Região se destaca no cenário nacional com o desenvolvimento de diversos ramos e posiciona os seguros de pessoas com grande potencial
Carol Rodrigues
O mercado de seguros baiano é o principal das regiões Norte e Nordeste e ocupa a sétima posição no ranking de toda a federação.
No início de 2026, Salvador (BA) se transforma na capital do seguro do Brasil para, pela primeira vez, receber um evento que integra os estados da região Norte e Nordeste, o 6° ConsegNNE.
Josimar Antunes, presidente do Sincor-BA, foi o entusiasta de reunir as regiões Norte e Nordeste para a realização de um evento.
“De uma forma muito amistosa nos juntamos e, sob a minha coordenação, demos o primeiro passo para essa unificação e construção desse grandioso evento na Bahia. Hoje, conto com a parceria da Fenacor, por entender que o evento merecia um olhar mais cuidadoso. A princípio, formei uma comissão dos presidentes envolvendo as duas regiões e tocamos o projeto. Essa união só reforça a ideia de que, juntos, sempre seremos muito mais fortes”, conta, ao ressaltar que cada Estado contribuiu com ideias para entregar o melhor resultado.
Segundo Antunes, o mercado de seguros baiano cresce vertiginosamente em todos os segmentos e, principalmente no ramo de seguro de pessoas, isso se dá nas capacitações, incentivo e necessidade nesse nicho, através de palestras, debates e fóruns.
“A Bahia hoje tem 5.041 corretores( PJ/PF), tendo assim uma maior distribuição dentre os Estados do Nordeste. As nossas demandas não são diferentes dos demais Estados, nos Corretores, precisamos sair do anonimato dessa função tão essencial para a sociedade e temos a responsabilidade de levar a cultura do seguro a mais pessoas, pois, afinal, garantimos sonhos, pessoas e patrimônio”.

“Norte e Nordeste possuem as suas singularidades, mas apresentam muita sintonia e irmandade histórica. Juntas, as duas regiões representam 25% do consumo das famílias do país, 20% da economia nacional, mas apenas 13% do market share em seguros. A união das duas regiões, que já acontece na existência da Aconseg-NNE, em torno das assessorias, torna-se mais evidente, agora com os corretores de seguros”, define Djalma Ferraz, presidente da Aconseg-NNE.
Por isso, em sua opinião, o 6° ConsegNNE, que une e amplia um congresso regional, reforça o papel do corretor de seguros como líder do processo de desenvolvimento do mercado, visando o alcance de números cada vez mais relevantes no cenário nacional.

Na visão de Fausto Dorea, presidente do Clube dos Seguradores da Bahia, a principal característica do mercado de seguros na Bahia é a sua forte expansão e liderança regional, impulsionada por uma diversificação de ramos que reflete o vigor econômico do estado. “A Susep informa que entre 2024 e 2025, o setor movimentou aproximadamente R$ 12,78 bilhões no estado. Enquanto a média nacional de crescimento costuma ser robusta, a Bahia registrou picos de crescimento anual acima de 15%, superando a média de muitos outros estados brasileiros”, analisa.
“Temos a região metropolitana de Salvador com a força de sua população, indústria e decisões governamentais; o interior do estado com regiões de grande potencial agrícola, mineração e serviços; o vasto litoral baiano com a sua vocação turística dentre outros potenciais econômicos”, acrescenta Ferraz.
Dorea destaca a atuação de corretores, seguradoras e assessorias em seguros em prol da disseminação da proteção securitária na região. “Um mercado grandioso como nosso tem feito um belíssimo trabalho nesta área. Somos a segunda capital a criar a Semana Municipal do Seguro e temos entidades com comunhão de propósitos”.

Potencial em vários ramos
Dorea aponta que há muitas oportunidades de crescimento, além de uma representação importante no segmento.
“Nosso potencial é em todas as frentes, sendo que o agro, avança, o automóvel tem um crescimento considerável, mas entendo que na área de seguros de pessoas é o nosso mais promissor de oportunidades. Recentemente, o debate sobre sustentabilidade e mudanças climáticas tornou-se central para as seguradoras baianas. Como o estado possui uma vasta área agrícola e um litoral extenso, há um esforço crescente na criação de produtos que protejam contra eventos climáticos extremos”, ressalta o presidente do Clube dos Seguradores da Bahia.
“O segmento de seguros tem explorado a diversidade de produtos comercializados como os seguros rural, vida em grupo, garantia etc, mas sem deixar de lado os dois principais produtos do mercado que continuam numa crescente e com grandes oportunidades: automóvel e saúde”, acrescenta Ferraz.
A Tokio Marine é uma das companhias que investe na operação da região com uma diretoria exclusiva. Quem lidera a regional Nordeste é o diretor comercial Ronaldo Dalcin. Hoje a companhia possui duas sucursais no Estado, com uma equipe de dez colaboradores dedicados ao atendimento dos mais de 1,2 mil corretores e três assessorias em seguros parceiras na Bahia.
“Em 2025, a produção da Bahia representou 42,9% da produção total da Diretoria Regional Nordeste, com crescimento de 12,9% no acumulado de 12 meses do ano passado”, destaca Dalcin.
Segundo ele, hoje, as carteiras que mais têm se destacado são PJ, com crescimento de 16,5% em 2025 no acumulado dos 12 meses, e RD Massificados, com crescimento de 15,6% no mesmo período. “Dentre os produtos que tiveram melhor performance podemos destacar os de linhas financeiras, com aumento considerável de 179,6%, e condomínio, com, 16,9%”.
“O mercado de seguros na Bahia tem apresentado crescimento sólido e sustentável, acompanhando a tendência positiva do setor segurador brasileiro, que vem registrando expansão consistente ano após ano”, comenta Dalcin.

Diante desse contexto, os ramos com maior potencial de crescimento na Bahia estão concentrados em seguros de pessoas, impulsionados pela maior conscientização financeira; automóvel, acompanhando as mudanças no perfil de consumo do brasileiro; e seguros empresariais e patrimoniais, em linha com a diversificação da economia local. “A esse movimento soma-se a digitalização do setor, que amplia o alcance das soluções e acelera a penetração do seguro em novos públicos”.
A Bahia também desempenha papel estratégico nos negócios do Grupo Bradesco Seguros no Nordeste, sendo o terceiro estado que mais contribuiu em números absolutos para os resultados.
Segundo o Grupo, em vida e previdência, o estado se consolida como o principal mercado da região. “A Bradesco Vida e Previdência detém 25% de participação na Bahia — o equivalente a um quarto do segmento — e, até novembro de 2025, registrou crescimento de 12% nesse produto. No segmento de saúde, o estado concentra 6,15% da base de beneficiários da Bradesco Saúde, com mais de 240 mil pessoas atendidas. Em 2025, a operadora registrou expansão de 6% na região, desempenho superior à média nacional”.
Já o Seguro para Pequenos Grupos (SPG), destinado a empresas de três a 199 vidas, também apresentou resultado acima da média nacional, com alta de 8,15% no estado. “Além disso, a região reúne grandes centros urbanos, polos industriais, forte presença do setor de serviços, turismo e atividades ligadas ao agronegócio, o que amplia o potencial para os ramos elementares. Esse conjunto posiciona a Bahia como mercado prioritário para a expansão sustentável da companhia, com crescimento consistente e oportunidades em diferentes linhas de produtos”, ressalta o Bradesco.
Na Bahia, os principais destaques do portfólio do Grupo Bradesco Seguros concentram-se nos segmentos de vida, ramos rementares e saúde com soluções alinhadas às demandas do mercado local.
“O mercado baiano tem apresentado evolução consistente nos últimos anos, refletindo maior maturidade e crescente adesão a soluções estruturadas de proteção e planejamento de longo prazo. Trata-se de uma localidade estratégica para o Grupo Bradesco Seguros, em razão da diversidade de sua economia”.
Seguros de pessoas: a bola da vez
Segundo Antonio Daniel Mota, presidente do Clube de Seguros de Pessoas da Bahia (CSP-BA), o mercado de seguros de pessoas na região vem passando por um processo consistente de amadurecimento. “Nos últimos anos, observa-se uma mudança clara de mentalidade, tanto por parte dos corretores quanto dos consumidores. O seguro de pessoas deixou de ser visto apenas como um produto associado à morte e passou a ser compreendido como uma ferramenta de proteção financeira, planejamento familiar e continuidade de renda”.
Em sua visão, a pandemia teve papel relevante nesse processo de conscientização, com um movimento contínuo após o período mais crítico. “Hoje, há mais diálogo sobre temas como proteção, sucessão, invalidez, doenças graves e assistência em vida. Nesse contexto, o trabalho de entidades como o CSP Bahia tem sido fundamental para fomentar o mercado, promover debates qualificados e contribuir para a capacitação contínua dos corretores e demais agentes do setor. O corretor baiano está mais qualificado, com uma atuação cada vez mais consultiva e preparada para atender esse segmento, o que contribui para elevar o nível do mercado como um todo”.
O destaque é o seguro de vida individual, especialmente os modelos mais modernos, que incluem coberturas em vida, como Doenças Graves e Diárias por Incapacidade Temporária. “Esta última tem grande aderência ao perfil de profissionais liberais e autônomos, que dependem diretamente da própria renda. Esse crescimento está diretamente ligado à evolução do desenho dos produtos. Hoje, o seguro de vida é mais flexível, permite a combinação de coberturas, oferece valores de contratação mais acessíveis e apresenta uma jornada mais simples, inclusive com processos digitais. Isso amplia o acesso do consumidor e facilita o trabalho do corretor”, observa Mota.
Ele nota que há um potencial muito significativo tanto na capital quanto, sobretudo, no interior do Estado, onde ainda existem espaços pouco explorados por corretores e seguradoras no segmento de seguros de pessoas.
“Um exemplo claro é o seguro funeral individual. Em praticamente todos os municípios baianos existem empresas que comercializam, em larga escala, planos funerários — que não se confundem com seguro — oferecendo serviços futuros com pagamento parcelado e acessível às famílias. Esse cenário demonstra que a população já está disposta a investir em proteção relacionada a esse tipo de risco”.
De acordo com ele, isso mostra que a baixa penetração do seguro de vida não está ligada a uma barreira cultural ou a tabus, mas sim à forma como o produto é apresentado e explicado.
“De forma mais ampla, o Nordeste, pelas suas características econômicas e pelo grande número de trabalhadores autônomos e informais, apresenta um enorme potencial para soluções que protejam a renda e ofereçam segurança financeira em casos de incapacidade, doença ou falecimento, reforçando o espaço de crescimento dos seguros de pessoas na região”, ressalta o presidente do CSP-BA.

Qualificação
“Pela minha percepção, é notório que o setor de seguros cresceu significativamente nos últimos anos na região Nordeste, experimentando, em especial, um maior aquecimento desde o último trimestre de 2025. E, obviamente, o mercado baiano tem grande participação nesses bons resultados”, analisa Maria Helena Monteiro, diretora de Ensino da Escola de Negócios e Seguros (ENS).
Dentro desse cenário, ela aponta que o trabalho dos corretores tem sido essencial, pois, aqueles que antes eram nichados na carteira de automóveis, passaram a buscar oportunidades em outros segmentos, principalmente o de vida, ampliando assim o leque de negócios.
“Também notamos que os corretores passaram a ser mais participativos em treinamentos, eventos, hoje buscam mais informações, atualização, e esse é um movimento muito positivo, que também contribui para a evolução de todo o mercado. Os players que atuam em todo o estado da Bahia têm dado uma expressiva contribuição ao promover muitos eventos locais, focados em temas atuais, principalmente aqueles relacionados a mudanças de regulação e legislação”.
Maria Helena lembra que a escola atua em âmbito nacional para apoiar a formação e contínua capacitação de todos os profissionais de seguros, inclusive na Bahia, onde mantém parceria com o Sincor local. “Pelo convênio, a Escola disponibiliza seus programas educacionais com o objetivo de democratizar a educação e o conhecimento, tendo como foco principal o desenvolvimento da cultura do seguro. Os cursos e treinamentos são oferecidos de forma on-line ao vivo, possibilitando aos profissionais a oportunidade de interagir com docentes e colegas de outros locais e cultura, o que engrandece ainda mais a troca de experiências. Há ainda eventos sobre temas em evidência no setor, realizados tanto de maneira presencial como remota”, descreve.

A força das assessorias no NNE
Djalma Ferraz destaca que as assessorias de seguros estão presentes tanto na capital quanto no interior da Bahia, com uma operação cada vez mais profissional, diversificada e dedicada à qualidade de atendimento ao corretor de seguros. Além disso, representam a maioria das seguradoras e operadoras de planos de saúde.
“A dimensão geográfica, as particularidades de cada estado dentro de duas grandes regiões brasileiras, possibilita que as assessorias representem seguradoras e operadoras de planos de saúde com características e qualidades apropriadas para acolher e atender o corretor de seguros nas suas diversas necessidades. As assessorias estão ao lado do corretor, aproximando-o cada vez mais de tudo que o mercado de seguros tem a oferecer para este profissional como informação, tecnologia, produtos e inovação”, explica o presidente da Aconseg-NNE.
“As assessorias também têm ampliado e qualificado às suas equipes, agregando valor ao seu trabalho e tendo o reconhecimento notório dos corretores de seguros que, por muitas vezes, preferem estar vinculados a uma assessoria de seguros que lhe proporcionam agilidade, relacionamento e atendimento bem mais próximo e humanizado. A comodidade de ter uma assessoria lhe atendendo, permite ao corretor dedicar mais tempo do seu trabalho para fomentar as suas vendas de seguros para o cliente final”, ressalta Ferraz.
Conteúdo da edição de janeiro/fevereiro (283) da Revista Cobertura











