diretamente nas projeções. Os conflitos têm o poder de impactar rigorosamente a inflação, os juros e o PIB.
PIB
O Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros (PDMS), desenvolvido pela CNseg, pretendia que o setor segurador atingisse a participação de 10% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2030.
De acordo com Dyogo Oliveira, provavelmente esse número não será mais atingido. “Mesmo que nós tenhamos sucesso em outras iniciativas, como estamos trabalhando na expansão do seguro rural, saúde e em outras áreas, esse número de 10% é inviável, dado o que aconteceu com a previdência. Então vamos fazer uma revisão disso e recalcular quais ações podemos tomar para recompensar essa perda em relação à previdência”.
A expectativa para 2026 é que o mercado de seguros represente 5,8% do PIB. Caso se concretize a projeção, seria a pior participação do seguros no Produto Interno Bruto nos últimos 12 anos. Em 2014, o percentual atingido foi de 5,6%.











